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 8º Aventura - Lumière ou Obscurité, Kei Chikage
Tiger
 Posted: Apr 25 2017, 02:20 PM
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Tiger




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Lumière ou Obscurité

Já fazia horas que meu corpo estava sobre um intenso treinamento rigoroso. Dias sem um banho adequado e um descanso necessário. Minha mente estava tão entregue ao meu aperfeiçoamento que a realidade naquele momento era apenas me fortalecer. Não era fácil lidar com situações nas quais vivenciei, perdi amigos que me eram caros, fui fraco quando precisava ser mais forte e mais útil. O estado emocional que eu estava era preocupante, fraco e sem energia, escutava do líder, as orientações. Alguns agentes falavam sobre a forma física esgotada que me encontrava e logo me davam alguns dias de descanso, dizendo que iam me procurar quando tivessem alguma ordem. Meus pés saiam do barco com minhas roupas num estado deplorável e até certo ponto angustiante. Não pensem que devido ao treinamento eu estava satisfeito em estar naquele estado deplorável, ao menos fisicamente eu precisava alimentar meu Ego, ao menos isso né? Desgrenhado e quase sem força, procurei entrar na ilha como um mendigo, L'arcan era bela e prospera. Um clima frio com as brisas que corriam em meios as suas ruelas e rios, pequena e ao mesmo tempo acolhedora. Logo a frente de onde eu estava no porto, um restaurante com uma hospedaria simpática surgia como um belo lugar para repor minhas forças e quem sabe fazer uma refeição? Rumei imediatamente para ela, e uma jovem com cabelos louros e sorriso franco, dava boas vindas. Não existia duvidas que ficasse assustada em ver que um meliante entrava em sua estabelecimento, e por meu espanto, não foi nada disso.

Garota: - Bem vindo senhor...O que podemos fazer pelo mesmo? – Sua voz era delicada e animada.

-...Estive numa viagem cansativa, meu barco passou por sérios problemas. Procuro um lugar calmo que ofereça um bom banho e um lugar para passar uns dias..Teria um quarto senhorita?

Garota: -...Posso oferecer um belo vinho e um uma comida que acabamos de fazer também senhor. Temos um quarto que fica em frente ao porto, admito que seja nosso melhor quarto.

-....Parece uma boa opção. Vou para o banho, e desço para fazer a refeição. Qual quarto?

Garota: -...Deixa comigo, senhor. O quarto é o 10..

-...Me diz uma coisa...Você não vai me perguntar sobre dinheiro? Ou se possuo condições de pagar por tudo isso? É apenas uma curiosidade...

Garota: -..Não é necessário senhor. Seu andar e sua forma de falar, é o suficiente. Posso ver que possuir dinheiro e uma certa posição apenas por esses detalhes...

-...Quer dizer que mesmo nesse estado sou bonito? Hehe..

Garota:-...Responderei depois do banho. Até o momento me parece que seu barco ficou naufragado por dias em pleno mar...Hehehe...

-...Quase isso...Hehehe..Fechava a porta, e me deliciava ao banho e em receber aquela refeição. Enfim descanso.

Sétima Aventura

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Carmichael
 Posted: Apr 26 2017, 09:46 PM
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Rise of the Dragon

Dias se passaram desde a chegada de Kei em L’arcan, e o rapaz se sentia novinho em folha, pronto para encarar os desafios que viriam a seguir. Logo cedo, enquanto ainda tomava o café da manhã na parte de baixo da hospedaria, o agente Vermilion entrou ao lado de dois outros homens de terno. Sua expressão ranzinza era quase cômica, assim como o seu senso de moda.

- Ai está você, o homem com quem eu gostaria de conversar. – O ambiente agradável mudou rapidamente. As pessoas pararam de conversar e comer, dando atenção exclusivamente aos agentes recém-chegados, como se a chegada deles fosse um mau presságio. Talvez fosse mesmo. A garota do balcão rapidamente os recepcionou, mas Vermiliano apenas a ignorou.

- O senhor Laskey quer falar com você no porto, ele e o chefe estão de partida, e, por favor, coloque o seu terno, é regulamento da nossa agência utilizá-lo. – O agente pegou uma fruta em uma bandeja que estava em cima da mesa de Kei, e abocanhou ali mesmo. Em seguida foi embora batendo a porta com força, quase que fazendo com que todos pulassem da cadeira.

Por um momento as pessoas ficaram olhando para o príncipe, até voltarem aos seus afazeres normais deixando a atmosfera um pouco menos “intensa”. A garota se aproximou de Kei, e gentilmente foi lhe servindo uma xícara de café.

- Então você é um agente do governo... Sei que isso não é da minha conta, mas o que o traz a L’arcan? - Ela o olhava de uma maneira diferente agora, um pouco intimidada, e sem saber o que pensar sobre ele. Suas mãos tremiam um pouco, derrubando um pouco do café em cima da mesa o qual fez questão de limpar rapidamente com um pano.



This post has been edited by Carmichael: Apr 26 2017, 09:49 PM
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Tiger
 Posted: Apr 30 2017, 12:52 AM
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Lumière ou Obscurité

Havia alguns dias que eu descansava na pousada em que na maior parte dos dias me detive em repousar meu corpo pela exaustão que havia o feito sentir. O clima de L era agradável, com um misto de frio e vento que batia na janela daquele quarto, era uma vista muito bonita próxima ao porto e às gaivotas que voavam próximo da janela. Existia uma espécie de poltrona para leitura próxima à janela, onde fiquei a maior parte do tempo apreciando um café bem forte pela manhã, um chá pela tarde e um vinho pela noite. Em compensação em nenhum momento me sentia só. Falei com a moça da hospedaria e solicitei que o alfaiate, que possuía um corte muito refinado, pudesse ir até o meu quarto para fazer-me um terno, pois era uma das exigências dos agentes. Obviamente eu escolhera um que pudesse agradar meu rosto refinado e elegante, mas não existia na ilha um alfaiate de tal renome. Até que fizeram um bom trabalho, não ruim, mas também não excelente, acredito que “bom” é o que cai melhor para esse caso. Como não possuía muitos recursos pedi que ele fizesse em nome do governo mundial, não sei se isso pode, mas também não tinha outra escolha – apresentaria a nota e eles que pagassem – até porque é um preço pequeno pela genialidade que minha presença representa no governo mundial. Habituado a fazer minhas refeições no ambiente do bar, conversando com a jovem menina, a porta da hospedaria se abria, e os agentes se aproximavam com novas ordens. Já fazia alguns dias que eu estava ali, esperando a convocação para iniciar uma nova etapa de treinamento. A presença daqueles homens criaram uma tensão no ar, que não passou despercebido a minha pessoa. Não ia perguntar o motivo, porem era algo que eu ainda precisava observar. A jovem menina, inteligente e perspicaz não mostrava espanto tão grande ao ver que eu pertencia ao governo mundial, com uma pequena xícara de café na mão, tomei um gole ao ouvir sua pergunta e respondia com um sorriso enquanto me levantava para subir ao meu quarto e falava enquanto caminhava para as escadarias.

- ...Sou um agente, ainda não muito famoso, mas não se preocupe! Um dia você poderá dizer que o maior agente desse mundo se instalou nessa hospedaria. Até lá, agradeço a gentileza, mas creio que terei que acompanhar esses cavalheiros. O pagamento será realizado pelo governo mundial. Tem algo que eu possa saber sobre essa ilha? Não conheço nada, e creio que aqueles caras estranhos não vão me falar...Hehehe..

Sétima Aventura


This post has been edited by Phoenix: Apr 30 2017, 12:56 AM
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Carmichael
 Posted: May 1 2017, 10:59 PM
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RISE OF THE DRAGON
Sem papas na língua, Kei confirmava o que já era bem óbvio para o público local. Ele era um agente, mas aparentemente não tão secreto e nem tão famoso assim. A garota levou as mãos a boca e sorriu timidamente, não da sua ambição, mas da maneira como ele falava tão facilmente sobre aquilo. A escalada no poder não era fácil, e Kei sabia disso mais do que ninguém.

- Uau, um agente famoso... Não seria muito discreto não é mesmo? Esperarei ansiosa por esse dia. – Dizia ela olha para o rapaz com certo mistério. As pessoas a sua volta caíram na gargalhada, comendo e bebendo sem muita educação. Chikage podia perceber pela roupa surrada da maioria, que eram trabalhadores simples. Alguns fediam tanto que parecia que não tomavam banho há dias.

- Você tem sorte Nii-chan, não é todo homem que chama a atenção da Rose. – Um deles falava alto erguendo um copo fazendo com que novamente as pessoas sorrissem. Era um ambiente agradável apesar de tudo, caloroso. As bochechas de Rose coraram, mas ao invés de ficar corada atrás da bandeja que segurava, ela preferiu acertar o homem na cabeça formando um grande galo. A risada só aumentou.

- Você realmente não sabe de nada do que aconteceu por aqui não é mesmo? Sabe, por causa da guerra recente entre o Governo Mundial e Reina, a cidade enfrentou muitos problemas. Casas foram destruídas, e estabelecimentos que estavam aqui antes mesmo de eu crescer acabaram falindo.

- Se não fosse o apoio do nosso governador... Eu não sei o que seria de nós. Agora é que estamos começando a nos recuperar. – Da porta dos fundos, um homem corpulento surgia abrindo a porta dos fundos carregando pelo menos três caixões imensos, colocando-os no chão logo atrás do balcão. Ele limpou o suor que borbulhava em sua testa, enquanto era recebido pelo resto das pessoas da estalagem.

- Seja bem vindo papai. Você parece cansado. – Disse Rose, e o homem mostrou um largo sorriso para a filha. A camisa dele era branca, toda desbotada e cheia de manchas pretas devido à sujeira acumulada. A calça era jeans mesmo, e usava um sapato preto também bem avariado. A barba grande e os olhos cansados indicavam que ele não dormia a dias.

- Essa foi uma noite cansativa minha filha. Conseguimos desembarcar grande parte dos produtos, mas alguns ainda estão retidos e sinto que o não receberemos nem tão cedo. Você sabe como é todo o processo burocrático, ainda mais depois de tudo o que aconteceu recentemente. – O homem foi se aproximando da filha para dar-lhe um abraço, ate que notou Kei bem próximo a ela.

- E esse quem é? Um hóspede?
Uma nova lenda. Inicio em Dawn Island!


This post has been edited by Carmichael: May 1 2017, 11:00 PM
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Tiger
 Posted: May 7 2017, 12:14 AM
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Lumière ou Obscurité

Sua simplicidade era encantadora. Aqueles dias na hospedaria eram como descanso. Estar em contato com aquelas pessoas me alimentava e me dava forças para continuar buscando aquilo que eu acreditava e me importava. Rose era como uma rosa num jardim, delicada e ao mesmo tempo necessitava do espinho para gerenciar aquele lugar. Não existiam pessoas que a tratassem mal ou que fossem indelicadas, todos a respeitavam e protegiam-na. Era como se aquele ambiente fosse um espaço onde pessoas amigas gostavam de estar.

... Um lugar que há muito tempo eu não tinha.

Aos poucos minha personalidade foi voltando ao normal, já que o contato com aquelas pessoas me fazia despertar de um processo parecido com um coma induzido, desde os acontecimentos na marinha e com Saizou. Parecia que eu estava dormindo há muito tempo, sem saber de nada que estava passando a minha volta, estava mergulhado nos livros e na rotina dentro do QG.

Para falar a verdade, não me preocupava com nada que acontecia fora dali. Lia alguns jornais a respeito dos maiores acontecimentos e até ouvia alguns relatos no QG da base da marinha, mas minha mente não dava a devida importância, aquilo não me interessava, eu simplesmente não ligava, não me importava. Minha única vontade era permanecer em silêncio, no meu próprio mundo interno que eu mesmo criara como uma forma de defesa, assim, estava mergulhado em meu íntimo.

Naquele lugar eu parecia relembrar como era estar entre pessoas alegres e simples, mas com uma generosidade que não via em mais ninguém da marinha. Meu sorriso e até minhas gargalhadas eram abafadas por outras ainda maiores do que a minha e minha voz se elevava enquanto eu respondia de forma sincera e até mesmo espontânea:


- Minha querida Rose! Se eu lhe dissesse que estava quase em um coma consciente, você acreditaria? Vamos começar com a ideia de que eu não sei quase nada do que aconteceu nesses últimos tempos.

Disfarçava minha fala com sorrisos um tanto simples e até certo ponto, tímidos, pois me envergonhava o fato de não saber ou não recordar de quase nada sobre os eventos que havia lido nos jornais. O que pensariam de mim – um agente que não sabe de nada? A única forma de sair dessa era com meu velho humor irônico que sempre me ajudava nesses momentos constrangedores.

Nesse meio tempo, todas as atenções dirigiam-se para um pequeno grupo que adentrava com semblantes sérios, porém gentis. Todos na hospedaria levantavam-se e iam em direção daquele homem, inclusive Rose. Seria ele o verdadeiro dono da hospedagem ou alguém ainda mais importante? Foi então que me aproximei de forma educada e o homem que agora estava bem nítido de quem se tratava, perguntava à Rose quem eu era. Foi então que me apresentei.


-...Meu senhor, meu nome é Kei Chikage. Estive esses dias sobre os cuidados atenciosos de sua filha Rose, nessa hospedagem. Rose estava me contando sobre os acontecimentos da ilha. Estive muito tempo fora...Sabe? Até porque sou um Agente do Governo...

Oitava Aventura

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Carmichael
 Posted: May 10 2017, 02:07 PM
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- Um agente do governo han? – O pai da menina não parecia receber a notícia muito bem, chegando a fazer uma expressão não muito simpática para o lado de Kei. Ele deu as costas para o príncipe, como se a sua presença ali não fosse bem vinda.

As pessoas obviamente ficaram olhando para o dono do bar, algumas delas inclusive tomavam partido de Chikage que simplesmente não tinha noção do que estava acontecendo.



- Ei Sam, o garoto é recém-chegado, você poderia tratá-lo com um pouco mais de educação. – Dizia um dos clientes, enquanto outros murmuravam algo concordando. O dono virou-se com uma cara enfezada, as veias pareciam que iam saltar da têmpora.

- O que você disse? Se você não está satisfeito com o modo como eu trato meus clientes você pode ir embora Mazu. – O homem recolhia-se no seu canto resignado e comendo um pedaço de pão enrugado, outros terminavam a refeição e iam embora para o trabalho deixando algumas moedas em cima da mesa. Ninguém discutia, aparentemente acostumados com aquele tipo de situação.

- Escute Rose, eu estou indo guardar as mercadorias, nos vemos mais tarde. – O homem saía pela mesma porta que tinha entrado batendo-a com violência. A garota nem sequer piscou, continuava em pé segurando a bandeja colada ao peito. Ela virou-se para Kei, e corando, curvou a cabeça falando gentilmente.

- Sinto muito pelo meu pai, desde que mamãe morreu... Ele não tem sido mais o mesmo. – O instinto do príncipe lhe dizia que tinha algo a mais por trás dessa história, mas o que? Um dos hóspedes se aproximou, o mesmo que tinha defendido o agente mais cedo. Era um homem calvo na parte de cima da cabeça, com poucos fios de cabelos brancos nas laterais. Usava ainda roupas desgastadas, rasgadas, e fedia a peixe. Não era difícil de presumir que aquele senhor era um pescador.

- Meu rapaz, releve o que o Sam disse. Ele é uma boa pessoa. Sei que isso não deve lhe interessar muito, mas se não fosse por ele só Deus sabe o que seria da maioria das pessoas que perderam tudo por aqui. – O homem falava com temor, com um medo desnecessário de que houvesse alguma represália por parte de Kei. Uma coisa era certa: naquela estalagem agente do governo não visto com bons olhos.

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Tiger
 Posted: May 11 2017, 01:53 AM
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Lumière ou Obscurité

Para falar a verdade, aquela recepção do pai de Rose me pegou totalmente desprevenido. Até aquele momento eu havia sido tratado de forma amistosa por todos. Bebíamos e cantávamos praticamente todas as noites. Havia me tornado, naquele local, um contador de histórias. As pessoas reuniam-se a minha volta e pediam-me para contar a história do confronto contra o Língua de Cobra – o famoso pirata que havia sido derrotado por Saizou e por mim. Era a história favorita do Mazu, e ele sempre pedia para eu contar a parte que Saizou explodia o tanque com sua magia negra. Não sei até que ponto eles acreditavam, mas isso me trazia lembranças boas do garoto. Eu dizia que sem minha orientação, ele teria sucumbido, e não deixa de ser uma verdade bem concreta...Imitava Saizou com aquele ar atrapalhado dele me chamando de Sensei...Sensei isso...Sensei aquilo...

Era um tanto engraçado, sabe! Cada noite surgia uma pessoa diferente para ouvir a história. Aquelas pessoas passaram a me olhar com outros olhos e eu passei a admirar aquele local de todo o coração. Ali me sentia como sempre gostei de me sentir: acolhido! Não existiam títulos, dinheiro ou status, todos éramos pessoas que compartilhavam os mesmos sentimentos – a liberdade.

Então por que essa atitude repentina do pai de Rose? Busquei em minha mente articular se havia dito alguma coisa ou me posicionado de modo grosseiro, porém, nada me ocorria. Apenas disse que era um agente do governo. Apenas isso...Seria esse o motivo? As pessoas procuravam me consolar e a se desculpar. Até Rose, minha querida Rose havia ficado envergonhada, e tive a impressão que ela estava chateada com a situação. Puxei-a para sentar-se comigo, parecia totalmente envergonhada pela atitude do pai. Sua expressão me dizia muito mais que qualquer coisa. Havia coisas acontecendo das quais eu desconhecia. Minha intuição era algo em que eu confiava até mais do que em meus pensamentos. Durante minha vida aprendi a escutar aquele sexto sentido, aquela voz que me alertava sobre as coisas e sempre que tinha esse sentimento algo acontecia. Olhando aquele cenário, precisava de alguma forma, entender o real motivo do pai de Rose, pois via em seu semblante uma dor inimaginável e sua filha de alguma forma tentava seguir sozinha com a hospedaria e as palavras de Mazu davam a entender que alguma coisa tinha acontecido naquela ilha.

Levei Rose gentilmente pela mão até uma das cadeiras mais distantes do balcão. Fiz um gesto com a cabeça para Mazu e para os rapazes nos deixarem a sós naquele momento – precisava descobrir o que estava acontecendo e tentar entender Rose, pois sua dor me angustiava e sua expressão alegre era quase uma mascara . Como médico, percebia quando alguém estava sofrendo, mesmo afastado de minha profissão, nunca perdi a sensibilidade de compreender o ser humano. Meus olhos voltavam-se toda atenção para o rosto de Rose, que me olhava com olhos tímidos, minhas mãos apertaram as suas e minha voz soou suave e tranquila, buscando tocar a sua alma, com todo meu carinho:


- Minha querida! Não precisa se desculpar. Há coisas que ainda não compreendo, mas posso oferecer um ombro amigo para lhe escutar. Vamos! Abra seu coração para mim. Prometo não lhe decepcionar.

Todo timbre da minha voz foi num tom envolvente e acolhedor. Esqueci tudo o que havia em volta e procurei me deter em cada detalhe do que Rose pudesse me dizer. Fiquei em silêncio esperando sua resposta enquanto já havia servido dois cafés para que pudéssemos ter todo aquele tempo para nossa conversa. Existia algo...e eu estava disposto a descobrir o que era.

Sétima Aventura


This post has been edited by Phoenix: May 11 2017, 02:18 AM
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Carmichael
 Posted: May 14 2017, 10:32 AM
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Após fazer um gesto com a cabeça, o velho e os outros trabalhadores rapidamente compreenderam o que jovem queria com aquilo, ou pelo menos tentaram. Os homens levantaram-se terminando ainda de pé suas bebidas e o resto da comida, deixando algum dinheiro em cima de cada mesa.

Em poucos dias na estalagem, o rapaz tinha conhecido grande parte daqueles rostos tão desgastados. Eram pescadores e comerciantes em sua maioria, alguns usavam a estalagem como um albergue, outros apenas apareciam nas refeições para conversar com os amigos.

A vida era árdua, mas invariavelmente no final do dia, todos se reuniam para conversar amenidades.


- Ei Kei, mais tarde vou trazer o meu garoto aqui, ele está doido para ouvir a história de como você e seu amigo derrotaram o Língua de Cobra. – O homem dava um soco de leve no ombro de Chikage com o seu boné surrado. Seu Leopoldo - como era conhecido por lá - era uma das figuras mais engraçadas e animadas. Enfim, quando todos saíram, Kei ficou a sós com Rose.

- Err... Bem... Eu não sei muito o que dizer. – A garota estava envergonhada e sentia-se cada vez mais intimidada com os galanteios do rapaz, apertando a bandeja com ainda mais força ao olhar Kei diretamente nos olhos. Rose era uma donzela, e ficar a sós com uma pessoa que ela conhecia tão pouco só aumentava o seu nervosismo.

- Não é nenhum segredo, mas quando eu ainda era um bebê a minha mãe foi morta pelo Governo Mundial. Meu pai nunca contou para ninguém o que realmente aconteceu... – O rubor nas suas bochechas sumia dando lugar a uma voz triste. Não havia raiva, nem qualquer rancor, apenas um lamento incontido por não ter chegado a conhecer a sua própria mãe. Ela levantou-se da cadeira subitamente, decidida a não levar aquela conversa adiante.

- Com sua licença... – Ela baixava a cabeça cordialmente, recolhia o dinheiro e os pratos espalhados, e ia até uma pia que ficava próxima atrás do balcão, deixando Kei sozinho. Já não havia mais movimento na hospedaria, restando somente o barulho da água escorrendo pela torneira, e de pratos sendo lavados.

Mazu:
Spoiler


Rose:
Spoiler
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This post has been edited by Carmichael: May 14 2017, 10:33 AM
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Tiger
 Posted: May 17 2017, 08:46 PM
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Lumière ou Obscurité

A reação de Rose havia me decepcionado. Realmente, ela não revelava qualquer informação valiosa a respeito do real motivo que fazia seu pai me destratar de tal modo. A única informação que não deixa de ser valiosa era a de que o governo mundial seria responsável pelo assassinato de sua mãe. Isso não quer dizer e tampouco comprova absolutamente nada que o governo mundial tenha algum laço obscuro. Também não sou tolo em crer que só existem santos diante desses poderes espalhados pelo mundo, mas isso não significa que eu vá ficar de braços cruzados esperando para ver o que acontecerá.Precisava colher informações precisas e analisar com cuidado de forma criteriosa e habilidade para tais atitudes eu possuía. Mas precisava ser paciente e cauteloso, até porque eu recém havia dado os primeiros passos como agente. Estiquei as mãos tomando um gole de café, fiquei olhando para a janela enquanto Rose tentava disfarçar em meio ao balcão. Tentei fazer com que minha voz soasse calma e tranquila:

- Rose, me explique como isso aconteceu....Mesmo que sejam lembranças que você não registrou...

Oitava Aventura


This post has been edited by Phoenix: May 17 2017, 08:47 PM
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Angelique
 Posted: May 24 2017, 01:09 AM
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A garota seguia lavando a louça de forma concentrada, porém a insistência de Chikage para com o assunto a desagradava e não vendo muita alternativa, ela largou um prato branco que já estava em sua fase final de lavagem, apenas precisava passar um pano, esse, que ela secou as mãos, suspirou e colocou-o no ombro, deixando a porcelana fria adentrar na pia com os demais sujos. Ela colocou as duas mãos sobre a mesa enquanto observava os pedaços de comida em meio ao sabão e refletiu um momento com a face transtornada enquanto franzia a testa e abria a boca levemente, fechando-a logo em seguida. Suspirou mais uma vez e olhou para os olhos de sangue do príncipe logo a sua frente.

- Bem... - Ela iniciou de forma acuada, parecia segurar alguma mágoa e enchia o peito de ar uma última vez, soltando o suspiro de forma bem audível, mostrando com o corpo o quão desgastante aquilo seria e por fim ajeitou o cabelo atrás da orelha enquanto encarou o amigo que havia conhecido há pouco tempo e que de certa forma, trouxera uma alegria para o estabelecimento. Se ele a queria conhecer, talvez aquela fosse uma boa hora para se abrir. - Eu, por mim, não tenho memória alguma. Eu era apenas um bebê... Mas meu pai, Samuel de la Carté, era um mafioso de certa fama e poder aqui por L'arcan.

Tal informação era algo pesado e já explicava muito do que o agente queria saber. Ela deu uma longa pausa dramática e tirou o pano da louça dos ombros e deixou-o junto de outros semelhantes, passando uma última vez as mãos nele e fazendo a volta do balcão, sentando-se próxima ao príncipe. Não queria ser negligente com ele e muito menos com a história do passado de seu pai e da própria. Olhou para os pés do homem por algum período, ajeitando as palavras e memórias em sua mente e por fim, juntou as mãos sobre o colo, ajeitando o avental meio dobrado pelos movimentos, como que procurando algo para se distrair para que não fosse tão incômodo.

- Minha mãe... Helena Casagrande, filha de pessoas simples, uma garota que poderia ser vista como eu. - Ela puxou um pingente por dentro de suas vestes e abriu-o, mostrando uma pequena foto do antigo casal. Sam já era grande naquela época (apesar de ser visível apenas a região dos ombros e a cabeça) e Helen, onde ambos estavam com os rostos grudados e sorrindo igual dois patetas. - Ficou grávida de mim graças à paixão de meu pai. Eles se conheceram ao acaso, ela era apenas uma camponesa que deu abrigo a um fugitivo e cuidou dele, em troca, recebeu presentes de agradecimento e proteção. Tempo passa e aquilo se tornou muito mais que um mero sentimento de agradecimento...

Ela parou e tomou um gole do café que Chikage havia servido mais cedo. Ela o engoliu e aproveitou para fechar os olhos, aproveitando o odor das sementes. Abriu um sorriso involuntário enquanto seu nariz ficou um pouco avermelhado e ela engoliu mais do que apenas um gole, algo muito mais psicológico. Seu peito fez movimentos mais rápidos até que ela conseguiu concentrar-se e abrir os olhos marejados e falou um pouco mais, porém se engasgou com as próprias palavras e sua voz tornou-se turva e ela mais uma vez teve que fechar os olho e respirar fundo. Abraçou-se e logo em seguida passou o indicador no canto do olho para limpar uma fugitiva lágrima que estava se esforçando em sair dali. Pediu desculpas ao ouvinte.

- Quando ela me teve, o hospital notificou a minha existência para a Marinha e a mesma, por não conseguir lidar com meu pai e seus associados, logo tiveram de chamar o Governo Mundial e ele tornou-se um homem procurado e muito importante. - Repouso a xícara com a mão um pouco trêmula, porém não soltou de sua asa até que conseguisse se manter forte. - Obrigado a ter de deixar a mulher que amava, ele fugiu para os outros blues. Viveu em fuga por cerca de dois anos, mas sempre que podia, nos mandava um presente para dizer que estava tudo bem... Você consegue entender? Ele nem ao menos podia nos mandar uma carta! Ele temia que fizessem algo conosco...

Chikage era perceptivo e nisso, ele via que alguém tentava aproximar-se deles, porém, a grande figura que agora se aproximava, resolvia desistir da investida e ficar mais para trás, largando o que tinha em mãos ao chão e ficando atrás de uma porta. Isso ficava no campo de visão do príncipe, mas era impossível dizer com certeza quem era e que, de braços cruzados e as costas contra a parede, ouvia em conjunto a história.

- Ele retornou para casa em uma oportunidade de passada. Diz ele e seus amigos, que a primeira coisa que fez após dar um beijo e um abraço em mamãe, foi vir brincar comigo. Ele sentia muito a minha falta. Bem... Ele perdeu de propósito seu próximo barco e resolveu ficar um pouco com a gente, o que se estendeu para além de um mês e ninguém tinha coragem de expulsá-lo, mesmo que fosse a coisa mais sábia a se fazer. - Ela mordeu o lábio e enfim se permitiu derrubar algumas lágrimas enquanto contorcia o rosto em uma careta de dor, abaixando a cabeça para que o cliente não visse tal imagem. Ela chorou um pouco em silêncio, apenas soluçando e tremendo um pouco, tossindo logo em seguida e ao erguer a face vermelha, tomou um gole do café para se acalmar, deixando que o calor a envolvesse. Passou as palmas sobre o rosto e continuou com a voz turva. - Houve... Houve... Um tiroteio... Agentes circularam a casa durante um período de tempo e viam nossas... Desculpe...

Abaixando a cabeça e enfiando entre as palmas, ela ficou assim até retomar o fôlego. Demorou um pouco, mas ela precisava daquilo mais do que ninguém. O vulto atrás da porta da cozinha também se moveu, erguendo um grosso braço e passando no rosto, porém, nada fez além disso.

- Os agentes vieram com tudo. - Dizia com uma expressão de raiva. A testa franzida, o olhar determinado em terminar sua narrativa e as bochechas marcadas pelas lágrimas. - Rifles, pistolas, metralhadoras... O que você conseguir pensar. Eles encheram a casa de buracos como nenhuma gangue de mafiosos jamais fez em L'arcan e olhe que nós os conhecemos os maiores.

- Minha mãe já havia participado de algumas, porém aquilo não era esperado e sua primeira reação fora se abaixar e meu pai nos abraçou, tentando nos proteger com seu corpo. Mas ele não foi ligeiro o suficiente... Os agentes já haviam feito um estrago, pois assim que a poeira baixou após uma ordem, meu pai se levantou com sangue em si e não era dele.
- Ela começou a soluçar. - Minha mãe sofreu tiros no peito e pescoço, assim como eu quase tive o braço retirado fora por uma munição grossa de uma escopeta. Ele não soube o que fazer até sair de mãos para o alto... Parecia... Que ele não era o alvo.

- Após se entregar, ele ficou três meses sumido e então retornou para casa, mas com condições. Aparentemente o Governo se apiedou da perda de sua mulher e permitiu que ele cuidasse de mim, em troca, ele delataria todos os seus amigos mafiosos e não haveria tanta "gentileza" da próxima vez.


Colocou a mão sobre o rosto e respirou fundo até seu fôlego se acalmar. Ficou ainda um momento quieta, trancando a respiração e sem dizer nada, apenas se levantou e curvou-se para Chikage como se pedisse desculpas por algo, ou apenas se despedia, ou que quer que fosse e saiu dali, retornando para sua pia, afinal, aquela estalagem não ia funcionar sozinha. Ela lavou novamente o prato que havia se contaminado com os demais sujos e o guardou de qualquer jeito no secador, porém sua mente ainda estava cheia e ela fez mais uma careta continuou segurando com força o objeto até que enfim o soltou e pegou uma vassoura, sem paciência para ter delicadeza com a pia suja e resolveu varrer o local da maneira mais agressiva que conseguia. O vulto atrás da porta apenas saiu pela parte dos fundos da cozinha.


Spoiler
Helena:user posted image
Samuel:user posted image


This post has been edited by Angelique: May 24 2017, 01:13 AM
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 Posted: May 26 2017, 03:20 AM
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Lumière ou Obscurité

Aqueles minutos eram sufocantes. Cada palavra que saía dos doces lábios de Rose me atingia como dardos que feriam minha alma como há tempos não sentia. Vê-la naquelas condições, para mim, era muito doloroso e difícil, pois estava acostumado a acordar com aquele sorriso radiante e meigo me desejando um bom dia e avisando que o café já estava pronto. Durante a noite, da mesma forma ela se comportava, cercada de todo pessoal que, com certeza, também eram tocados pela sua simpatia. Entretanto, ali ela estava frágil como uma criança. Sua dor era quase tangível, como se jorrasse tudo o que a pobre garota guardou durante todo esse tempo. Quem poderia imaginar que por detrás daquele sorriso fosse existir um passado tão negro? O que eu poderia fazer se eu era o causador de todas essas lembranças? Minhas mãos tremiam e eu as apertava por baixo da mesa com muita força. Apoiava minha cabeça, deixando meus cabelos cair pelos olhos que não tinham coragem de encará-la, na medida em que ia escutando aquele relato. Meu nervosismo era tremendo, uma vontade de levantar daquela mesa e abraçá-la como um irmão faz com uma irmã mais nova, me consumia. Gostaria de dizer em seus ouvidos, apoiando sua cabeça sobre meus ombros, que iria protegê-la e afastar toda aquela escuridão com a minha própria luz. Mas não tinha coragem, o medo e a insegurança haviam tomado totalmente o meu espírito.

Toda aquela cena fugia inteiramente do que eu imaginava, jamais passou pela minha cabeça que algo tão terrível tinha acontecido com Rose e seu pai. Nem mesmo a figura que havia surgido por trás da porta era mais importante do que aquele momento. Não me preocupei em quem seria, por mais que tivesse uma leve intuição de quem fosse, naquele momento, sentada em minha frente estava à única coisa que importava. Meus olhos haviam se tornado piedosos ao alcance que Rose estava em minha frente. Tão linda e tão triste. Há muito tempo eu estava sozinho. Abandonara minha família para seguir um sonho, destemido, corajoso e achando que o mundo iria cair a meus pés. Encontrei amigos que se tornaram preciosos, como uma família. Descobri neles a mesma coragem em seguir em frente. Alguns sobreviveram e outros pereceram em minhas mãos. Foi uma das maiores decepções da minha vida. Percebia o quanto estava longe de tudo aquilo que buscava. Eu era fraco e devido essa fraqueza eles haviam morrido.Todas essas emoções vinham em flashes de lembrança, de toda minha trajetória até aqui. Compartilhar todas essas sensações junto a Rose era como se eu tivesse em um turbilhão de pensamentos e lembranças misturado com minhas dores e as suas. Por trás da minha fisionomia piedosa, chorava da mesma forma que ela.

Meu espírito e minha alma derramavam lágrimas que eu ainda estava aprendendo a lidar. Vi Rose encerrar seu relato, se levantar e tentar fingir que nada aconteceu. Começava a entender o motivo de tanta hostilidade com os homens que pertenciam ao governo. E como seria diferente se ela e seu pai vivenciaram tamanho horror? Sua mãe havia sido metralhada sem piedade pelo governo mundial e por mais que seu pai, no passado, tivera alguma relação com a máfia, o governo não poderia ter ceifado a vida de um inocente por um ideal acima da razão. Sabia a hora que não deveria ficar em algum lugar. Percebi que Rose preferia ficar sozinha, estiquei minha mão, levemente, pousando-a sobre meus cabelos de modo a afastá-los de meu rosto, sentia o suor escorrer por todo corpo por baixo de meu belo terno. Precisava de um ar, precisava espairecer de alguma forma: tomei o último gole de café e tirei de meu bolso meu cachimbo e assim, meus passos foram lentamente se afastando da mesa. Voltei os meus olhos para dizer alguma palavra de conforto, tentava rapidamente achar qualquer frase que fizesse algum sentido, mas estava fraco, cansado e não sabia o que dizer. Rose estava de costas em meio a pia, da mesma forma que eu. Não havia nada mais a ser dito: o silêncio era a melhor resposta. Abri a porta e saí para a entrada da hospedaria, sentei-me em um dos bancos e ali fiquei em silêncio, calado, com a companhia do meu cachimbo. Não me preocupei com mais nada, nem mesmo com quem era a figura que estava ouvindo nossa conversa. Logo ela iria se revelar, bastava ter paciência. Já havia entrado em um terreno onde não poderia ter acesso, a uma dor que não era minha e que eu agora estava inundado dela. Minha voz saiu audível como um sussurro naquele momento.


-...O governo mundial é LUZ OU ESCURIDÃO?

Oitava Aventura


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Angelique
 Posted: May 28 2017, 01:05 AM
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Sendo sensível para com a garota, Chikage sentiu-se reprimido, afinal, o que ele poderia fazer naquela situação? Queria afagá-la e dizer que estava tudo bem, apesar de não estar. O passado dela era algo muito mais pesado do que ele poderia imaginar, algo tão obscuro quanto a que Larissa tivera passado com Agorko, memória vívidas para o agente iniciado. Parecia que essas coisas o cercavam, talvez o mundo realmente fosse um local eclipsado por si mesmo, onde a luz não tivesse tanto espaço assim, momento breves de felicidade em constantes de dor, pedindo por vícios que amenizassem aquelas sensações que cobriam a todos, envolvendo desde o momento de acordar até durante seus sonhos, onde as coisas não necessariamente precisavam seguir uma ordem física, permitindo que muito mais ocorresse durante.

Transtornado, o príncipe logo saía do estabelecimento, deixando a garota que varria o chão com agressividade e que ao ter sido deixada sozinha, aquele local pareceu muito maior do que realmente era e ela se pôs a chorar, tendo a liberdade que precisava ao não se importar a olhares ou políticas de trabalho diante do consumidor.

Sentando-se enquanto se questionava o seu papel no mundo e mais do que isso, se os seus atos como um possível agente do Governo Mundial fosse realmente algo que traria felicidade para si. Ajudar os outros era uma dádiva, mas a que custo? Sua saúde mental era desgastada em cada encontro perturbado, seja com tanques de guerra gigante com um sádico que usaria a própria filha como moeda de troca, um amigo que se desiludia com a organização que sempre tivera tanto orgulho ou meramente com uma simplória garçonete em uma estalagem de uma ilha suja e dominada pelo submundo. Cada tragada em seu cachimbo era como um suspiro pesado e assim que a nicotina entrava em sua corrente sanguínea, ele relaxava parcialmente, apesar de ter a mente cheia, aquilo deixava-o disposto a aguentar mais, não quebrar tão facilmente.

Passou um pequeno período matutando quando três sombras tapam os raios solares que o acertavam, vindo do outro lado da rua, onde supostamente estariam se comportando como meros passantes. De terno, Vermilion e mais dois agentes estavam com as mãos nos bolsos e observando o rapaz silenciosamente próximo a ele, até que o conhecido puxava-o pela roupa, ajeitando então a mão no pescoço dele.


- Sr. Laskey ainda está esperando-o! É esse o seu compromisso com o Governo Mundial? É assim que irá lidar com tragédias? Acha que isso é a Marinha que você pode fazer o que quiser e quando quiser? Nós, agentes, tapamos os buracos desses cães cansados e perdidos! Nós somos aqueles que nos infiltramos e preparamos o terreno! A menos que esteja em missão, fumar e descansar em um banho de Sol não é sua prioridade! Retorne para o navio! - Suas palavras saíam duras e ele pouco se importava com o que o jovem estivesse sentindo ou passando naquele momento, pois apesar do que fosse, aquilo realmente não tinha peso algum para "o bem maior", que nada mais era que o Governo em si. Ele não tremeu e nem se babou em ira, apenas pareceu muito irritado de forma controlada e independente de estarem em público e acompanhado, o príncipe deveria reconhecer que era humano como qualquer outro e aceitar as críticas (por mais grosseiras que elas fossem). Deixava claro que não confiava na Marinha, que eram apenas aqueles que mantinham a paz que eles proporcionavam e nada mais que isso. Virou-se com seus colegas silenciosos e inexpressivos e disse por cima do ombro, de forma mais fraca e mórbida. - Não receberá um segundo aviso...

O ambiente não estava tumultuado, L'arcan era movimentada, mas aquele dia quente parecia preguiçosa em atuar como uma real cidade, o que não negou de que as pessoas que viram a cena, logo retornavam em seus caminhos, trocavam de calçada, ou apenas desistiam do que iam fazer, como se Vermilion tivesse criado uma bolha social ali apenas para humilhar (seria esse o verdadeiro termo?) o iniciado. Seus meios com certeza eram pesado, visto os exercícios absurdos que o de olhos rubros passou em conjunto de uma roupa que era equivalente ao treino. As costas negras do grupo que se distanciava em direção do porto era algo chamativo para si, pois pareciam se destacar diante todos, mas na verdade, por ali, ternos era algo bem comum e graças a isso, muitas pessoas abriam caminho e os tratavam com deveras respeito.

Os dias que Kei passou naquela estalagem foram ótimos. Comeu e bebeu fartamente sem se preocupar com custos, sentiu o que era ter uma família, mesmo que dissolvida por trabalho, distância ou mesmo linhagens, mas teve o "gostinho de casa" por ali. Tal dia de agora era um tanto turbulento de começo, mas ele ainda se lembrava que mais tarde algumas crianças viriam para ouvir suas aventuras do tempo que era um marinheiro. Mazu estaria pelo porto (possivelmente), lidando com seus peixes enquanto tentava empurrá-los para compradores desavisados de sua real qualidade, visto que o tempo que pode passar com o homem mostrou que apesar de um velho carente, era também um preguiçoso de primeira mão, mas muito astuto, tudo via, tudo ouvia.
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Tiger
 Posted: May 28 2017, 03:11 AM
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Lumière ou Obscurité

Sentado, imerso naquele lugar, era possível ouvir o choro e os soluços que vinham de onde Rose estava. A atitude de ter saído do ambiente e deixá-la sozinha havia de grande sabedoria. Sua dor a rasgava por dentro, e ali, sem nenhum cliente, ela poderia colocá-la para fora: chorar, espernear, gritar, não importa: era ela com ela mesma. A dor faz-nos crescer e aquele momento sentado junto a meu cachimbo, também tinha minhas dores, apenas minhas e ninguém tinha o direito de invadir minha alma e arrancar meus sentimentos que vinham através de um turbilhão de pensamentos. Tentava, com toda minha força, acalmá-los, podia ver Larissa, Agorko, Saizou e todas as cenas que me fizeram chegar até aquele lugar e era ali que eu gostaria de permanecer, naquele momento íntimo e pessoal. Mas não foi isso que aconteceu! Vinham em minha direção três sombras na qual eu temia que fossem os agentes, seus ternos elegantes anunciavam suas aproximações. Meus olhos detinham-se não em suas figuras, pois meu olhar estava dentro de mim mesmo, mas notava que as pessoas, de algum modo, olhavam para eles com respeito misturado com o medo. Via isso de outro ângulo, sabe? Era como se meu corpo estivesse ali sentado enquanto Vermilion segurava-me, de forma a puxar-me para perto de si, pelo pescoço. Via o meu corpo imóvel como se fosse um boneco qualquer, sem força e vitalidade, sem vontade alguma e sequer entendia o que ele dizia. Para ser sincero, não me interessava sobre o que eles falavam, não tinha interesse em nada que viesse deles. Meu único desejo era estar em meu mundo interno, porém, de alguma forma, consegui escutar suas palavras enquanto sacudia-me pelo pescoço, dizia algo referente a marinha, um tipo de insulto que fez vir em minha tela mental como um raio, um trovão, a imagem de Bastion e Larissa e meu instinto despertou como se um trovão ressurgisse em meio do nada.

Meus olhos vermelhos tornaram-se frios como um anúncio de uma tempestade. Minhas mãos buscaram por minhas duas espadas e vi, em minha mente, a Aoi arrancando com um único movimento a mão que segurava o meu corpo e sua irmã com a mão direita cortando o pescoço dos outros dois agentes que estavam ao seu lado, mas quando percebi lembrei-me que eu já não as possuía, o que me inundou de uma tristeza tremenda, pois eram as lembranças que eu tinha de meus amigos.E Laskey havia as quebrado durante o treinamento no barco. Minhas amadas, minhas belas espadas...

Entretanto, quando vi, eles já estavam saindo de passos confiantes e eu estava ali novamente sozinho.

Meu impulso, nesse primeiro momento, foi me erguer e passar as minhas mãos em volta do meu pescoço e ver se eu tinha algum machucado, mas não eram nada comparados aos piratas de Agorko acostumados com os mares mais turbulentos desse mundo, esses agentes Vermilion e os outros não passam de piadas que não valiam a pena perder meu tempo com eles. Os olhos das pessoas fitavam a mim na entrada da hospedaria, de alguma forma, toda a cena foi vista por algumas pessoas e isso não seria bom para os negócios de Rose. Talvez ela tivesse escutado, mas preferi marchar rapidamente em direção ao porto e encontrar o agente Laskey, já que eu estava sendo convocado para retornar ao barco. O que eles queriam? Só de pensar em colocar meus olhos novamente nesses agentes dava-me um embrulho e certa irritação. Meu andar apressado, com as mãos nos bolsos e cara amarrada, anunciava meu humor. Podia perceber que aquele porto, no qual começava a me aproximar, era uma espécie de mercado em campo aberto. Várias mercadorias chegavam e saíam. Negócios eram feitos em voz alta. De um lado vendiam e do outro compravam.

Algumas mulheres com pequenas cestas negociavam com os mercadores alimentos e utensílios, como se todos se conhecessem há muito tempo. Em meio à multidão, alguém chamou minha atenção. Sua figura sentada de forma preguiçosa e desajeitada em meio a uma cadeira com várias caixas a sua volta, tentava, de alguma maneira, fazer os seus negócios. Era o amigo de Rose: Mazu. Que tantas vezes pedia.oara eu contar as histórias da época da marinha, uma pessoa gentil, que eu aprenderá gostar.

A sua frente, uma bacia com vários peixes aguardava seus compradores, mas seu vendedor não parecia ter muitas habilidades de venda. Seu rosto carrancudo e tedioso revelava que não estava no ramo certo. Algumas mulheres até paravam para olhar o peixe, mas quando voltavam seus olhos para Mazu, afastavam-se, um tanto assustadas. Permaneci, por alguns instantes, escorado em algumas das caixas com os braços cruzados olhando a cena. Como eu possuía uma percepção muito aguçada não era difícil notar que velho lobo, possuía uma presença que se destacava naquele porto. Não era um simples vendedor, pois estava acostumado a negociar com pessoas daquele ramo. Para ele estar ali deveria ser angustiante, mas, de alguma forma, seus olhos pareciam correr por todo porto, como se tivesse prestando atenção em tudo o que acontecia menos no seu ofício de vendedor.

Foi quando decidi caminhar até ele a passos lentos e cuidadosos, misturei-me entre a multidão e parei a frente do mesmo, minha voz soou gentil, mas um tanto mais direta do que o habitual. Ainda estava registrada em minha mente a forma grosseira que o pai de Rose me tratou. Mas mesmo assim, precisava fazer algo por Mazu, que me defendeu naquele momento.
- Mazu-San! Rose pediu que eu lhe fizesse um favor. Que eu o ajudasse a vender esses peixes o mais rápido possível. Como deve saber, é difícil dizer não para ela... Hehe...Digamos que caso eu consiga me deve um favor....Combinado? Hehehe... Abri as mãos, como se estivesse em um grande palco, onde eu era o artista principal e a platéia estava ali. Minha desenvoltura era espontânea e expansiva. - Venham, venham! Aproximem-se! Possuo aqui uma surpreendente raridade. Vou vender para as primeiras cinquenta pessoas o melhor peixe de L'arcan.

As pessoas começavam a olhar de forma curiosa, como se perguntassem: quem era aquele homem ao lado do preguiçoso Mazu? Naquele cenário minha beleza e elegância era como se fossem uma preciosidade em meio ao lamaçal e, de alguma forma, atrairia as pessoas até mim. E foi exatamente isso que aconteceu. Mulheres, crianças e homens aglomeravam-se para comprar os peixes. Talvez fosse pela forma como eu falava, isso era o que menos importava, minha única intenção era vender e em questão de cativar as pessoas eu era o melhor. Disso eu tinha certeza. Nesses minutos, consegui perceber que os agentes surgiram tentando passar pela multidão, mas eram detidos com as aglomerações em torno do local, curiosos, apareciam querendo ver quem era a pessoa que atraia tanta atenção, uma parede humana fazia frente, tapando as visões dos mesmos, que ao esforço, quando venceram a multidão, nada viam, nenhum sinal de quem fosse, apenas a sensação de falharem, e eu partindo com tamanha habilidade, com todo o dinheiro deixado para o Mazu, que contava com amigos que vinham para ajudar na venda, e os agentes, perdiam um fantasma, pobres tolos.

Não se demorou para chegar no barco que o agente superior aguardava numa sala reservada dentro do barco, batia na porta e entrei com um semblante sério e destemido. Estava ali para retomar meu treinamento, e precisava de alguma forma focar nisso. Mentalmente contava os minutos para a chegada do trio de patetas que ainda deveriam estar me procurando.


-...Senhor, Agente Kei apresentando-se!

Oitava Aventura


QUOTE


Lábia (1 PE): Você mente e as pessoas acreditam. Capaz de convencer os demais de que o céu é de outra cor, apenas contando uma história. Mas tome cuidado com o bom-senso, nem todas as pessoas são idiotas!
Benefício: Interpretativo.

Furtividade (1PE): Capacidade de caminhar sem ser percebido, seja sob a luz ou nas sombras (que obviamente é um trabalho mais fácil), podendo se aproximar de alvos com mais facilidade. Combinável com "Invisibilidade".
Benefício: Interpretativo; Concede um bônus +2 em testes de Furtividade.


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This post has been edited by Phoenix: May 28 2017, 04:17 AM
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Angelique
 Posted: May 29 2017, 12:21 AM
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Os olhos ligeiros de Mazu logo deliciaram-se com a figura esbelta do amigável agente que se aproximava, que por mais discreto que ele tentasse ser, ainda era impossível fugir do olhar fugaz do velho preguiçoso. Ergueu-se de sua cadeira e deu as boas vindas ao rapaz, que logo anunciava ajudá-lo em suas vendas, o que fez ele sentar-se, recostando bem as costas e erguendo as pernas, apoiando-as em um balde sujo de restos (que pela venda lenta, ainda estava um tanto limpo para os padrões normais).

- Heh, tire a sorte, rapaz. Ter um garoto como você irá atrair bastante atenção, agradeço o que fará e também a nossa querida Rose. Mais tarde, me acompanha em um drink? - Dizia ajeitando os braços atrás da cabeça para servir de travesseiro enquanto deixava tudo nas mãos de Kei, da qual não desapontou. No momento em que começara a falar como um verdadeiro picadeiro, as atenções foram chamadas para si, seja por pessoas normais, marujos que passavam para um lado e para o outro, a concorrência de mercadores (espertos o suficiente para ver a estratégia do velhote) e de marginais que ficavam meio afastados da multidão, apenas mantendo o olho vivo nas vendas e trocas, assim como a passagem da população para lá e cá, chegando a acender um cigarro e observando o rapaz que usava de palavras chamativas como se aquele produto fosse realmente recente e de boa qualidade. Muitas pessoas chegaram e deram uma olhada, mas o cheiro mascarado pelo ambiente insalubre ajudava um pouco, o problema mesmo estava em convencer os clientes a não abrir os peixes e ver que a carne branca estava na verdade um tanto esverdeada ou preta, alguns lados ainda comestíveis, porém, uma porção ia fora e se um casal comprasse, certamente um deles passaria fome.

Algumas vendas foram feitas (quase o dobro de um dia bom) enquanto o tempo corria, seu ponto alto fora do grupo de marginais em ternos que em brincadeiras, desembolsaram facilmente uma quantia absurda de dinheiro, contando-os na frente dos gananciosos olhos de Mazu e entregando sem nem ao menos averiguar se o preço estava certo, crentes que o que tinham jogado no gelo era o suficiente para pagar e de fato, o velho se levantou e o colocou no bolso, mas logo sentindo o frio dos papéis úmidos e então, retirando-os, com cuidado começou a ver seu valor e surpreendido, agarrou as costas de Kei em um envolvente abraço, colocando uma quantia em seu bolso de uma maneira que seria furtiva se ele não tivesse errado algumas vezes o local onde iria depositar os Berries.

Desrespeitosamente, eles pegaram o peixe e quebraram seu pescoço, deram uma fungada e puxavam sua espinha de qualquer jeito, destruindo a estrutura corpórea do animal abatido e averiguando a imagem já velha da carne. O cheiro também fora como se tivessem matado um boi ali no meio da multidão e eles jogaram o animal no mar, rindo maliciosamente enquanto viravam o rosto para Mazu e apontando dois dedos para ele (indicador e do meio enquanto os outros se fechavam, sinal de arma), mas esse, nada viu ou prestou atenção pois toda ela estava designada somente para a quantia em sua posse.

Logo após isso, o iniciado rumou às pressas para o navio em que deveria se encontrar com Laskey sem dar satisfações para o velho, que também não o impediu ou questionou, visto a ajuda que lhe fora feita, porém um sentimento horrível lhe vinha no momento em que ficara só e agora tinha de ir trabalhar, pescar mais peixes para vender e só o pensamento era o suficiente para fazê-lo fechar a sua banca e ir para a estalagem comemorar e dar o dia como feito.

Subiu a rampa e nenhum agente o recebeu, o que era um oposto do que estava acostumado nos dias que passou em repouso. Caminhou pelo interior do navio até chegar na sala de Laskey e já era comum que todas as pessoas dali, a menos que tivessem algo para se falar uns para os outros, permaneciam quietos em seus mundos, caminhando para completar em seus afazeres como robôs programados em apenas trabalhar e não se distrair com trivialidades como conversas curtas de "oi" ou "tudo bem?". Bateu na porta de seu superior e recebeu a ordem de entrada e assim que o fizera, notou a velha sala organizada com algumas sujeiras. O chão tinha algumas folhas amassadas e o lampião que ficava sobre a mesa do homem estava aceso, mostrando sinais de uso contínuo pelas marcas de queimado no vidro. Laskey estava de óculos escuros (mesmo dentro da sala) e sua janela, como era de costume, fechada, sem entrada de ar e consequentemente, o ambiente era quente e ele tinha a testa seca, porém os cabelos meio molhados de suor.


- Agente Kei... Você recebeu uma missão. Há um homem chamado Barcre, espadachim renomado. Ele veio se encontrar com um amigo e precisa de proteção. Missão fácil e por isso, você estará sozinho nisso. Ele está por aqui. - Entregava para ele um mapa da cidade e marcava com uma caneta azul o local onde o tal desprotegido estava e era um hotel, que apenas pela planta, já era possível ver que era maior que a que ele estava hospedado. Puxava então uma foto dele e entregava para o agente, havendo na parte de trás o nome dele "Barcre Picollo Luna" e uma assinatura. Laskey não iria dar mais informações para ele (além da pouca e da forma direta com a qual falara) e se levantava, andando um pouco pela sala e olhando em uma estante de livros e pegando um logo em seguida, folheando-o como se soubesse onde estava o que procurava e deixando um dedo para marcar a página, fez um sinal para que o rapaz saísse.

- Espere. - Antes que o rapaz saísse (ou sequer abrir a porta), o homem abria uma gaveta em sua mesa e puxava uma embrulho que era difícil dizer o que estava por baixo dos panos visto a quantidade de formas não lineares. O tecido era cinza e preso em uma presilha de metal que tinha de ser apertada para abrir. Levantou-se e andou até o rapaz de maneira vagarosa, como que querendo atiçar a curiosidade dele, entregou o "presente". - Desenrole-o. - Dizia secamente para o rapaz e que após a ordem dada, descobrira que aquilo não passava de uma máscara de Oni, fabricada de maneira que o material não era pesado, mas parecia bem resistente a impactos. Se a provasse, sentiria facilidade em respirar e em como haviam uma espécie de esponja interna que facilmente se encaixava no rosto dele e novamente, se recebesse qualquer batida, não haveria machucados em seu rosto, como uma espécie de capacete, além disso, na parte superior havia algo preso, que assim como um papel filme, era possível retirar uma capa que lhe cobria a parte de trás da cabeça como uma touca. - Isso será o seu "rosto" em missões em conjunto ou apenas queira passar despercebido. Seu terno pode entregá-lo que é um agente, visto que poucas pessoas usam tal vestimenta. Esse será você. Crie um nome e seja ele. Nessa missão talvez não seja necessário, mas carregue com você. O nosso lema é que "Os fins justificam os meios"... Use de tudo ao seu dispor para completar a missão, pois por menor que seja... O mundo depende disso. Dispensado... - Sua voz era como de desgosto ao mandá-lo embora.


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Tiger
 Posted: May 31 2017, 02:56 AM
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Lumière ou Obscurité

Fui tomado por um grande espanto ao receber de Laskey a informação de que eu começaria minha primeira missão como agente do governo. Ainda estava me acostumando com as praxes que percebia em quase todos os agentes com suas fisionomias forçadas e quase fantasmagóricas.

Movimentos contidos, sorrisos inexistentes, olhares vazios....

Soava de certa forma engraçado, porque era como se tivessem programado cada um deles a não revelarem seus pensamentos e emoções, como se estivessem em uma casca, proibida de qualquer sinal que não fosse o que eles haviam permitido. Eu não seria assim, eu não consigo ser assim. Isso era uma convicção que não tinha como mudar em mim, fazia parte de mim. Procurei, naquele momento em que recebia as orientações para a missão, manter uma expressão sóbria e serena, sem expor qualquer reação que algum sentimento de empolgação pudesse envolver-me. Olhava no mapa, assinalado com uma caneta azul, o local no qual eu deveria me encontrar com o renomado espadachim Barcre, onde o mesmo teria um encontro com um amigo que receberia a proteção do governo, sua foto revelava traços característicos e não seria difícil achar tal homem, suas feições eram delicadas e chamariam atenção onde fosse.

Meus olhos vermelhos fitaram o local assinalado e, ao mesmo tempo, mantinha minha mente acesa reconhecendo que não teria mais informações. A linguagem corporal e visual de Laskey revelava que não haveria mais subsídios além desses, a única ordem que recebia era a de proteger o espadachim, não importa o que acontecesse.

Faz e pronto...Algo assim...

No entanto, minha surpresa não acabava por aí. Recebia um embrulho do próprio comandante que continha uma espécie de máscara e eu deveria usá-la para proteger minha identidade como agente. Era uma espécie de Oni, um demônio da cultura oriental e até certo ponto muito bem delineada com seus detalhes avermelhados e chifres. Esbocei uma risada tímida no canto da boca, agradecendo com um gesto de cabeça e guardando esse disfarce para o momento apropriado. Fechava a porta dando a entender a sensação de que eu faria o possível para completar a missão com o máximo de minhas qualidades, saindo do barco confiante e sabendo que eu não poderia falhar.

O mapa me direcionava para o ponto marcado de um enorme prédio localizado bem ao centro da ilha, era uma arquitetura com traços de povos antigos e cultos, muito bem construídos, com vários pilares que sustentavam sua armação, quase como se eu estivesse olhando para a época antiga, na cor branca puxando para o gelo, com uma enorme placa que revelava ser um ‘’Plazza Hotel de L’arcan’’.

As pessoas circulavam livremente em volta do hotel, como se admirassem quem entrava no local, que parecia receber visitas importantes, que chamavam atenção do grande público. Uma enorme faixa amarela, circulava em volta do local, como se tivesse um limite para aproximação.

Para que eu entrasse nesse local era preciso ser cuidadoso, cauteloso e discreto. E como ser algo que você não é? Pois bem, não sou nem um pouco discreto. Minha roupa poderia, até certo ponto, dar indícios de quem eu era como o comandante havia alertado, mas não dispunha de tempo para trocar as vestes que eu havia escolhido, mas para minha sorte quase todos que entravam nesse hotel eram pessoas que estavam muito bem vestidas, era um local frequentado pela parte com maiores bens materiais e culturais da ilha. Então, talvez eu tivesse a sorte de não ser notado como um agente e a única coisa a ser feita era analisar a imagem daquele homem de cabelos brancos e ondulados e tentar acha-lo em meio àquelas pessoas. Minha aparência, por mais bela que pudesse ser se misturaria com vários rostos de homens e mulheres que procuravam o hotel para naquele dia. Entrando ao local, alguns grupos de segurança se dividiam logo na entrada. Carruagens desciam na medida em que cavalheiros e damas se posicionavam para entrar numa ala mais localizada na entrada do hotel. Esses grupos averiguavam as pessoas que entravam e para que eu pudesse entender melhor o que acontecia entrei pelo salão principal, misturando-se pelo primeiro pelotão que passava pela faixa amarela, a fim de observar melhor o que acontecia nesse lugar e entrar para tentar identificar onde estava o espadachim. Quem sabe ele apareceria pelo salão hotel? Sentei-me próximo de uma bancada e permaneci ali próximo de um pilar, que me protegia de qualquer problema. E fiquei esperando o famoso espadachim e seu amigo.


Oitava Aventura


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This post has been edited by Phoenix: May 31 2017, 04:44 AM
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