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 Mini-Evento Dia das Bruxas
Yusuke Urameshi
 Posted: Oct 2 2017, 08:38 AM
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Yusuke Urameshi




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Yusuke Urameshi is Online

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Dia das Bruxas




Introdução

Outubro é um mês quase inteiramente ordinário em nosso querido país, mas se formos ao norte, veremos que há uma longa tradição de celebrar o Halloween (ou, como chamamos por aqui, Dia das Bruxas). Um feriado envolto no espanto e no sobrenatural, que as vezes é até comparado ao Natal em algumas partes do mundo. Apesar de nós não comemorarmos no nosso país por diversas razões, podemos comemorar aqui no fórum!


O Enredo

"Nightmare Island". Este foi o nome que colocaram em uma ilha não-natural que surgiu no mundo. Inexistente em qualquer carta de navegação, ela atraiu muita atenção pela sua colocação quase impossível no mundo, eternamente em um crepúsculo, construída com pedras brancas como mármore, pés de aboboras e um mar carmesim em volta de sua costa. Mas poucos foram confrontados com a verdade, até que os rumores começaram a se espalhar...

Uma garota, usuária de uma poderosa Akuma no Mi que controla sonhos, fez o que nenhum ser todo-poderoso deveria fazer: Dar uma abertura. Incapaz de controlar o poder da fruta inteiramente, ela involuntariamente cedeu aos poderes, deixando o mundo dos sonhos vazar ao mundo real de maneira incontrolável.

Marinheiros e Agentes foram enviados para lá para investigar o lugar para uma possível Buster Call. Piratas e mercenários foram atraídos por ditos tesouros trazidos dos sonhos para o mundo real, ou apenas aventura. Revolucionários atraídos por possíveis armas novas contra o governo. As razões eram diversas, mas ninguém esperava encontrar o que havia lá...

Pesadelos, ou Bicho-Papões, são criaturas que existem apenas em sonhos, são eles que trazem os medos em forma de visões enquanto um dorme. Mas, quando a garota trouxe Nightmare Island para os mares, ela trouxe também diversas dessas criaturas, capazes de alucinações e alterarem a percepção quase completa de um desafortunado que seja o alvo delas.



O Evento

Este evento ocorrerá em duas partes: A primeira, acontecerá entre os dias 02/10 e 15/10 às 19:00 — durante este período, todos os jogadores que tiverem interesse devem escrever uma FIC neste tópico.

Após o término da primeira parte, a segunda parte do evento irá constituir de uma votação para a definição das melhores FICs apresentadas, tendo uma semana para esses votos. Cada jogador que submeteu uma FIC na primeira etapa terá direito em votar nas DUAS melhores FICs do evento, mas não votar em si mesmo.

1. A FIC deverá deixar claro como esse medo nasceu.

2. A FIC deverá demonstrar como o personagem foi capaz de vencer esse medo.

3. A FIC deverá dar um motivo do personagem ir até Nightmare Island.

4. O personagem não deve receber ajuda externa direta ao tentar vencer esse medo.

Após o desfecho, todos os personagens podem considerar que precisam escapar da ilha, pois sem os Pesadelos, tudo ali começa a retornar ao mundo dos sonhos.


A STAFF BNW repudia qualquer tipo de anti-jogo. De forma que qualquer abuso feito, mesmo que sobre algo não descrito oficialmente aqui, que vá contra a diversão de todos no fórum, ou que vise benefício de maneira imoral, resultará em punição para o player e desclassificação do mesmo no evento.


Premiação

* Todos que participarem criando a FIC com os itens descritos E votando posteriormente irão receber 1 GEMA;

* Para cada voto que receber, o jogador irá ganhar 1 GEMA adicional;

* O segundo lugar no rank irá receber 10 Dream Battle Points adicionais;

* O primeiro lugar no rank irá receber 15 Dream Battle Points + 1 Item Especial.


Nome do Item: Nightmare Piece

Descrição: Uma esfera negra, do tamanho de uma pérola e com uma eterna aura assustadora em volta de si. Uma parte de um Bicho-Papão que se prendeu quando o mesmo retornou ao mundo dos sonhos. Uma coisa que não deveria existir no mundo real, capaz de trazer visões dos medos mais obscuros daqueles que o encararem por tempo demais. Pode ser usado uma vez por aventura, ou uma vez por batalha no Dream Arena.

Classe: Lendário

Efeito: Permite uma técnica de acerto também ter o efeito Medo.

Custo: Sem preço



STAFF BNW 2017

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ShadTK
 Posted: Oct 13 2017, 06:35 AM
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ShadTK




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ShadTK is Offline

Desenvolvedor




Eon Paganini





Um dia, você irá morrer.

Isso é um fato conhecido por todos os seres vivos que possuem capacidade cognitiva suficiente para reconhecer o conceito de vida e morte. Tudo que começa, termina; tudo que se move, um dia para; e tudo que nasce, morre.

Todos tem de lidar com esse fato, e cada um o faz de maneira diferente. Alguns se recusam a acreditar que este dia chegará, e fazem o possível para adia-lo, às vezes se convencendo de que eles serão capazes de obter imortalidade.
Outros preferem acreditar que a morte não é o fim, e que uma nova vida os aguarda.
Outros ainda não prestam atenção na afirmação, bocejam, e se perguntam o que vão comer na janta.

Eon em particular não teme a morte. Quando a maior determinação da sua vida é zombar da gravidade, você tende a confrontar a fragilidade da vida bem cedo. Tão cedo como, digamos, as 2 ou 3 primeiras internações hospitalares por saltos de alturas indescritivelmente altas.
Num geral, Eon simplesmente não se importa. Ele via a morte como um jogo - use bem seus recursos, e viva mais um dia. Falhe, e o jogo termina. Se não houver nada depois da morte, também não haveria arrependimentos, dor ou sofrimento, então não há o que temer. E, se houver tal coisa como um pós-vida, ele estava convencido de que seria algo tão bizarro e complexo que, não importa o quanto pensasse, ele só seria capaz de compreender quando ele estiver lá, então não faz sentido se contorcer com isso em vida. "Viva fiel a suas virtudes, sem arrependimentos, e reze para que Deus não seja babaca", é a linha geral de raciocinio.

Se, hipotéticamente, Eon fosse agarrado por uma ave gigante de 2 metros cujo asas e cabeça são compostas exclusivamente de tentaculos, a reação dele seria mais próxima de fascinação por uma criatura dessa sequer ser capaz de levantar vôo do quê mêdo de que um dos tentáculos fosse capaz de perfura-lo ou fazer coisas desconfortáveis e letais.

- ATIRA NESSE MONSTRO LOGO ANTES QUE VOCÊ SUBA ALTO DEMAIS! - gritou varuna a distância, atrás dele toda a twilight corps perseguindo o garoto e da "ave".

- MAS OLHA PRA ESSE TRECO, É TÃO INSULTANTE QUANTO É GÊNIAL! EU NÃO VOU TER OUTRA CHANCE VER ESSAS ASAS TÃO DE PERTO!

E era exatamente isso que estava acontecendo.

Nightmare Island - Uma ilha impossível criada por uma garota impossível. Um lugar onde sonhos e realidade se fundem, ilusões se tornando reais, e pesadelos se tornando mortais.

Eon, junto com o resto da Twilight corporations, ouviram falar da nova ilha e foram investigar. Promessas de tesouros e de recompensas levaram o grupo até o local, entre outras coisas.
Para o garoto em especifico, ele tinha convicção de que bestas sobrenaturais habitariam aquela ilha, bestas que muito provavelmente são capazes de levantar voô das formas mais não-ortodoxas conhecidas pelo homem. Uma oportunidade única de estudo e avanços na área da aerodinâmica.

E ele não estava errado. Em menos de 10 minutos, ele havia encontrado uma destas bestas.

- SQUAQ

E estava atualmente sendo carregado por ela em pleno ar.

- SQUAAAAAQ - Gritou, de alguma forma, a amálgama de tentaculos em forma de passaro

- Fascinante! O quê mais você consegue fazer?

Algumas perguntas nunca deveriam ser feitas. Perguntas levam a respostas, e respostas levam a um tentaculo gigante se abrindo ao meio e revelando dentes prontos para dilacerar carne e ossos.

-OK, Isso também é fascinante, mas, eww. Felizmente, tenho algo pra essas situações!

Com seu braço livre, Eon tira de seu cinto de utilidades uma granada em forma de cubo-magico, e ativa o timer. O tentáculo-mestre ruge, e avança contra sua presa.

Eon joga a granada dentro do tentaculo, que engole sem cerimonia. E então a "cabeça" do monstro explode.

Pode ser dito que havia um lado bom e um lado ruim na situação. O lado bom era que agora Eon não seria dilacerado por um tentaculo-boca gigante.

O lado ruim é que dito tentaculo-boca gigante comandava o resto do corpo da criatura, que agora estava em queda livre.

Nada realmente novo na vida de Eon.

- Preparar para o impacto!

O corpo da ave perde altitude, mas o momentun os carrega para frente, e eles se chocam contra uma montanha. Foi um impacto consideravelmente forte, do qual o corpo da besta absorveu a maior parte.

Assim que caiu ao chão, Eon se desgrudou dos tentaculos que o prendiam, seu corpo um pouco ferido mas num geral bem.

Teria sido o fim, se o impacto com a montanha não tivesse causado uma deslizamento de pedras no local.

Eon mal teve tempo de reagir quando o entulho começou a cair, e instintivamente mergulhou na direção uma pequena caverna, decisão da qual ele viria a se arrepender depois.

As pedras cairam por algo que pareceram horas, sem dar trégua. Pedra após pedra, a entrada da caverna foi preenchida até quase não sobrar luz.

Tudo que começa tem que ter um fim, e eventualmente o deslizamento acaba. A poeira se assenta, e o silêncio toma conta.

Eon se levanta, tossindo terra e poeira. Ele puxa sua lanterna de seu cinto de utilidades e olha ao redor. A sua frente, paredes cinzas por todos os lados. Atrás, uma tonelada de rochas bloqueando a saída.

- Oh não.

Pânico toma conta do coração do rapaz. Ele corre até a saida, e tenta empurrar as pedras, sem sucesso. Ele tenta puxar o entulho, procurando por pedras soltas, mas não parecia ter progresso.

Ele olha para trás novamente. Chamar aquele local de "Caverna" é um insulto as grutas do mundo. O local mal tem 3 passos de comprimento e largura, e o teto é tão baixo que Eon consegue toca-lo. Era como um quarto de apartamento de um universitário - Sujo, fedido, desorganizado, e grande o bastante para comportar apenas uma pessoa que a anos havia perdido esperança de ter um futuro.

E não havia nenhuma saida aparente.

- Ayayayayaya!

- Eon! Você está bem? - Do outro lado da parede de rochas, o garoto pode reconhecer Varuna e seus companheiros chegando

- Estou! Quer dizer, não! - sua voz traz uma grande carga de Aflição - Vocês tem que me tirar daqui, agora! Eu sou homofóbico!

Um certo silêncio se seguiu após a constatação. Do outro lado, a equipe de caçadores se entreolhou, incertos de como responder.

- Merda - Foi a escolha de Corvo, também conhecido como “o ladrão”.

- Eu tomo ofensa nessa revelação - disse Moonshine, a médica do time.

- Homofóbico? Eon, você não percebe que o ódio só corrompe o coração dos homens, distorce a pureza da alma, por quê rejeita um irmão apenas por--" Varuna, o grande tritão, tentou começar um sermão

- Deixa isso pra depois, o que eu quero saber é, o quê isso tem a ver com a situação? Está preso com um monstro gay? - Apenas para ser interronpido por Shaw, o literal gato de botas, que foi direto ao ponto

- Monstro gay? O quê isso tem a ver? - Confuso pela pergunta do companheiro, Eon tenta clarificar - Não, o bixo aqui está morto, provavelmente em baixo desse monte de pedra. O problema aqui é que eu não suporto lugares fechados!

- Ah, então você quis dizer que é claustrofóbico.

- Sim, foi o que eu disse! Hidrofóbico!

Varuna levou a mão até a testa, gesto que Eon não viu mas certamente previu pelo que conhecia do companheiro - Não, Eon. Hidrofóbico é quem tem medo de água. Homofóbico é quem tem medo ou preconceito de homossexuais. Claustrofóbico é quem tem medo de ficar preso em lugares pequenos.

- Soa tudo parecido!- ele dá de ombros – de qualquer forma, discutir semantica NÃO VAI ME TIRAR DAQUI

- SKREEEEEEEEEEEEEEEEEE

O ensurdecedor grito chamou a atenção do grupo que estava do lado de fora, e eles se viraram para notar uma surpresa gigante e desagradável.

- Ok, quem de vocês é aracnofóbico?

- Eu já disse que eu sou!

- PREFIXO, EON! FOCA NO PREFIXO!

- SKREEEEEEEEEE!

Eon notou um buraco dentre o monte de rochas a sua frente, tão grande como seu dedo indicador. Era o bastante para que ele pudesse ver a situação de seus companheiros: Um grupo de aranhas de pelo menos 6 metros de altura encarava os mercenários com raiva, provavelmente por terem atravessado seu território.

Ou por quê, quando você é uma aranha de 6 metros de altura, pegar presas de surpresa é um negócio complicado, e isso deixa qualquer aranha de mau humor.

- Puta que pariu

- Não dá pra tira as pedras com esses bicho batendo na gente.

- Mas nois num pode dexa o moleque pra traz também! Tem que ter-credodeuspai ABAXA QUE ESSE BIXO ATIRA TEIA

- Eon! Mantenha-se calmo, voltaremos para te ajudar assim que tivermos a oportunidade!

- O quê?! NÃO!! DEIXA ESSES BIXO PRA LÁ, ME TIRA DAQUI ANTES, EU AJUDO A BATER NELES, TACA UMA DAS MINHAS BOMBAS AQUI, EXPLODE ESSAS PEDRAS, NÃO VÃO EMBORA NÃO!

Mas já era tarde. As aranhas avançaram, e os membros da Twilight Corporations estavam ocupados demais tentando não morrer para ouvir as súplicas do rapaz.

Pouco a pouco, os sons da luta se distanciaram, até não sobrar nada além de silêncio.

Eon não tinha medo da morte. Ele via a morte como um jogo - use bem seus recursos, e viva mais um dia. Falhe, e o jogo termina.

Isso não quer dizer que Eon era destemido. Uma caracteristica importante de um jogo é que ele te permite tomar decisões que possuem consequências imediatas. Se vocês está lutando contra um monstro, pode escolher fugir ou atacar com suas armas. Se está doente, pode tentar se curar por meio de ervas e tratamentos.

Ficar preso em uma sala fechada sem escapatória, entretanto, não te garante muitas opções. Não há inimigo para lutar. Não há doença para curar. Não há nada para fazer além de esperar a energia de seu corpo se esvair e sua consciencia sumir.

A certeza de uma morte lenta e desagradavel. A sensação de vulnerabilidade, de fraqueza, de fragilidade. A noção de ter perdido o jogo sem ele ter terminado.

Para Eon, era um destino pior do que a morte.

E ele estava apavorado.

- QUE DESGRAÇA!

Ele tentou forçar o buraco a se abrir, arranhando com o dedo, mas não conseguia. Socou a pedra, o quê foi uma péssima idéia considerando que era PEDRA, e que a mão dele era CARNE.

Ele recuou, segurando a mão direita em uma tentativa de abafar a dor.

- 'Fique com as bombas, ladrão'. 'Você lança elas melhor do que eu'. 'Consigo me virar só com uma granada, vai ser de boa'. Idiota. IDIOTA.

Enconstando na parede, ele tentou se acalmar. Respirou uma, duas, três vezes.

- Vai ficar tudo bem. Eles disseram que vão voltar. Tenho certeza que vão voltar. Eu só preciso esperar e vai dar tudo certo.

E esperar foi o que ele fez. Não havia o que fazer - Ele não tinha explosivos, e não era forte o suficiente para tirar as pedras do lugar. Seus companheiros prometeram tira-lo dali, e ele confiava neles.

Ele deixou sua lanterna apoiada no chão, e olhou ao redor. Uma, duas, trez, paredes. Então explorou o resto do local. O teto parecia mais baixo no fundo da caverna - raspando direto na cabeça dele. Algumas partes da frente do buraco também. Ou era buraco todo? Ele podia jurar que era mais alto quando ele entrou.

Ele podia jurar que era tudo mais largo a um minuto atrás.

- EU TENHO QUE SAIR AGORA

De seu cinto de utilidades, ele pegou qualquer objeto que pudesse ajudar – Alcançou seu cantil de metal e golpeou o pequeno buraco repetidas vezes. O cantil foi destruido, o licor dentro do frasco escorrendo pelas mãos de Eon, mas o buraco não aumentou.

Ele pegou uma algema aberta raspou o buraco, tentando limar a entrada. Teve certo sucesso, aumentando o buraco em 1 centimetro, até que a algema cedeu e se quebrou. E as pedras continuaram lá.

Pegou um frasco com antidoto e arremessou no entulho. O frasco despedaçou - a rocha não se moveu.

Eventualmente, arrancou o cinto e golpeou a parede da caverna até se cansar.

Mas a rocha não cedeu.

Ele caiu no chão, ofegante. Arremessou o cinto longe, e olhou para a lanterna no chão, a unica fonte de luz da sala.

Uma idéia surgiu a mente.

- Talvez...

Era um plano estupido. Mas situações desesperadoras exigem planos desesperadores.

Do descartado cinto de utilidades, ele pegou sua bateria reserva, e do centro da caverna, ele pegou a lanterna.

Desligou o aparato e abriu-o , removendo a bateria interna e alguns dos cabos. Fez isso usando a pouca iluminação provida pelo buraco, suas mãos tremendo de antecipação e ansiedade.

Finalmente, ligou os cabos entre as baterias e o que restou da lanterna. Ele encaixou as baterias no buraco, e preparou-se para apertar o botão da lanterna.

- E aqui vai nada! - Apertou o botão da lanterna.

As baterias se aqueceram e explodiram, um raio de efeito de no máximo uns 15 centimetros. Pedras voaram pela sala, algumas acertando o rosto de Eon, que caiu ao chão.

Ele olhou para a parede, e viu que o buraco agora era grande o suficiente para passar sua mão.

- ISSO!

E então um monte de outras pedras cairam sobre o buraco, que foi selado por completo.

- A QUAL É!?

Ele se levantou em fúria, e novamente socou a parede. Não havia mais luz, não tinha mais buraco, não existia mais esperança. Ele não se importava mais com a dor, só precisava de uma abertura, de um golpe de sorte, um local fragil...

Mas as pedras não se moveram.

Eon parou de socar e se apoiou nas rochas, cansado. Sua garganta se fechou, e seus olhos lacrimejavam. Ele queria chorar.

- Um garoto está sozinho no escuro. Que situação trágica, não?

- Tragica, de fato. Um garoto sozinho e preso. O que faz na escuridão?

Eon removeu as mãos da parede, surpreso pelas vozes. Rodeou a caverna, tateando na escuridão.

2 Passos até colidir com ao fundo. Cada vez mais apertado

- Quão rude. Não vai responder?

- Não posso responder. Só pessoas loucas falam com vozes etéreas. Eu não sou louco. Logo, não posso falar com vocês.

As vozes riram a risada de mil espantalhos endemoniados. Uma cacofonia de zombos e zumbidos, da qual um reles mortal não seria capaz de compreender, muito menos reproduzir.

- Ele se acha esperto, fazendo piadas em meio a escuridão.

- Ele se acha engraçado, ignorando a severidade da situação.

Das sombras, dois pares de olhos surgiram.

Dizem que a escuridão é apenas a ausência de luz, mas aqueles olhos desafiavam esta definição. Não era ausência de luz que definia sua forma, mas era a presença de algo tão oposto a luz que parecia suga-la. Era uma anti-luz incandescente, que deixava a escuridão da caverna pálida em comparação.

Os olhos circulam Eon, famintos por atenção.

- Mas veja só que azar. Tentou sair, e conseguiu ao único buraco fechar.

- Está ficando apertado aqui. Será que ele consegue respirar?

Eon tomou conta que, sem o buraco, não havia mais nenhum ponto de circulação de ar visivel. Não havia mais saída, não havia mais buracos, não havia mais luz. E em breve, não haveria mais oxigênio.

Ele levou a mão até o pescoço, ofegante, sentindo agora dificuldade em sua respiração.

- Seria uma boa idéia tentar cavar.

E foi exatamente o que ele fez. Desesperado e aos gritos, ele caiu ao chão, unhas batendo contra pedra. Primeiro rasgou a pele, com um certo desconforto. Depois rasgou a carne, dor e sangue se espalhando. Ele cavou, arranhou e gritou, atacando o chão até os ossos dos dedos ficarem visíveis.

Mas a pedra não cedeu.

Eventualmente a dor se tornou maior do que a determinação. Eon se abraçou, colocando as mãos debaixo do sovaco, tentando conter a queimação de dedos cortados. Ele se levantou e, ainda de braços cruzados, investiu com os ombros na maldita parede de pedra que o separava do mundo aberto.

Ele investiu de novo e de novo e de novo, até deslocar um dos ombros e cair no chão, ajoelhado, ensanguentado e choramingando.

- EU QUERO SAIR!

E nada aconteceu.

- Sozinho e preso, como um rato afogado.

- Sozinho e preso, por seus amigos foi abandonado.

As vozes zombam, e Eon se lembra de seus companheiros do outro lado. Eles prometeram tira-lo dali. Já havia algum tempo desde a promessa, sem sinal deles. Era sua ultima esperança, sua ultima chance. Ele puxa todo o ar que lhe resta e grita por socorro.

- PESSOAL! VOCÊ AINDA ESTÃO AI CERTO? VOCÊS NÃO ME ABANDONARAM, CERTO? POR FAVOR, ME TIREM DAQUI!

Mas ninguém respondeu.

- É inútil, eles podem ter te abandonado.

- É inútil, eles deveriam ter te abandonado.

Uma forma envolve os olhos, como um corpo feito de escuridão.

- Foi você que os trouxe a essa ilha.

- Foi você que caiu nessa armadilha.

Eon se mantém ajoelhado. Lhe falta ar para respirar. Lhe falta força para falar. Lhe falta vontade para continuar.
Suas mãos caem de seus braços. Uma delas toca em sua arma, que está confortavelmente guardada no coldre.

Da forma indescritível dos espíritos que lhe assombram, duas bocas aparecem para sorrir.

- Mas você ainda tem uma escolha, uma escolha muito sábia.

- Use a arma. Mate-se. Não há sofrimento. Não há dor. Não há nada.

Eon não tinha medo de morrer. Há muito fez as pazes com a morte, e não tinha problemas com o fim de sua existência.

Eon não tinha medo de morrer. Mas ele tinha pavor de sofrer.

- Ninguém virá te salvar. Vocẽ não pode escapar. Por quê prolongar o inevitável?

- Pegue a arma. Puxe o gatilho. Uma morte limpa e incontestavel.

O cano da pistola paira sobre a orelha do garoto, suas mãos tremendo com a dor e com nervosismo.

O jogo acabou, ele dizia para si mesmo. Sua mente revisa as opções – não haviam passagens secretas na caverna. Ele não era forte suficiente para cavar ou empurrar as pedras. Atirar na parede só faria as balas ricochetearem de volta contra ele. Esperar era a única opção que restava, e era uma opção que envolvia sofrer exponencialmente a cada segundo a mais que ele estivesse vivo, com a plena certeza que ninguém iria tira-lo dali. Seus companheiros estavam mortos, até onde ele sabe. Suas mãos doem, seu estomago estava embrulhado, seu pulmão sobrecarregado, tudo acompanhado por uma incrivel enxaqueca causada pelo panico da situação.

Ele força o cano contra sua cabeça. Ele se prepara para atirar, quando percebe que não estava sentindo o metal fazer contato com sua pele. Havia algo entre a arma e sua cabeça, algo familiar, feito de um tecido azul que foi passado de mãe para filho.

Eon toma conta que está apontando a arma diretamente contra seu chapéu, o chapéu que pertenceu a mãe que nunca conheceu. A mulher que sofreu dores que ele jamais conseguiria sentir, e sustentou um dano irreparavel em seu corpo para garantir que ele nascece. E aguentou até o ultimo segundo.

Eon hesitou.

- Qual o problema? O relógio está correndo, a dor está chegando

- Você está tão perto! Vamos lá. Não nos deixe esperando.

- Não.

O sorriso dos espíritos se esvaiu daquilo que uma pessoa com péssimo discernimento chamaria de face. Os olhos cresceram e brilharam com uma anti-luz forte e incandescente, girando e julgando a resposta.

- Não? Perdeu a cabeça? Por que sofrer a toa?

- Não? Tolice! Mate-se, liberte-se!

- Não… seria justo. - Ele disse, abaixando a arma. Acidentalmente derrubou o chapéu no processo, que caiu sobre seu colo, sobre suas mãos. Ele acariciou o tecido. - Minha mãe… morreu para que eu nascesse. Ela sofreu dores… Que eu não posso imaginar.

Seus olhos já não tinha mais lágrimas com as quais chorar. Seus pulmões, pouca força para falar. Mas ele continuou. - Até o último minuto, ela sofreu.. Mas resistiu. Aguentou tudo o que pode aguentar.

- E de que isso importa?! Ela morreu, junte-se a ela!

- Ela sofreu, mas você não precisa! Use a arma, uma morte simples e lisa!

Ele riu, mas não se moveu.

- Ela aguentou tudo até não poder mais. Não seria justo… se eu não fizesse o mesmo.

As criaturas infernais começaram a perder a forma, instáveis, inquietas. O prêmio estava tão próximo, mas tão distante ao mesmo tempo.

- Justo? Um garoto alado, preso em uma sala, falando de justiça?

- Você não a conheceu. Acha que ela gostaria de te ver sofrer nessa carniça?

Pedras e Gravetos podem quebrar ossos, mas palavras podem quebrar a moral e o ego, que são num geral mais frageis e importantes do quê uma pilha de calcio sustentando carne.
Felizmente, palavras podem ser combatidas com palavras.

- Não sei o que ela gostaria. Não acho que isso seja justo. Mas acho que devo ser no minimo melhor do que ela. É uma questão... de princípios.

"Viva fiel a suas virtudes, sem arrependimentos, e reze para que Deus não seja babaca". Era sobre esses mandamentos que Eon vivia, e seria sobre esses mandamentos que ele morreria. Ele não conheceu sua mãe, não soube quem ela era além de histórias, e certamente não sabe o que ela acharia dessa situação. Ele sentia dor, sentia medo do que estava por vir, e tinha certeza que não sairia dalí.

Mas ele certamente não seria mais covarde do que ela.

- SEU TOLO!

Os espíritos queimaram em uma chama etérea, e se juntaram em um só corpo. Uma grande besta feita de fogo negro, de uma chama mais escura que a própria escuridão, tomou forma diante de Eon. Os quatro olhos se juntaram, e logo se tornaram oito, dezesseis, trinta e dois, incontáveis glóbulos observando a alma do minúsculo humano alado que estava preso junto com ela.

O monstro avançou, e em sua imensidão, tomou conta do garoto. Entrou pela boca, pelos olhos, pelo nariz. Eon se sentiu gélido, sem vida, um verdadeiro cadáver ambulante. Debaixo de suas unhas, tentáculos escuros se estendiam e cobriam suas mãos, braços, pés e pernas, imobilizando-o.

O espírito se manifesta em sua frente, os infinitos olhos encarando sua alma.

- NÃO ENTENDE O QUE VAI ACONTECER? VOCÊ PASSARÁ FOME INSUPORTAVEL!

No mesmo momento, Eon sentiu seu corpo perder energia por completo, como se ele não houvesse comido por 2 semanas. Ele sentiu vontade de arrancar seu estomago, mas não tinha sequer força para toca-lo.

- “Quem tem fome não escolhe”. Uma boa hora de aprender a apreciar insetos rastejantes! - Ele forçou um riso zombeteiro

- O AR SE ESVAIRÁ! VOCÊ NÃO CONSEGUIRÁ RESPIRAR!

Se antes ele sentia o ar pesado, agora seus pulmões se fecharam por completo, como se ele estivesse no vacuo. Não conseguiu falar, mas pensou:

- Então vou contar até o ultimo suspiro. Além do mais, consigo prender a respiração por 2 minutos. Aproveito para tentar quebrar o recorde.

- SUA VISÃO PERECERÁ! SUA AUDIÇÃO LHE ENGANARÁ!

E então tudo ficou escuro.

- … Como exatamente isso difere da situação atual?

- VOCÊ FICARÁ INSANO!

- Eu estou falando com vozes da minha cabeça. Acho que já cheguei nesse ponto.

- SEU INSOLENTE! EU VOU TE MATAR EU MESMO!

- … Você não pode. Se não já teria feito.

O espírito rugiu com a frustração de mil demônios. Eon mantinha a posição, sofrendo dores que ele jamais imaginou existir, e jamais pensou em sentir.

Ele tinha pavor de sofrer, mas não tinha mais como fugir. E, como um gato encurralado, se não há para onde fugir, só resta atacar. Ele forçou a voz, com o pouco ar que restava em seus pulmões

- Yo, você tem um negócio na sua cara.

- O QUẼ?

- MINHA TESTA!

E então ele deu uma cabeçada no rosto do espírito.

E tudo explodiu.



*Momentos antes*

- Ocê tem certeza que usa explosivos pra tirar as pedras do caminho é uma boa idéia? - Disse Moonshine, cansada e coberta de teias de aranha.

- O moleque disse pra fazer isso. Eu confio nele. Além do mais, você prefere tirar esse monte de pedra uma a uma? - Corvo adicionou, detonador na mão

- Só acho que agente vai acabar piorando as-

E então corvo apertou o detonador.




Eon abriu os olhos vagarosamente, tentando se lembrar do que aconteceu. Luz encheu suas retinas, e formas começaram a tomar conta da sua visão.
Ele estava em uma caverna. Um frasco com odor muito forte pairava sobre sua face.

Moonshine, sua amiga, segurava o frasco. Aparentemente ela também havia enchido ele de ataduras e aplicado primeiros socorros.

- Cê acordo. Demorô em? Que diacho rolo aqui?

- Uma luta. Eu acho. Dependendo de como você define lutar...

Ele olhou ao redor. A entrada agora estava aberta - diversaas rochas estavam espalhadas, mas tinha uma passagem clara para fora. As paredes que o cercavam... Pareciam maiores. Menos intimidadoras.

- Tô vendo. Cê vai levar um tempo pra usar essas mão de novo. E sua testa vai doer uns par de dia. Mas tu vai fica bem. Tenta levanta.

Vagarosamente, ele se colocou em pé. Primeiro a cabeça. Depois o abdomem. Sentou-se, e se apoiou. Seu corpo tremia, mas parecia estavel. Após muito esforço, ele se levantou.

Ele estava bem. Ele estava vivo. Ele jogou o jogo, e ficou até o fim, até descobrir que não era o fim.

Ele sorriu.

- Isso foi... certamente, educativo. E assustador. Ah, sim, como foi com as aranhas?

- 'Gent deu um trato nelas. Ô, diz ai, tu ainda tem aquele antidoto que tu sempre carrega? O varuna ta passando meio mal.

Do lado de fora da caverna, Eon pode ver seus companheiros. Corvo tinha alguns arranhões e levou uma porrada forte na cara, mas estava bem

Shaw, o pequeno gato mink, tremia e tinha um olhar vazio, como o olhar de alguém que comprou 500 canais de TV a acabo e acabou de perceber que todos eles passam uma maratona interminavel de especiais de Natal horríveis de suas séries e filmes favoritos

Varuna, o grande tritão, estava inchado e verde, como se tivesse absorvido o veneno de 100 aranhas.

- "E aqui estou nesse terreiro de samba! Ouvindo o trabalho do céu! E aqui estou nesse terreiro de guerra, OUVINDO A BATALHA DO CÉU."

- ... Não, não tenho. Quebrou.

- Então vamo tê que dá um jeito de concerta.

E de lá, ele saiu. Um novo homem, ainda temente a dor, mas com convicção para lutar contra ela. E com um tritão para curar.




Um dia, você irá morrer.

Isso é um fato conhecido por todos os seres vivos que possuem capacidade cognitiva suficiente para reconhecer o conceito de vida e morte. Tudo que começa, termina; tudo que se move, um dia para; e tudo que nasce, morre.
Eon não tinha medo da morte. Ele a via como um jogo - use bem seus recursos, e viva mais um dia. Falhe, e o jogo termina. E agora, ele tinha ele sabia que mesmo quando não há recursos para se usar, ainda vale a pena esperar o jogo terminar antes de desistir.

E o jogo continua.





HP:15/40 -------- ENERGY:0/54





QUOTE


Duvidas, criticas e sugestões, só me avisar.



--------------------
Informações Rapidas do personagem:

Spoiler

Narrativa
Fala

nota de rodape


HP:
100% Saudavel
70% Escoriado
50% Machucado
30% Ferido
10% Estado Grave
0% Inconsciente




Atributos:

✦ DANO CORPO A CORPO: 1
✦ DANO A DISTÂNCIA: 9
✦ DANO DE ARREMESSO: 3

✦ ACERTO CORPO A CORPO: 4
✦ ACERTO A DISTÂNCIA: 4

✦ ESQUIVA: 8
✦ BLOQUEIO: 8
✦ AGILIDADE: 12

✦ RESISTÊNCIA: 1
✦ PONTOS DE VIDA:20
✦ ENERGIA:29

✦ DORIKI: 100


Peculiaridades:

Memória Expandida
Sensitivo
Aceleração

Vantagens:

Acrobata
Equilíbrio Perfeito
Pulo do Gato
Le Parkour
Artista(Brinquedos)
Aparência Inofensiva
Resistência ao álcool

Desvangatens:

Inadaptação (Água)
Preconceito (Leve)
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thalisontrm
 Posted: Oct 13 2017, 07:22 PM
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thalisontrm




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thalisontrm is Online

Avaliador




A família Garou sempre foi famosa por cumprir com proeza seus trabalhos, em toda Zou se ouvi falar nos incríveis treinamentos criados pela própria família e que são aplicados a cada membro desde a infância e na alta disciplina que cada um desses membros demonstra.
Mas falar de como são treinados e disciplinados era fácil, difícil era sentir isso na própria pele e apesar de toda habilidade adquirida pelos Garou no decorrer de suas vidas, o treinamento deixava marcas, não apenas físicas, mas sim o medo de voltar a ser criança, de ser submetido a todos aqueles treinamentos novamente, de falhar e ter que os repetir incontáveis vezes. Habilidades que vem juntas a um trauma.
Ragadash nasceu na família Garou e como membro desta família, foi submetido a cada treinamento existente como toda e qualquer criança Garou. Falhou, caiu, levantou, tentou outra vez e falhou de novo. Esse foi um ciclo cansativo e doloroso que só acabava quando era obtido o sucesso. Isso perpetuou por anos até quando Ragadash partiu para Ouame em uma missão em nome da sua família, mas naquele momento ele ainda não sabia o que o aguardava num futuro próximo. Como de costume de um navegador, pegou um mapa cartográfico, usou os ventos e as estrelas para traçar um rumo até West Blue, verificou seu Eternal e Log Pose, e deu início a viagem juntos de outros tripulantes também da família Garou.
Durante alguns dias, todo ocorrera bem, porém, em um certo momento uma tempestade surgiu de repente mudando completamente a trajetória do navio, era como se o oceano os obrigassem a mudarem de rota. Foi quando em um ato de desespero, Rag grita para abaixarem as ancoras e assim manter o navio preso no lugar. A ancora cai sobre o oceano e afunda rapidamente, em questão de segundos chega ao fundo fazendo o navio parar de repente quase como se fosse se quebrar com a força do impacto. Todos ali se entreolham por alguns segundos, o navio estava realmente estabilizado, apesar das fortes ondas e chuvas tudo parecia bem, até a tripulação sentir a falta de algo. Rag havia sido lançado ao mar com o impacto do navio.
As ondas o afogavam, era como se algo o puxasse para dentro d’agua, tentava desesperadamente voltar para superfície e encontrar o navio, mas as ondas o jogavam cada vez mais longe, cada vez mais fundo, até que Rag sucumbe a falta de oxigênio e desmaia.
Rag acorda em uma praia, ainda era noite apesar de seus instintos lhe dizer que já deveria estar em pleno dia. Ele se levanta, sacode a areia de suas roupas e percebe que suas patas estavam estranhamente pequenas, suas pernas estavam estranhamente curtas. Ele havia se tornado criança outra vez, ele tenta falar consigo mesmo, mas sua voz soa mais fina e suave assim como quando era criança, muitos poderiam achar isso uma coisa boa, mas Rag estava desesperado, ser criança novamente não era algo que lhe agradava. Ele então corre em direção a pequenos clarões que podia enxergar em meio a escuridão, não estava pensando, não estava raciocinando, estava em um ato de desespero acreditando que ao fim da corrida tudo voltaria ao normal, mas tudo que encontra no fim de uma pequena trilha é um homem alto e magro, trajado com um terno preto aparentemente muito bonito e muto caro, Rag tomou folego por um momento e olhou mais atentamente ao homem que ainda estava ali parado a sua frente, mas seu rosto não era de algo que ele já havia visto, não era humano, muito mesmo mink, seu rosto era totalmente negro e parecia se misturar com a noite em si, não havia face com boca, olhos, nem nada, apenas dois círculos brancos no lugar dos olhos, mas era possível sentir que estava o encarando, por um momento aquele homem fez Rag se lembrar do pai dele, sempre usando ternos bonitos e caros, exalando riqueza e poder, mas seu pensamento foi cortado por uma voz grave e tenebrosa que saia do monstro que havia a sua frente.
- Vamos começar o treinamento!
Então, como se a escuridão ganhasse forma, diversos monstros em forma de sombras começam a surgir, eles eram de escuridão pura, não tinha pernas e flutuavam, em seus corpos havia um manto negro que descia até ao chão, seus olhos eram vermelhos e sempre estavam com um sorriso branco e gigante, como se estivessem se divertindo com o terror que causavam na mente de Rag.

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Rag por sua vez, ainda em total desespero ataca as criaturas, até se esquecera de olhar se estava com suas armas, usou apenas seus punhos e garras. As criaturas revidavam, mas pouco importava, Rag estava em um frenesi total, havia perdido o controle de sua mente, tudo que seu corpo fazia era atacar com aranhões, socos e mordidas, nada mais importava, apenas a sobrevivência.
- Vamos começar o treinamento!
O monstro repetiu e então as criaturas ressurgiram como da primeira vez sem dá tempo de Rag se recompor, e a luta começa outra vez.
- Vamos começar o treinamento!
- Vamos começar o treinamento!
- Vamos começar o treinamento!
Tudo acontecia da mesma forma, Rag em seus melhores dias poderia lutar muito mais, mas por algum motivo ele era apenas uma criança de novo, estava em seus últimos suspiros, mal se aguentava em pé, a luta o havia arrastado para a borda de um penhasco, estava encurralado e fora de si.
Então em sua mente vem uma pequena luz. “Vamos começar o treinamento!”, já ouvira isso antes. Se lembrou que era a mesma frase que seu pai repetia dia após dia durante sua vida árdua de treinamentos intensos, a raiva então foi se esvaindo. – Eu não sou mais criança, preciso superar isso -, foi o que veio a sua mente, e tudo pareceu está mais claro.
Apesar de totalmente esgotado, sua sanidade havia retornado, ele encara novamente aquele monstro de terno.
- Vamos começar o treinamento!
O monstro repete a fatídica frase, mas dessa vez Rag estava no controle.
As criaturas sombrias surgem novamente, Rag suspira e corre em direção as sombras, mas muda sua trajetória em um instante, desvia de alguns golpes e continua correndo passando por entres as criaturas até avistar o monstro de terno, Rag então usa de seu último esforço para investir contra o monstro.
- Você não me controla mais!
Foi o que Rag gritou golpeando o monstro com suas garras de lobo, um golpe tão forte e preciso que arrancou a cabeça do homem, ficando apenas o corpo parado por um instante até cair ao chão logo em seguida.
As criaturas voltam as sombras que as originaram, o monstro se torna uma fumaça negra e desaparece, Rag com dificuldade vai até a borda do penhasco, estava amanhecendo, parecia que estava de noite por dias, mas em fim um raio de sol surge no horizonte. Ele aprecia por um momento aquela cena, mas então desmaia por causa do cansaço sendo lançado do penhasco caindo no mar.
Tudo fica escuro, mas em meio a escuridão é possível ouvir alguns sussurros, lentamente Rag abre os olhos, as imagens turvas vão tomando forma até que ele percebe, estava de volta ao navio, foi resgatado pela tripulação.
Ele se levanta lentamente e olha para todos os lados, mas não enxerga nada além do mar e do céu azul.
- Vocês chegaram a entrar na ilha?Rag pergunta aos tripulantes.
Eles se olham e um deles responde.
- Que ilha? Depois que você caiu no mar, ficamos horas lhe procurando, pensamos que você já havia se afogado, mas antes de desistirmos vimos ao longe você agarrado a uma das caixas de suprimentos que caiu no mar durante a tempestade, até agora não encontramos terra firme, foi sorte você ter se agarrado a aquela caixa em meio a tormenta. Mas que ilha é essa que você está falando?
- Deixa pra láRag responde, olhando para o horizonte.
- Vamos embora, temos uma missão a cumprir – Ele completa.
Talvez tenha sido só um sonho, apesar de parecer tão real. Mas sonho ou realidade não importava, Ragadash havia voltado para aquele navio com uma nova mente e um novo objetivo de vida. Finalmente havia deixado seu passado para trás e superado seus medos, um Novo Mundo o aguardava.

FIM ! (Ou não)...

- Vamos começar o treinamento!

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Berenaldojr
 Posted: Oct 14 2017, 01:13 PM
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Berenaldojr




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Berenaldojr is Offline

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Um Adeus

Primeiro sente um toque, depois um empurrão e por fim o jeito foi despertar.
Doncy D'Lette começa a sair do enevoado momento do despertar, assim que põe seus óculos e olha a sua volta percebe que estão todos ali,
a suas costas seus pais, também de costas pra ele mas ele para sempre reconhecerá aquelas silhuetas, enquanto mantém seus neles eles dizem em uníssono:
-Aqui jaz o filho prodigo e único, que jamais a casa retorna, que a vida lhe abandone agora, antes tarde e sem demora!
Pelo susto do momento ele se põe a esticar um braço para alcança-lo tentando a todo custo compreende-los mas ainda assim desesperado, seus pais caminham contra a sombra e se dissipam ou misturam aquele lodo denso até que a tristeza e lagrimas o tomam então olha-se para sua direita onde vê de formas cromadas e sinuosas uma esbelta senhora, mais do que uma mulher uma arma letal, Mademosielle em uma forma humana, mesmo diferente ele sabe quem ela é e assim como seus pais começa a lhe falar:
-Pecador e pecado, juntos não por acaso, pagaram pela vida e pela morte pois não existem dois pesos e duas medidas para os que o fazem, deixado ao relento terá um destino que sozinhoserá abandonado!
Sem forças para um entendimento ela o abandona, e mais lagrimas e desespero o tomam, na sua esquerda vê-se agora todos que já foram seus amigos, principalmente aqueles que agora fazem companhia, sem tempos para comprimentos o grupo começa a falar em uma unica voz, de forma dura e gélida palavras dolorosas:
-Ninguém tem sua companhia, ninguém te seguirás, ninguém é seu melhor amigo e pra sempre ninguém contigo andarás!
Sem reverências, acenos ou comprimentos todos partem deixando um vázio, agora pra frente ele olha e apenas uma pequena silhueta ali se encontra, um menino, suas asas pequenas são visiveis, seus brinquedos em suas mãos denotam sua infancia, suas lagrimas de sangre lhe machucam, mas não é tristeza e sim raiva. esbraveja e grita palavras mais dolorosas:
-PORQUÊ ME ABANDONASTES?
Em poeira o pequeno se deforma e lagrimas de dor invadem seu coração, chorou ali por um minuto, uma hora o dia inteiro, jamais saberá, mas ali nas sobras alguém o olha, assim que percebido o ser se aproxima, com um grande sorriso amarelo, olhos vermelhos e uma pele que parece a de quem acabou de limpar uma chaminé o ser grotesco e gigantesco se revela e começa a falar, Doncy por mais que tenta-se não conseguia falar então apenas observou e escultou, era um dever naquele momento:
-Tu não me conheces, eu te acompanho desde que entendeste o que tu eres, já fui seu escudo, já fui tua arma, hoje sou seu destino, sua fuga e sua dor, lembranças não morrem, mas eu sempre estarei vivo pois de tudo que tu fizeres eu sempre fui seu braço direito! Em seu coração eu vivo, sou o que mais temerás e sou seu refugio! se ainda não me destes um nome eu digo que sempre sou você quando não sabes o que eres!!! hahahaha
Com a fria gargalhada a espinha de [colo=green]Doncy[/color] gela, agora saberia definir quem era aquilo e com uma palavra o chama:
-MeDo...
Então o ser retruca:
-Não apenas, mas especifico, tente de novo, pois sei que no seu interior eu sempre estou...
Doncy em lagrimas e em prantos tenta mais uma vez, tentando agora se fortalecer nas palavras:
-Solidão!!
O bicho gargalha e olha prontamente para um Doncy que apesar de apavorado tenta se manter e então retruca:
-Sua força vem do que esta perto e agora a unica coisa que se aproxima de você sou eu, vou te dar uma dose do passado com uma lembrança que arde, mesmo que jamais tu falastes...
Um enevoado toma conta de sua visão ate se ver dentro de seus aposentos, na unica casa que já servistes, a unica.
Uma vóz de criança vem do corredor, após a porta fechada, ele sabe que pertence do seu pequeno amo, O Senhor Tomy, filho de Laz Von Golden, um senhor muito querido e poderoso na suas terras.
-Acorde Doncy venha brincar comigo!
A visão enevoa novamente ele agora se vê no dia fatídico, o dia do ataque, a criança estava no quarto, eu sábia, o barulho la fora era imenso, eu escultava, sábia que salva-lo traria a guerra atrás de mim, é o certo a se fazer, era o certo a se fazer.
Enevoando várias e várias vezes, Doncy se vê passando de um obidiente servernte de uma família renomada de mordomos a uma paria daquele lugar, ninguém queria sentar-se com ele, ninguém queria lhe falar, sua família não mais com ele estava, seu destino era triste pois estava só e dali pra frente sempre estaria só, apesar do ataque ao senhor Laz Von Golden ele saiu vitorioso, mas derrotado por dentro, a unica obrigação do seu servente era proteger seu filho, seu único filho, Doncy além de um traidor era um indigno, ele era uma presa para o senhor Laz Von Golden, sua mãe em um ultimo esforço para seu filho e na obrigação de mãe o coloca num barco e lhe vira as costa, poucos minutos navegando para um novo mundo o návio recebe o primeiro ataque, Doncy assim como os demais ocupantes se assustam mas então olham para a praia, um homem alto com seus olhos vermelhos esbraveja,
-Pagara pelos seus pegados, imundo bastardo!
Então Laz Von Golden dispara dos seus canhões de mão, dourados como o sol e rápidos como um rifle duas, três, quatro e tantas outras vezes pouco se importando com os demais oculpantes, pessoas que o atacaram, agora Doncy percebe e que estavam fugindo, o navio irá naufragá ele sabe, por quê ele lembra e então tudo se enevoa.
A gargalhada do ser sombrio vem a seus ouvidos mas então ele percebe que aquilo é mais e o demônio não queria mostrar...
Ele se levanta e limpa a poeira da roupa e fala:
-Nada do que me mostrastes é fictício, admito, mas havia mais, por quê então escondestes de mim? Onde eu estou e por qual motivo?
Atônito o ser se recomponho e torna a cuspir suas palavras.
-Você está onde os pecadores pagam, uma ilha em um lugar qualquer, o mar é sangue dos pecadores, sua estruturas são seus restos mortais e apenas um senhor domina, Aqui é domínio do senhor do medo, aquele que dorme no interior da pureza será seu julgador!
Ele ri mais uma vez, mas Doncy agora totalmente de pé começa a falar:
-Cada senhor tem um serviçal, a vida do senhor
Tony
foi totalmente culpa minha, mas a vida de suas irmãs também, você apenas me mostrou como culposo fui mas não me mostrou tudo,
tive de abandonar meus pais, meus amigos e demais familiares, não por ter ficado por medo mas pelo amor de minha mãe, ela sabia o que seria certo, naquele navio eu recebi aquela que me acompanha sempre e a unica que conhece meus segredos
, Mademosielle, você me atenta para eu me sentir culpado mas só fala a parte que me doi? você é minha metade, você é o lado que doi enquanto o outro se cura, meus novos amigos saberão o que fiz no momento certo, apesar de sempre estar distante, apesar de tentar agrada-los da melhor forma que consigo você vem me condenar? se serei julgado quero um defensor, ja que diz que o seu soberano vivi no interior da pureza então quero que ela me defenda, nada mais justo, sempre fui e sempre serei fiel a justiça, se for condenado aceitarei, se for salvo carregarei minha cruz, diga-me pesadelo o que me aguarda? me responda!
Agora mais assustado do que esperava, aquele chamado de pesadelo não ri, ele o olha seriamente, então fala:
-Parece que existe mesmo condenados necessários, seu passeio aqui foi um teste, quando acordar lembrá do necessário pois somente na ultima frase tu falastes meu nome, digo que livre não estas mas para sempre irei te acompanhar!
A visão vai enevoando ate o ponto de ficar escura, um filete de luz se acende, um 'muito obrigado' é audível, então Doncy desperta, um deslize que cometeu com seus amigos, sua obrigação era fazer a vigilia, espera que na tenha acontecido e teme o dia que será julgado mesmo sabendo que o que foi feito sempre foi a melhor opção.
Adeus Tomy.

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Yusuke Urameshi
 Posted: Oct 14 2017, 03:58 PM
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Yusuke Urameshi




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Yusuke Urameshi is Online

Administrador




Dia das Bruxas

Não é sempre que uma misteriosa ilha surge do nada, trazendo com sigo uma absurdas possibilidades que poderiam ser usadas para o bem, ou quem sabe para o mal também. Tal emergência teve vários comentários dentro de todas as comunidades de diversos grupos diferentes, e a marinha não foi diferente. Somente voluntários dispostos a irem sozinhos para trazer informações serão permitidos partirem para tal objetivo. Esse foi o comunicado que Yusuke recebeu.

E tendo nada menos que alguns mantimentos, um barco com remos e uma direção para seguir, o jovem Sargento vai em direção a tal ilha, recebendo somente uma carona de um barco maior antes de seguir sozinho.
Ao navegar pelas águas estranhamente da cor vermelha, podia sentir uma aura macabra pairando perto de si. A sensação de monstros marinhos puxarem o pequeno barquinho para os confins do oceano o deixava alerta para qualquer movimento estranho.

Por incrível que pareça não foi atacado como sua imaginação fez a todo momento, parecia até mesmo uma especie de prova para ver quem teria coragem de chegar perto dos domínios da ilha.
Ao colocar seus pés em terra firme foi presenteado com um silencio devastador, a geografia do lugar parecendo bem peculiar por suas pedras de um extremo branco, e aboboras crescendo em quase todos os lado que seus olhos passam. Arvores com aspecto podre, fazendo um verdadeiro cenário de filme de terror.

Tinha que reunir o máximo de informações, por esse motivo o Urameshi seguiu seu próprio instinto e caminhou para o interior desse lugar desconhecido. Poderia ter mais gente que veio para matar a curiosidade, e também algum nativo que possa lhe mostrar a cultura da ilha, mas sempre pode ser o caso de ter que partir para a porrada primeiro, não que isso não agrade o adorador de roupas verdes.

Horas se passam e nada de novo aparecia, somente a sensação de estar sendo observado, e tal paranoia o trazendo a ficar dando algumas voltas na região.
Confusão, solidão, silencio são fatores que deixam a mente de Yusuke mais pesada, e poucas soluções pareciam iluminar seu caminho. Será uma ilha sem nada, sem ninguém,qual seu proposito para com o mundo?

Foi então que pela primeira vez ali andando um vento soprou até uma direção que o marinheiro ainda não tinha ido, poderia ser o destino dizendo para onde deveria ir, ou outra coisa. Sem muitas alternativas esse parecia uma nova oportunidade de conseguir alguma coisa para completar sua missão.

Eis que numa clareira formada pela vegetação naturas da ilha, há uma criança deitada no chão, o primeiro sinal de outro ser em todo o tempo que ficou pela região. Com cuidado Urameshi se aproxima para não assustar o garoto, e claro pronunciando algumas palavras de apresentação.



-Tudo bem, sou novo aqui e gostar...

Uma pausa obrigatória faz o silencio reinar novamente ao perceber que a criança esta com vários sintomas de alguma doença, sofrendo de febre, dificuldade respiratória, manchas de cor roxa nas áreas que podia ver a pele do garoto.
Sem mais poder hesitar Yusuke se move para o lado do pequeno desconhecido, olhando com mais cuidado podia ver que se trata de alguém que deve possuir uns 12 anos de idade, cabelos pretos e roupas simples.

A pobre criança parecia não ter forças nem para reagir ao ver um estranho se aproximar, mas para sua sorte se trata de um médico. Fazendo alguns exames rápidos como checar os olhos, dentro da boca e outras regiões onde pode notar mais sintomas e assim descobrir qual doença esta tentando retirar a vida desse rapazinho.



-ALGUÉM POR AQUI! TEM UM GAROTO PRECISANDO DE AJUDA!

Gritava para todas as direções procurando saber se alguém pudesse receber tal aviso e auxiliar nessa batalha de vida ou morte. Infelizmente tudo foi em vão, pareciam dois abandonados pelo mundo e tendo que provar se conseguiriam sobreviver.

Ao conseguir ter noção dos sintomas visíveis, o médico da marinha chega a uma conclusão que todo profissional da área tem medo de encarar, uma doença desconhecida. Sem saber o que fazer, como tratar, um método errado poderia ser o fim da vida de alguém que esta sob seus cuidados. Podia ser contagioso, na verdade poderia ser muitas coisas.

Um choque passa por todo corpo de Yusuke o deixando paralisado, seria esse sempre o destino de quem estiver com esse doutor por perto. Mostrando para o mundo o seu maior medo, "Cacorrafiofobia". Nem parece que alguém que tem tamanha iniciativa e age como o maioral tem o terrível pavor de falhar. Falhar como um médico que jurou para seu falecido pai que seria, jogar todas as promessas e sonhos no lixo. O que deveria fazer num momento desses?



"Eu sou um inútil... Eu sou um inútil... Eu sou um inútil..."

Quando recuperou o controle de seus movimentos só conseguia bater na grama que tinha ali, uma expressão de puro desgosto com sigo mesmo afligindo o marinheiro. Veria o garoto morrer lentamente, e sem fazer nada para ajudar.
Seu corpo queria se mover e fazer alguma coisa, mas acaba por ficar totalmente trancado por sua mente, preso nas grades do seu medo de fracassar.

Foi então que ao ver o rosto do garoto pode se ver a alguns anos atras, com seu pai lhe dando bronca por desistir em meio aos testes que não conseguia achar a resposta. Marcado com as palavras de "nunca desista!".
E por seu velho mestre Neko que sempre puniu com boas porradas nos momentos que Yusuke ficava parado com suas indecisões, Marcado com as palavras "Lute! Só lutando você manterá a vida".
As duas tendo vários significados, mas nunca utilizados da maneira como eles haviam olhado para o futuro.

Seria esse a reviravolta de Urameshi, e uma força crescia dentro de seu corpo, juntamente como se finalmente tivesse amadurecido para entender as palavras das pessoas que lhe ajudaram a chegar até esse ponto. Não fazer nada também seria considerado fracassar, e só se tem chance de vencer ao tomar decisões e lutar por elas.

Sem tempo a perder o renovado médico começa a olhar o que tinha em volta, pegando as próprias aboboras para tentar extrair o máximo de nutrientes possíveis da praticamente único ser que conseguiu se manter vivo e reproduzir pela região da ilha. Socos sendo utilizados para abrir o fruto, usando sua camisa para usar como filtro, assim os pedaços de abobora soltariam um caldo concentrado direto na boca da criança. Seu casaco verde molhado com o que restava da água que trouxe nos mantimentos, usado para amenizar a temperatura que a febre causava na região da testa.



-Vamos lá. Reaja muleque!

Não tinha remédios, não tinha ajuda de ninguém, só restando sua própria fé de que conseguiria fazer o seu melhor para trazer uma vida mais longa para o pequeno desconhecido. As palavras de Yusuke agora carregam uma força que antes não podia ser sentida nem por ele mesmo. E com isso toda aquela sensação de estar sendo observado e de algo pairando sob sua presença some.

O mais incrível é que junto com isso some praticamente todos os sintomas do garoto, como se o mal que o assombrava tivesse sido expulso de seu corpo. Com a estabilidade criada nessa momento, Urameshi pega no colo o menino, e vai em direção do seu bote, talvez essa seja sua unica chance de proporcionar algum tratamento melhor em outro lugar.

Toda a região parecia estranha como se algo tivesse mudado e o que mantinha a ilha estabilizada foi destruído. Chegando no bote o marinheiro posiciona o rapazinho mais a frente, e logo se senta de costas para ele, assim podendo remar com todo seu esforço, olhando mais uma vez aquela estranha ilha que se afasta aos poucos.

Cansado apos tanta correria repentina, Yusuke se vira para olhar o estado do garoto mais ele não esta mais ali, deixando no seu lugar a camisa e casaco que foram utilizados para o tratamento. Tal cena assusta o marinheiro que tinha absoluta certeza que não houve queda na água, e que suas roupas tinham ficado no local onde encontro o garoto. Talvez esse seria mais um dos casos que a sociedade pode chamar de lendas inexplicáveis.





QUOTE
Cacorrafiofobia — medo de fracasso ou falhar. Nesse caso como um médico e pessoa.



Spoiler
#ATRIBUTOS:

#VANTAGENS:

Sensitivo (1PE): Seu Personagem possui grande intuição, uma sensibilidade extrema que lhe permite saber sobre coisas mesmo sem ter acesso a informações sobre elas. Isso tem mais a ver com Empatia entre seres vivos e racionais.
Benefício: Interpretativo.

Herbalismo (1PE para Químicos): Um especialista em vegetais e ervas, seu conhecimento lhe permite compreender diversas selvas e florestas, identificar plantas úteis ou nocivas, ou cultiva-las.
Benefício: Interpretativo; Permite encontrar matérias-primas vegetais para fabricação de itens químicos em qualquer ambiente, além de identificar vegetais comestíveis. Sabe também plantar e cuidar de plantações. Permite fabricar "Pastas de Cura", venenos e antídotos nível 1. Químicos com esse aprimoramento aumentam em +1 o nível máximo de Venenos e Antídotos.

Estrategista (1PE): Você possui uma capacidade tática notável, consegue organizar melhor as tropas e fazer planos notáveis. Provavelmente você passou no Teste de Einstein.
Benefício: Pessoas que seguem o plano feito pelo estrategista recebem um bônus +1 em todas as jogadas enquanto os acontecimentos estiverem dentro do planejado. Este bônus é perdido quando os personagens deixam de seguir o plano ou quando os acontecimentos se desviam em excesso do previsto.

Liderança (1PE): Não importa o método usado: intimidação ou carisma, o fato é: você indiscutivelmente é o chefe. Você dá as ordens e é obedecido, sendo que é uma qualidade indispensável para um capitão de tripulação.
Benefício: Interpretativo. Aumenta as chances de ser ouvido e ter suas ordens acatadas.

Investigador (1PE): O personagem sabe usar a lógica e coletar pistas para traçar perfis e adquirir informações sobre pessoas e missões. Pessoas normais podem investigar, mas este aprimoramento garante que seu personagem seja bem acima da média em seu sucesso.
Benefício: Interpretativo; Permite que o personagem possa obter informações através dos mais variados recursos, como lábia, sedução, suborno ou tortura.

#MANOBRAS DE COMBATE:

#ESTILO DE COMBATE:

Hadou(Punho Ondulatório): É um estilo de luta que se baseia em absorver toda energia ao seu redor utilizando a respiração como meio de absorção, e carregar qualquer parte de seu corpo com essa energia para fazer golpes muito poderosos. Sem poder fazer uma boa respiração o oxigênio que esta carregado de energia não consegue se acumular na área desejada, como por exemplo punho, cabeça, pé, etc. Quando alguém é atingido por um desses golpes, é disparado "ondas" de energia do usuário para seu adversário, essa é a base do Hadou.
Esse estilo foi criado a partir de varias junções de técnicas milenares, como o Reiki. (Requisito: Lutador de Rua)

#TÉCNICAS:

#HAKI:

#PROFISSÕES:

NOME: Médico (6 PE)
NÍVEL ADQUIRIDO: 1
GRADUAÇÃO: Especialista
Muito mais experiente, suas curas, tanto dentro quanto fora de combates, são muito mais potentes. Pode lidar com hemorragias e venenos com muito mais eficiência, e consegue fazer cirurgias de implante de próteses com boas chances de sucesso.
SUBNÍVEL: Novato
Bônus: Cura(sem luta):21% // Cura(luta):7% // Cirurgia:40%

#ITENS, RECURSOS E AFINS:

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Kaimon
 Posted: Oct 14 2017, 10:31 PM
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Kaimon




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Kaimon is Offline

Estagiário




Kai sempre se vira caminhando pelas praias de Ouame quando tinha tempo. Vez ou outra encontrava algo interessante para transformar, e assim treinar um pouco suas ideias, fato esse muito apreciado pelo seu mestre e pai adotivo. Desde que saiu de L´Arcan nunca mais soubera o que era desespero, nem ter que realmente lutar para permanecer vivo. Sua sobrevivência passou a depender exclusivamente de quão bem conseguia trabalhar, e não machucar os outros. Fazia anos que seu treinamento marcial consistia apenas de atividade física, para conseguir sustentar o calor da forja e o peso do martelo, e autodefesa, para que pudesse se proteger e àqueles que amava. Vez ou outra lembrava-se do tempo de rua, mas com o passar dos anos tudo não deixou de ser uma mera lembrança falha em sua mente.

Naquela manhã, entretanto, o céu estava estranho, cheio de nuvens e o que parecia ser um nevoeiro denso. Na beira da praia, podia-se ver um homem com um capuz tentando colocar um bote na água. Caminhando até ele, Kai pôde perceber que o homem era provavelmente bem mais alto que ele, mas sua postura corcunda o deixava no mesmo patamar de altura.

- Olá senhor, precisa de ajuda? - Disse Kai, aproximando-se do barco.

- Vaaamos, venha comigo, garoto! Olha lá, tudo que a gente achar nós dividimos por dois!eu e você conseguiremos muito mais tesouros! Olha, Olha, é uma chance única!

Kai não resiste e olha para o local que o homem apontava, e para seu espanto, uma ilha surgira no horizonte, próxima o bastante para ser alcançada até mesmo com um bote

- De onde aquilo saiu? Isso não está em nenhum mapa... Tenho que ver o que está acontecendo! Vamos senhor, vou contigo, suba! - Segurando o bote do homem, espera o mesmo entrar e coloca o bote na água, com a ponta mirando para aquela ilha misteriosa. O homem corcunda tomou conta de guia-los até lá, e Kai cuidou de manter-se firme enquanto passavam pelas ondas maiores.

Ao chegar na ilha, percebe-se de cara uma névoa meio densa, que preenche toda a ilha, mas parece diminuir ao afastar-se um pouco de lá. O homem corcunda pula do bote ao primeiro sinal de alcance de terra e corre meio desajeitado mata adentro gritando "A gente se encontra em uma hora! Adeus, Garoto!"

Largado no bote no meio da neblina, Kai tenta observar melhor o local mas, percebendo que não conseguiria identificar nada, adentra por um caminho um pouco mais a direita que o homem que o acompanhara entrou, e então tudo escureceu.

De repente, viu-se nas ruas de L´Arcan, com aquele turbilhão de pessoas pra cima e pra baixo, e ele no canto de um beco. A barriga aperta de fome, e Kai subitamente recorda-se de um caminho que a muito não fizera. Anda rápido pelas ruas da cidade, passando por becos e ruelas, até chegar em um barraco. Ao entrar, é empurrado com força para a parede por uma mão forte:

-Onde você tava, Garoto! Eu tava com fome, cade a droga da comida!? - E dá um murro na parede. Kai vira-se assustado e dá de cara com um homem alto e cabelos castanhos, mas estranhamente, onde deveria ser o rosto era apenas uma mancha preta, um grande vazio. - Como você ousa me deixar sem comida, Garoto? Venha, espero que esteja disposto, pois tem uma coisa que eu e você vamos fazer.

O homem gruda no braço do rapaz e o arrasta para fora da casa, atropelando e esbarrando em algumas pessoas pelo caminho. Kai permanece assustado demais para esboçar qualquer reação, sem dúvidas ele estava de volta ao seu passado em L´Arcan e por um segundo, Kai pensa se toda aquele tempo em Ouame não fora somente um sonho.

-Aqui Garoto, tá vendo aquele cara ali? Usa essa faca sua aí e pega a carteira dele, eu vou tomar conta pra que ninguém passe por aqui, acaba com esse porco rico! - E afasta-se um pouco para observar as ruas adjacentes. Kai para por um tempo e observa aquele homem, e todo ódio que sentia quando morava nas ruas voltou à tona. Aquele homem era um rico porco que estava no caminho dele para que pudesse se alimentar e sobreviver.

Kai aperta a faca que tinha nas mãos ao ponto dela começar a tremer. A fome que antes parecia apenas uma lembrança toma conta do rapaz, ao ponto de sua boca salivar um pouco ao lembrar-se do cheiro de comida, solta um pequeno rosnado e prepara-se para partir pra cima do homem.

-Kai? Você está com fome? Fiz um pouco de café e bolo, tá lá na cozinha, coma um pouco quando acabar seus estudos. - Uma voz do fundo da mente do garoto toma conta dele e o rapaz para. Mais e mais lembranças tomam conta dele, como a primeira vez em que forjou uma colher, ou quando começou a estudar os princípios da dilatação térmica, tudo ensinado pelo seu mestre.

-Mestre Momorimaru... - Kai volta a si, e começa a se acalmar, aquela fome que tanto o atormentava era substituída por aulas e aulas que tivera ao longo dos anos e todos os bons momentos que vivera.

-Anda logo, Garoto! Mata aquele porco maldito e vamos comer! - O homem gritava e ficava cada vez mais agressivo, ao ponto de abandonar seu posto e partir pra cima do garoto, erguendo o braço para dar um cascudo no rapaz. Kai vira-se e ergue o braço esquerdo, e sua faca torna-se um escudo, bloqueando o muro descendente do homem. Por baixo do escudo, Kai põe-se a falar

- Eu... Nunca mais... Vou matar ninguém! - Pegando impulso com um giro, Kai bate com o escudo na cabeça do homem sem rosto, que é jogado pra trás -Eu nunca mais vou fazer algo assim! Meu mestre me ensinou muito! Eu cresci, aprendi, melhorei, hoje eu devoto minha vida a proteger os outros! Eu juro por esse escudo que nunca vou deixar as pessoas próximas a mim sofrerem por minha causa, e vou tentar salvar todos que eu puder de todas as injustiças!

O homem afasta-se um pouco pondo a mão onde era pra ser seu queixo. - Pois muito bem! Espero que você esteja pronto pra viver isso, ou eu volto!!!! - Do seu rosto, começa a formar uma espécie de buraco negro, e toda aquelas coisas próximas começam a serem sugadas para dentro. Percebendo o perigo, Kai põe-se a correr na direção contrária, enquanto tudo é sugado para dentro. Após algum tempo de desespero e fuga, entra em um beco e vê-se novamente na beira da praia, mas não tem tempo para pensar muito, pois até mesmo as árvores e a neblina começam a serem sugadas. Sem tempo para pensar, Kai entra novamente no bote, parando um tempo para esperar seu companheiro de aventura, mas já era tarde demais, até mesmo a areia já começava a ser sugada. Colocando o bote na água, o garoto põe-se a velejar de volta para Ouame, olhando para trás e vendo a ilha toda sumindo naquele buraco negro, e desaparecendo de vez, restando apenas o bote, o oceano, e a ilha de Ouame mais à frente.

- Pode vir... eu sempre estarei pronto pra enfrentar você...

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HeroMadao
 Posted: Oct 15 2017, 12:30 AM
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HeroMadao




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HeroMadao is Offline

Marinheiro




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Nossa aventura se inicia em uma praia relativamente quieta, se não fossem as gaivotas e pequenos animais que ali viviam. A ilha era Nightmare Island e, apesar do aspecto amistoso, muitas coisas poderiam soar errado naquela ilha: a névoa baixa...os animais sendo agressivos...um cara desmaiado na areia úmida e de cueca...

Se aproximando mais, era possível notar tatuagens e cicatrizes cobrindo o corpo do pescoço para baixo. Este mesmo corpo estava parcialmente enterrado na areia da praia. Incluindo toda a parte do rosto esquerdo, apesar da situação, parecia mais estar dormindo que realmente desmaiado ou morto.

Uma onda proveniente da maré que estava aumentando acerta o rosto da pessoa, que imediatamente reage ao susto e a possibilidade de afogamento. Levantava agora com cabelo arrepiado e endurecido pela areia, metade do rosto inchado e com total falta de noção do que acontecia: este era Yukimaro, que acordava como se estivesse relaxando depois de um longo sono. Com os olhos entreabertos ainda, tentava entender o que acontecia.

Yukimaro: - Cara...o que eu fiz desta vez? Por que estou de cueca?

Enquanto esfregava os olhos, tentava resgatar em sua memória os acontecimentos recentes. Recentemente havia ouvido falar de um pequeno grupo de piratas na região do seu descanso de marinheiro, em Sealkoun Island. Tentando uma aventura sozinho, se infiltrava no bando sem uniforme ou armas e, depois de dois dias, tentou lutar com o grupo inteiro em alto-mar.

Yukimaro: -...para estar sem roupa e aqui...devo ter perdido...

Tentava ver o que tinha ao seu redor. Até seu tapa-olho tinham levado! Sorte que não embarcou armado no navio, ou seria uma dificuldade imensa para combates futuros. Encontrou um coqueiro ali perto: estava com fome, e o problema parecia maior do que poderia raciocinar: sem saber onde estava e de cueca, poderia ser sua morte!

Chutava o coqueiro várias vezes. A planta já estava bem madura, contendo apenas pouquíssimos frutos. Um dos cocos cai perto dele, e logo Yuki vai tentar pegá-lo e abri-lo. A árvore no entanto, ainda balançava, e enquanto balançava outro coco caiu, acertando as costas do aventureiro.

Yukimaro: - AH SUA A$@(*¨$@!&¨#( !!!! AGORA VAI FICAR SEM FRUTO!

Irritado por pouca coisa, escalava igual um macaco a árvore e se balançava do topo, fazendo com que todos os cocos caíssem por terra. Quando faltava apenas dois, o topo da árvore cede, caindo e derrubando novamente o guerreiro. Que agora ficava deitado, contemplando o céu do local.

"...que inferno de vida..."


Por conta de sua força e boa vontade, abriu relativamente fácil os cocos, batendo-os contra rochas. Se alimentou de quase todos os cocos, se hidratando e enchendo a barriga. Era hora de prosseguir ilha adentro. E parecia pouco animado para isso.

"Espero que eu não seja preso de novo por ficar pelado."

Caminharia por algumas horas, se perdeu várias vezes no caminho e começou á marcar árvores e rochas. Até então estava levando tudo na brincadeira ou um dia normal. Começou á desconfiar e ficou sério: não via ninguém até anoitecer, e pensava finalmente em fazer uma fogueira.

Sentava-se perto da praia, ainda olhando para o infinito. Levou algum tempo para achar madeira decente e suficiente para fazer uma fogueira, mas tinha certo talento com aquilo: os dias nas ruas e o treinamento de marinheiro lhe ajudava á se virar como podia. A fogueira lhe esquentava, ainda mais por estar de cueca.

Lembrava-se de uma conversa esquisita no navio em que tinha se infiltrado: diziam de uma ilha que apareceu do nada. Super assustadora diziam... lembrava-se nitidamente de fazer pouco caso e ridicularizar a "Lenda Urbana" mas, no fundo, estava impressionado com a história. Será que monstros e pesadelos davam porrada forte? Se perdia pensando nisso, enquanto abria o último coco da árvore briguenta.

Ouvia sons abafados distantes, não sabia dizer o que era, mas com certeza era algo de metal, som que logo reconheceu pelo trabalho em forja que têm praticado. Ficava curioso, e rapidamente refletia:

"Não tenho nada aqui nesse buraco, isso é...se não andei em círculos o dia todo...vamos ver..."


Se levantava, pega um pedaço de madeira bem grande conectado à fogueira e ia explorar. Ia diretamente para o ponto em que ouvia os barulhos, mas se surpreendeu em não encontrar NADA:

Yukimaro: - Mas que porcaria! Será que estou ficando louco? Qual é a desse lugar?

Música Sugerida: AQUI

Um silêncio nauseante toma conta do local, até mesmo a luz provida pela lua refletida parecia sumir. O vento parou, e de repente, tudo parecia preso em um momento além do tempo. Yukimaro instintivamente levanta a tocha como se fosse uma espada empunhada. Mas a chama parecia ser engolida pela escuridão, de uma forma que, mesmo com a chama ainda acesa, não parecia iluminar mais de 1 metro em sua frente.

"Mas o que...diabos...será que estou em coma e estou sonhando?"

A escuridão é completa. Se fosse em uma casa, uma sala específica tudo bem. Mas ao céu aberto? Tudo ficava estranho e girava nos olhos do arruaceiro. Sua tocha apaga, não permitindo que mais nada fosse visto. Estava totalmente no escuro, e novamente ouvia sons de corrente. Mas parecia ter mais de uma! O som eram de pelo menos três correntes distintas, rodeando Yuki.

Em questão de segundos, perde a paciência e lança um enorme berro em direção à uma das correntes. Desconfiava de inimigos com akuma mas, para sua surpresa, atingia um pedaço de tecido desgastado, sem ninguém ou mesmo sem correntes. Os sons silenciam...

Yukimaro: - Desgraçado...você pode teleportar? Que peça de roupa merda é essa?

Um, dois, três minutos em silêncio, decidiu tentar voltar para perto da fogueira. Mas TODO o caminho estava escuro: se chocava contra árvores, tropeçava em rochas, chegou á rolar em uma pequena colina ali mesmo. Já bastante irritado e confuso, ouviu as correntes de novo.

Yukimaro: - APAREÇA E LUTE! COVARDE! VAI FICAR SE ESCONDENDO ATÉ QUANDO?

Três correntes envolvem Yuki: uma o estrangulando, outra segurando os braços juntos ao corpo e uma terceira juntando suas pernas, forçando-o à cair. O impacto é forte, e ele bate a cabeça numa rocha, ficando desacordado.

Por horas ficou desacordado, acordando com a dor latejante da queda na rocha. Se encontrava em um local rochoso, com pouca iluminação. Enxergava o chão, uma luz bem longe.

"Merda, me colocaram numa caverna?"


Tentava se mover e despencava para o lado. Estava totalmente acorrentado dos ombros até os calcanhares. Era uma corrente firme, no entanto enferrujada e com aspecto de velha. Doía se mover, incrivelmente irritado com tudo aquilo, tentava entender o que acontecia.

"Será aquela ilha idiota que falaram no barco?"

Fazia um pouco mais de força, conseguia romper parcialmente as correntes e, com o espaço que conquistou com sua força, "desvestiu" as amarras. Estava extremamente irritado: odiava que lhe tirassem aquela qualidade que tanto dava valor...

"Desgraçados...me amarraram aqui e saíram...fizeram toda uma encenação pra tirarem minha liberdade e me deixaram sozinhos?"

Com raiva, pegava o pedaço de corrente mais alongado que havia sobrado e enrola no punho direito, como se fosse uma arma. Estava todo marcado com as correntes no corpo pela pressão que elas exerciam e, inclusive, sentia certa tontura, pelo sangue voltando à circular normalmente. A caverna era extremamente seca e áspera, causando pequenos cortes e hematomas na sola do pé pelo mero caminhar do briguento.

Yukimaro: - Hnf... espero que pelo menos seja alguém bem forte tentando me provocar...

Enquanto andava, por estar irritado não reparava em algo surreal: quanto mais andava, mais distante parecia a saída! Depois de longos minutos caminhando, se deu conta deste fato e, por conta disto resolveu sentar.

"...provavelmente estou em coma...isso não faz sentido...não poderia ser uma ilha...poderia?"

Relaxava alguns segundos e decidia tentar correr. Disparava em direção à luz e, conforme corria, ela ia se aproximando lentamente.

Yukimaro: - É agora! Eu provavelmente vou acordar!!

Ele para de ter progresso: a luz simplesmente não se aproximava. Decidiu parar para pegar fôlego e, neste momento olhou para trás. Seus olhos em choque, ele mal conseguiu completar a frase:

Yukimaro: - Ah...parede....eu...corri...andei...por horas...por que ela está...logo atrás de mim?

Música Sugerida: AQUI

Se ajoelhava: provavelmente estava perdendo a sanidade, certo? Parecia a única resposta plausível naquela situação. Como poderia estar tão perto da parede depois de tanta caminhada e corrida? Yuki começava á rir, era uma risada claramente de desespero: já estava suando e começando á ter fome.

Yukimaro: - Droga, eu morro de medo de...

Algo faz sentido para Yuki. Ele para de falar para refletir na conclusão que havia atingido.

"Se for mesmo uma ilha de pesadelos...eu morro de medo de ficar parado na vida, sem progredir ou buscar alternativas...a ideia de estabilizar sempre me incomodou... será isso?"

Se levanta e desenrola a corrente do pulso. Nesse momento reflete sobre as possibilidades, tentando fazer raciocínio inverso: tentava se convencer de que ficar parado, talvez não fosse tão ruim assim. Ficava repetindo para si:

"Pelo menos eu poderia ficar famoso e ser importante!"

"Pelo menos eu poderia casar e ter us moleques!"

"Pelo menos eu poderia criar um dojo!"

"Pelo menos eu poderia Organizar torneios de luta!"

A distância entre a saída diminuía. Parecia estar funcionando! Abria um sorriso e começava á rodar a corrente do pulso, pronto para atacar!

"Essa ilha besta vai ser fácil...o medo não vai me atingir!"

Nesse momento, a corrente no seu pulso se puxa sozinha, como se alguém segurasse-a do lado oposto e puxasse com muita força. Yuki saía do chão pela força. Começava à ouvir os sons metálicos novamente. Antes que perdesse a chance grita:

Yukimaro: - AÊ SEUS PALHAÇO...SE ME DEIXAREM SAIR E PARAREM DE GRAÇA EU POSSO ATÉ NÃO DESCER BICUDA EM VOCÊS!!!

Uma risada fria, sem direção clara começa á ser ouvida. A voz era andrógina e bem rouca: era quase como uma velha, ou seria velho? Achasse graça na ameaça de Yukimaro. Pedaços de trapo negros começam á cair do teto, logo começavam á flutuar em pleno ar.

Os retalhos se "preenchiam", como se alguém (ou alguma coisa) os preenchessem . Formas de luz começavam á emanar de dentro do tecido. Correntes se materializavam do nada em suas vestes. Yukimaro fica paralisado por alguns segundos: tinha certeza que estava ficando louco. Para ele era mais fácil se ofender do que aceitar a cena que presenciava como realidade.

Imagem: https://imgur.com/1ZzEceF

????? - Muito esperto...garoto inteligente...mas que pena....

Ainda estático, Yuki tentava formar palavras para responder, mas não teve sucesso. Em segundos, correntes (iguais ás primeiras, meio velhas e enferrujadas) iam em sua direção ou saíam do chão, se movimentavam como serpentes vivas. Se enrolavam nas pernas, cintura e começavam à apertar. Só então Yuki decide reagir.

Yukimaro: - Espero que você sinta dor...por que vou acabar com a raça de vocês seus...seus...

Começava á sentir a dor dos apertos, pareciam mais fortes que antes, ainda mais que não estava no chão! Logo correntes começavam á se enrolar em seus braços, obrigando-os á ficarem juntos, atrás dos corpo. Era visível a força que Yuki fazia para sair, apostando novamente na força bruta, suas artérias e músculos ficavam em relevo no corpo praticamente nu do guerreiro.

Desta vez, no entanto, não conseguia romper as correntes. Os três fantasmas iam se aproximando rindo. Yuki estava á poucos passos para fora da caverna.

?????? - Não....é....isso...que...mais...teme...garoto?

As correntes iam crescendo e cobrindo o corpo de Yuki. Conforme passavam pelo corpo deixavam cortes ou hematomas em toda a superfície. Já cobriam seus olhos, e pescoço, em direção para fechar no nariz e na boca. Quando a corrente passa perto da boca, Yuki à morde com força bestial: a corrente em si não cedia, mas parava de se movimentar. Mordia com tanta força que sangue escorria pela boca toda. Respirava pesado, como um animal acuado.

A corrente começava à apertar seu pescoço. Yuki se debatia como um salmão recém pescado.Em um momento de desespero, mordeu suficiente a corrente para desistirem de lhe cobrir a boca, agora bem machucada. Ele grunhia como um animal, na verdade, parecia estar virando um pelas atitudes.

Soltava um urro forte, e parecia que ganhava uma explosão de adrenalina suficiente para romper as correntes. Encarava com olhos de quem estava pronto para "matar" os fantasmas.

Yukimaro: - Já entendi qual é a de vocês... são meu medo de perder a liberdade! Pois bem...eu NUNCA vou perdê-la, pois NINGUÉM vai me ameaçar!

Parecia mais calmo, embora mais decidido: com sangue em praticamente todo o corpo, encarava os fantasmas com determinação e certeza. Encarou por segundos. Até que decidiu ignorá-los.

Yukimaro: - Vocês não vão me segurar...NINGUÉM vai!!!

Os fantasmas tentavam novamente o acorrentar Yuki mas, a cada passo, as correntes pareciam ser rebatidas por pura força de vontade. Os fantasmas paravam de rir, jogando cada vez mais correntes: elas começavam á segurar o marinheiro, que estava virando em direção á luz. Desta vez as corrente alcançam. Mas ficam sem qualquer força:

Yukimaro: - Não...vou...ser...PRESO POR NADA!!!

Apesar de estar quase todo coberto de correntes, estas se despedaçavam e viravam areia em pleno ar. Com os fantasmas acontecia o mesmo, mostrando que tinha vencido aquele desafio. Saía da caverna finalmente, tropeçando e caindo sentado logo depois. Sorria agora:

Yukimar: -...ninguém...vai me segurar...ninguém vai...me prender...eu serei LIVRE!

Parava para ver onde se encontrava e olhar para trás. Se encontrava em uma estreita passagem montanhosa, que talvez tivesse dois metros apenas. Precisaria tomar cuidado por onde andasse. A caverna na suas costas sumia, tomando o aspecto exclusivo de uma montanha.

Se levantava com dificuldades. Árvores longas e ângulo da montanha lhe impedia de descer. Escolheu seguir reto pela passagem, até que começou á descer finalmente seguindo o ritmo da própria passagem.

"Eu acredito agora que estou na tal ilha assombrada. Mas tem que ter alguma explicação...tem que ter..."

Uma figura de dois metros e trinta pousava no fim da descida. Usava uma espécie de saco de pano na cabeça e uma roupa de açougueiro. Era bastante forte visualmente, além de assustador: tinha grandes pregos saindo do corpo todo, principalmente na altura dos ombros e nos músculos do braço. Tinha uma respiração pesada, quase como um monstro real, segurava um uma grande marreta, com base de amaciador de carne.

Desconfiando, Yuki se aproximava do ser, cujo única movimentação era proveniente de sua respiração. Era um homem alto por si, mas parecia incrivelmente baixinho perto do açougueiro. Ele ficou á meio metro do ser.

Imagem: https://imgur.com/m52FFjq

Yukimaro: - Cara, posso passar? Eu realmente quero ir embora e não estou afim de mais problemas...como pode ver...os ferimentos são reais.

O açougueiro realizava um grunhido, que logo Yuki entendia como briga: mesmo ferido e desarmado tentou esticar o braço para acertar o pescoço do gigante. Com um movimento rápido, o açougueiro movimenta a grandiosa marreta e acerta o marinheiro antes mesmo deste conectar seu soco. A marreta o manda longe, quebrando duas árvores e parando na terceira, que estava afundando ainda com o impacto.

Deslocou o braço esquerdo no impacto, e com certeza tinha quebrado uma costela. cospia sangue e vomitava, sem ar, não entendia o que acontecia direito: "o soco não conectou" pensava enquanto se recuperava, e o monstro caminhava em direção dele. Pelo menos meio quilômetro havia sido arremessado.

"Droga...sem arma, roupa, nem energia...como vou vencer esse cara?"

Algo estranho acontecia: o ser parava na frente de Yuki novamente. Na mesma posição de ontem.

"...ele tá me provocando?"

Se levantava o mais rápido que podia e preparava uma voadora, mirando e querendo chutar sua cabeça. Novamente foi atingido pela marreta antes de conectar o golpe, voando e quebrando dois dedos do pé e mais uma costela.

Quase não se aguentava levantar agora. Com muita dor, se apoiava no próprio joelho com o braço que estava bom. Tentava manter a postura, mas a dor era imensa e, aquele amaciador de carne gigante havia deixado sua perne bem marcada, deixando claro que estava com muita dor.

Novamente o gigante se aproxima. Novamente fica sem atacar.

"Não tenho como vencer esse cara...é um monstro! Um pesadelo na minha frente!"

Yukimaro: - Eu só quero...passar e ir para casa...

Nada era respondido pela criatura. Nesse momento Yuki decide tentar fugir. Assim que se vira era segurado pela criatura, sendo erguido do chão. Ficava sendo segurado pelo braço deslocado. Ficava na altura de onde olhos da criatura deveriam estar. Mas não atacava, apenas respirava pesado.

Yukimaro: - Eu...só quero ir embora...chega de briga...chega...eu quero descansar...me desculpa tentar te bater...

O monstro soltava um estranho suspiro, e logo soltava Yuki. Se distanciando dele. Ele voltava á posição de antes, mas logo começava á desaparecer. Sem entender, Yuki se levanta.

Yukimaro: -Eu...não entendi...eu ia morrer e...

Começava à mancar em direção á praia, com a pouca iluminação que tinha. Recolocou o braço no lugar jogando-o contra uma parede, estava com dor, cansado, ferido e com fome. O que menos queria agora era lutar, e então entendia:

Yukimaro: - Violência...é meu medo de me tornar apenas um monstro de luta...ele era...minha violência...como eu tentei atacá-lo...ele revidava...mas quando eu pedi para passar...ele deixou...

Começava à rir histericamente. Estava no seu limite, mas não encontrava nada relacionado à praia. Encontrou um penhasco com rochas pequenas, onde poderia descer com cuidado, já com bastante dor, via uma mancha preta no fundo se movendo, parecia uma outra criatura! Dali, não conseguia ver, mas descia.

De baixo, percebeu que não se tratava de uma praia, e sim um ponto de água funda, vários rochedos e algumas algas. De baixo, um grande lobo, talvez com mais de quatro metros, estava deitado. Estava ferido, com várias flechas, chorava fino.

Música Sugerida: AQUI

Yukimaro: - Cacete, irmãozão, você aguenta!

Descia e ia de encontro com a criatura o mais rápido que conseguia, quando notava que a criatura tinha tatuagens no corpo todo. Aranhas e outros insetos já se alimentavam da ferida mortal do mamífero colossal. O olhar piedoso e corajoso do lobo fez Yuki perder o controle.

Imagem: https://i.imgur.com/R4ki9Ln.jpg

O guerreiro, marinheiro e arruaceiro começava á chorar sem parar. Quase soluçando ele se aproximava da criatura e encostava sua testa no focinho do enorme lobo.

Yukimaro: - Você....sou eu não sou?

Tentava verificar os ferimentos e cicatrizes que o animal tinha, a maioria batia proporcionalmente ás cicatrizes e ferimentos recente dele, inclusive a criatura tinha uma pata quebrada, similar aos dedos do pé.

Yukimaro: - Você não vai morrer sozinho...esse medo NÃO vai acontecer... Nós vamos vencer isso tudo cara...alguém vai simpatizar conosco...família...alguma coisa...não seremos o lobo solitário para sempre...

O enorme lobo respirava pesado, anunciando o inevitável fim. Yuki sorria enquanto chorava. Se sentia uma criança sendo avaliada.

Yukimaro: - Eu vou ficar com você ok? Você não vai morrer sozinho...alguém estará lamentando sua partida...

Depois de meia hora, a criatura morreu. Poucos segundos depois seu corpo foi desaparecendo e, em seu lugar, revelando uma canoa. Nosso herói secava as lágrimas e sorria.

Yukimaro: - Vou entender isso como um pedido de despedida...ok?

Quase sem mais força, se jogava para dentro da canoa. Era hora de buscar ajuda, dentro da canoa dois remos apenas. Quem teria deixado ali?

Com muito á se pensar naquele dia, decidiu aceitar suas fraquezas e encará-las. Estava ferido, cansado e triste, mas tinha certeza do seu objetivo.

Yukimaro: - Essa ilha...nunca vou esquecer dela...

Com a promessa de encarar e derrotar seus medos de violência, solidão e liberdade, Yuki se despedia da ilha, agora não só acreditando, mas com uma estranha sensação de gratidão. Sorria quando via um navio da marinha se aproximando mas, antes de gritar para eles, desmaiava de cansaço...

Era hora de evoluir Yuki!

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"I'm strong enough to survive alone. I'm smart enough to want companions at my side. Savagery to survive, courage to triumph."

Música Tema
Música Tema (Combates)

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Kazuma Kuwabara
 Posted: Oct 15 2017, 05:24 PM
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Kazuma Kuwabara




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Kazuma Kuwabara is Online

Estagiário




Evento

Era uma noite de tempestade e a missão dada para o jovem tritão era para resgatar homens da Marinha que tinham caído no Mar. Ele pulava no mar e resgatava os que podiam, pois mesmo sendo um (Bom Nadador) ele era arrastado pelas correntes marinhas. A luta para vencer as águas era difícil enquanto ele carregava um homem em suas costas, do navio os Marinheiros abordo arremessam uma corda para Kuwabara, que ele rapidamente amarra a corda no homem e acena para eles puxarem enquanto ele voltava para ajudar mais homens. Mais é quando ele começa a ser arrastado pelas as águas para o fundo e bate contra corais, ficando inconsciente.

Enquanto ele era carregado pelas correntes marinhas, o jovem estava tendo um pesadelo ... De quando era criança e vivia em Las Camp, foi extremamente difícil para Kuwabara no começo, ele não conhecia ninguém na cidade a não ser um jovem rapaz humano a qual tinha arrumado uma briga. Vagava entre os becos procurando comida para sobreviver quando não tinha boa sorte no mar, em uma das idas até cidade ele procurava atrás de um bar restos de alimentos. Quando é encurralado por vários humanos, que começam a dar murmúrios de risadas na direção do jovem tritão “Bandidos:-Ah, o que temos aqui?! Deve ser aquela coisa que todo mundo odeia na cidade! Você é bem feio mesmo como todos falaram”. No fim daquele tarde ele sai do beco cambaleando todo ensanguentado sem folego para chorar ou mal conseguir respirar e sem vida nós seus olhos com sorte por estar vivo, pois os homens cansaram de tanto bater nele... Nisso Kazuma acorda na praia com enorme galo na cabeça atordoado sem saber onde estava, o lugar era escuro com o aspecto horripilante cheio de Aboboras e rochas brancas pelo chão, o tritão olha para água e nota que o mar estava vermelhado coisa que ele nunca tinha visto na vida.

-Onde diabos estou?! Humm a tempestade. Deve ter alguma base ou torre da Marinha por aqui só vou ter que procurar... Esse mar vermelho nunca tinha visto algo assim aonde diabos eu vim parar.

“De novo corais! Achei que já tinha superado essas coisas.”

Ele começa a andar ilha a dentro para achar algum sinal de vida, ele caminhava escutava algum barulhos de morcegos e de criaturas rasteiras. Mais isso não o impedia de prosseguir perante a escuridão. Kuwabara não sabe mas a visão dele noturna é melhor que de outras criaturas (Visão Noturna), no caminho ele vai notando ambiente no lugar era sinistro arvores assustadoras, aboboras quebradas ou esmagadas espalhadas e uma nevoa curta que tapava a visão de seus pés. Durante algumas horas sem saber para onde ia ou o que ia fazer, ele decidi sentar e começava a cortar uma abobora com a sua foice para fazer pedaços que ele pode-se comer. A cara do tritão não era das melhores quando experimentou, mas tinha que se alimentar de alguma maneira após degustar essa horrível abobora ele se encosta contra uma arvore e descansa um pouco enquanto pensa.

“Aonde eu fui amarrar o meu burro! Cade os meus companheiros? Esses caras são uns covarde, nem para pular na água para me ajudar no meio da tempestade.”

Depois de algum tempo descansando ali o tritão se levanta e estica seus braços para cima. Quando ia voltar ao seu caminho ele escuta um grito meio fraco e roco vindo atrás de um arbusto. "Soccorroo..." O Marinheiro não exita e vai na direção do arbusto dando a volta nele pela direita, após passar ele encara uma criança mais não é qualquer criança era um tritão que parecia ter levado uma surra e estava chorando todo machucado escondido no arbusto. O Marinheiro não sabia como agir ele estava diante de um tritão um membro de sua raça e fazia anos que Kuwabara não via alguém de sua especie. Ele ficava sem reação na frente da criança, até que ele se lembra por um rapido momento o que aconteceu no passado em Las Camp ele se abala um pouco ali, mas o dever vem em primeiro lugar.

“Aonde está Yusuke quando eu preciso de um medico!”

-Você está bem? Quem fez isso com você menino. Olhe para mim não precisa sentir medo somos iguais.

A criança olhava para o tritão assustada por causa do uniforme de Marinheiro que ele possuía, ela tentava se fugir de Kazuma, mas ele segura o braço do menino sem machuca-lo vendo que ela está em choque Kuwabara fala calmamente para ele enquanto se ajoelha na frente dele.

-Não precisa sentir medo, eu estou aqui para te ajudar. Eu sou Kazuma Kuwabara um tritão e estou aqui para te salvar não precisa fugir de mim.

O menino olhava para o Marinheiro com medo, mas a oportunidade de segurança o fez chorar com certo alivio enquanto o garoto abraçava o tritão."Criança:-Ahnn ... Toces ... El... eles es.... estão me batendo. Na na na praiaaa...Ahnnn" Enquanto o menino se acalmava Kuwabara o abraçava só com o seu braço direito enquanto mantinha seu braço esquerdo livre para qualquer aparição, mas o rosto do Marinheiro estava trite também com os olhos molhados mais ele se mantinha firme sabia que não podia fraquejar na frente do menino. Kuwabara engole sua tristeza e angustia para se manter firme na situação. Após esse prevê momento ele solta o menino e se levanta olhando para ele enquanto perguntava algumas coisas.

-Tem mais alguém com você nessa ilha? Você pode me levar até esse sujeitos que fizeram isso com você? E ultimo e mais importante qual é seu nome?

Ele fazia essas perguntas para o menino que agora já estava mais calmo olhando para Kuwabara ele responde com a voz roco de choro."Criança- Estou sozinho.. me perdi no mar de minha mãe. Eu posso, eu.. eu não quero apanhar de novo. Eu me chamo Ebbo.." O Sargento ficava atento para manter o Ebbo seguro enquanto ele respondia as perguntas.

-Ebbo certo né? Não precisa sentir medo você pode me levar até ele e vou castiga-los por terem feito isso com você e depois nós acharemos a sua mãe certo! Você só vai precisar me apontar o caminho.

Ebbo acena com a cabeça concordando com as palavras do Marinheiro, Kuwabara o colocava em suas costas e ia na direção a qual o garoto apontava com sua mão. Algumas horas depois de uma longa caminhada o som do mar era escutado e o cheiro de salina era o que garantia que estavam bem próximos, antes de pisar na praia Kuwabara junta umas aboboras e faz uma especie de esconderijo para a criança enquanto dava instruções a ele.

-Caso eu não volte em algumas horas você deve ir e pular no mar e nunca mais voltar ok! Você tem que fazer isso Ebbo.

O menino concorda com a cara de choro , enquanto se escondia em meio as aboboras. O tritão após garantir que a criança estava segura sai em direção a praia e olha para os lados ainda estava noite com, mais isso não em pedia ele de notar pegadas indo para direita e pela quantidade parecia um grupo grande, mas o Marinheiro não se aflige com números ele seguia na direção. Não demora muito e que mais adiante aparece uma ruína que parecia ser no passado um bar, mas agora só sobrava um muro e caixas em volta uma fogueira estava acessa, Kazuma não faz cerimonias ele saca sua foice e começa a correr na direção da antiga construção, usando as caixas como impulso para pular sobre o muro (Acrobata). No alto ele já enxerga 5 homens que pareciam usar roupas brancas encardidas sentados em tocos de madeira enquanto um homem mais magro e alto com cabelo negro e bem vestido que estava coçando sua barbicha. O marinheiro em meio ao salto pega sua foice com as duas mãos e vai caindo em direção do homem que parecia ser o líder com o impacto da queda Kazuma pisca e sente o impacto da foice acertando algo feito de madeira quando ele abre seus olhos nota que atravessou sua foice em um caixote de madeira . O tritão so tem tempo de sentir uma pancada na parte de trás de sua cabeça o derrubando no chão de bruços meio atordoado . Quando o Marinheiro tenta se vira ele toma um chute na barriga o que faz ele ficar de costas para o chão urrando com a dor e quando ele nota os mesmo bandidos de Las Camp quando ele era criança. Kuwabara fica apavorado e começa se empurrar com suas pernas para trás em direção a caixote enquanto ele olhava para os homens com olhos arregalados.

-Nãoooo! Vocês deviam estar longe daqui. O que vocês fazem aqui!

Os bandidos começa a se aproximar de Kuwabara murmurando risadas enquanto pegavam objetos para espanca-lo, o tritão tenta se levantar para correr dali, mas derrubado com um chute nas pernas enquanto outros dois homens com porretes começavam a espancar o tritão enquanto ele berrava de dor e medo. "Bandidos- Então você é um tritão coisa feia, nos tratamos tritões muito bem nessa ilha hahaha. Primeira mulher não durou muito tempo e a criança fugio enquanto batíamos nela, ainda bem que você está aqui, já estávamos ficando enteados." O rosto de Kuwabara começa a verter sangue de rasgos de sua carne enquanto apanhava ele tinhas suas pernas e braços segurados pelos homens após 10 minutos apanhando eles param após o tritão não demonstrar mais força Kazuma estava tonto sangrando com o rosto amassado vê aproximação do homem mais bem vestido se agachando perto do rosto do Marinheiro "Lider Bandido- Acho melhor você aguentar mais um pouco eu ainda não me diverti com você hihih!" Nisso Kazuma entrega os pontos e deixa sua cabeça cair para o lado, mas quando ele faz isso a sua visão embaçada fica nítida e ele vê Ebbo escondido trás do muro observando tudo, ele não tinha noção de quanto o menino tinha visto mais o rosto de apavorado dele respondia a pergunta ele deveria ter seguido o Marinheiro. Kuwabara deixa uma lagrima sair de seu olho que se misturava com o sangue de seu rosto espalhado contra o chão. O líder dos bandidos olha para o tritão e vira na direção do rosto do marinheiro e nota o menino ali apavorado ele se levanta e vai na direção do garoto enquanto o Sargento bufava ao ver que ele iria atrás da criança, mas as força de Kuwabara se esvaiam ele já estava no seu limite. Ele piscava seu olhos e via os bandidos segurando a crianças pelas pernas e braços enquanto ela se debatia no ar e gritava, mas o Marinheiro não escutava tão bem agora um dos capangas sacava canivete o estalar do objeto lembra Kuwabara de Las Camp quando enfrentou bandidos que usavam essas armas, ele escuta passos chegando perto um dos bandidos sacava uma espada e parava do lado do peito de Kazuma segurando a lamina para baixo e a erguendo para cima. O Sargento da Marinah fecha os olhos e começa a pensar.

“Eu, não posso ajudar ninguém eu ainda sou um tritão de merda!”

É quando uma velha lembrança vem em sua mente... Um dia de sol um a 10 anos atrás Kuwabara e Yusuke estavam treinando na frente da casa do Mestre Neko, ele estava apanhando de Yusuke pois não estava revidando os golpes de maneira efetiva no final do dia seu Neko chamou o Jovem tritão para uma conversa.

Mestre Neko:- O que você teme Kuwabara-chan?Por que você não revida os golpes do seu amigo?

-Eu não consigo Sensei ele é mais forte do que eu, ele é um humano.

Mestre Neko:- Kuwabara-chan você deve acreditar no que você e não no que as pessoas dizem ou julgam o que deve ser. Lembre-se todos temos um futuro, mas se você continuar dizendo que todo os seus desafios são mais fortes que você. Você sempre ira perder meu jovem, agora vai compra leite na cidade.

Após essas lembranças mais outras começam a aparecer em sua mente..

Srta Cervy:-Meu filho mexia muito com máquinas....uma vez ele fez essas braçadeiras, e dizia que pareciam com escamas de dragão. Eu sempre achei que parecia mais com um peixe. Gostaria que ficasse com elas, rapaz....devem conseguir proteger você um pouco.

Yukina: - ...eu me lembro muito bem da sua voz, Marinheiro, quando enfrentaram o Carcereiro....mas....nossa, que pele molhada! Não, por favor, não chore....eu estou bem. Estamos todas bem. Minhas irmãs disseram que você e o outro Sargento Major Donovan também estiveram conosco quando nosso pai morreu....nós iremos nos reerguer e sorrir, sem deixar espaço pra tristeza mais nessa cidade, ok? Prometa que quando voltar a Las Camp venha falar comigo, mas fale sorrindo, meu herói de pele molhada..

Quando o homem brande a lamina para baixo em direção ao peito de Kazuma. Um grito súbito de um turbilhão de lembranças passando pela mente do Marinheiro o fazem endurece igual a aço (Tekkai). A espada do bandido se parte ao entrar em contato com a pele do Sargento e ele se ergue pegando na sua foice que estava nas suas costas presa na caixa, ele retira a lamina de sua arma da madeira. Os bandidos olham para o ele meio assustados, mas logo partem para cima com as armas deixando a criança cair no chão. Kazuma Kuwabara pega na corrente de sua foice e a girando para cima em forma circular vai brandindo golpe a após golpe contra os humanos que iam caindo um a um. Os golpes o tritão levava não arranhavam nem sua pele machucada, o rosto do tritão estava serio como tivesse despertado algo dentro dele algo muito antigo. Sobrando apenas o líder dos bandidos com a espada na mão e com as pernas tremendo Kuwabara brande o ultimo golpe partindo o homem ao meio. O tritão larga sua foice que cai no chão e se aproxima do menino que estava a chorar, ele estende a mão para o menino que para ao ver o choro ao ver ele ali de em pé.

Ebbo:- Agora nós devemos ir Kuwabara-san.

O tritão estendia a mão para o menino que quando ao pegava ele começam a sentir um tremor na ilha como se ela quis-se expulsar os dois. Eles começaram a correr em direção ao mar. Os dois mergulham e quando Kuwabara atravessa a parte vermelha do mar ele nota que estava sozinho e não conseguia achar Ebbo.
Spoiler
Bandidos

Criança tritão (Ebbo) *Usei essa imagem pois é difícil achar de tritões e ainda mais crianças http://files.b1.jcink.com/html/emoticons/sad.gif*





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A água tem que ser cristalina e o tritão tem que ser Kuwabara.





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Muffin
 Posted: Oct 15 2017, 05:40 PM
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A Quebra de um Legado

Impossível. Uma palavra tão forte, mas ao mesmo tempo, tão mal-usada. Havia ouvido isso mais de uma vez na sua, nem-tão-longa, vida, sempre mostrando para definir alguma coisa que era unicamente complicada, talvez dificultosa, mas não impossível — apenas demonstrava o quanto algumas pessoas eram incapazes de manter ter a determinação necessária para fazer o que é necessário para ultrapassar pelas adversidades que viriam em sua frente.

Apesar disso... Ela estava se questionando se usar aquela palavra para descrever a ilha que se formava em sua frente seria um exagero, ou a melhor maneira de descrever todas as formas e pontos que aquela coisa que chamavam de ilha parecia ter. É claro, ela ouviu os boatos.

Ouviu como aquilo parecia ter surgido do dia para a noite em uma rachadura entre esse mundo e o mundo dos sonhos que existiam, como tesouros existiam em cada caverna, ravina ou vale daquela ilha impossível. Em verdade, ela preferia não acreditar nesses boatos — como sempre, pessoas gostam de exagerar sobre coisas que parecem complicadas demais. Mas, no canto da sua mente, ela sentia de alguma maneira diferente no próprio ar que vinha respirando dali... Esse era estranho, fétido e com essência vil, era um cheiro que Yukako não gostava.



“Fuligem... Eu nunca gostei de fuligem. É apenas isso, talvez algum vulcão inativo ou algo assim.”

Olhou em volta da praia, para encontrar algumas aboboras crescendo bem na areia da praia, o que lhe fez franzir a testa. Deu-se por aceitar, haviam coisas estranhas nesse mundo, mesmo a mais cética das pessoas precisava admitir que algumas coisas bem estranhas poderiam ser bem possíveis dada a oportunidade. Aceitando essa anomalia, andou por entre uma trilha de pedras no chão em direção do centro da ilha, já com as armas em punho e já pronta para atirar na primeira coisa que se movesse demais.

E a primeira coisa que se movia demais, estava em um arbusto mais em frente. As folhas verde-cinzas balançaram o suficiente para algumas se soltarem na trilha, Yukako apontou as armas e, sem ter qualquer segundo pensamento, atirou contra o arbusto, fazendo o som da sua dupla de revolveres ecoar por entre o vale. Quando terminou, encarou a fumaça escapando por entre o cano por alguns segundos, antes de guardá-las no coldre, antes do seu foco voltar para o arbusto — notando que um filete vermelho de sangue escorria por entre as folhas.

A sua testa, que já estava franzida, franziu ainda mais. Com uma mão no revólver, começou a se aproximar com passos pequenos, olhando o sangue escorrer pela terra escura que fazia o solo, antes de puxar um dos galhos com força o suficiente para arrancá-lo do arbusto. Sua visão foi de um par de pequenas pernas escondidas ali, sapatos e meias sujas com sangue vermelho.



“M-Mas... O que...?”

Yukako quase pula com o susto, caindo de bunda no chão, sua respiração ficando mais rápida e forte, seus joelhos ficando fracos e seus olhos incertos do que haviam visto. Era... Uma criança, uma droga de uma criança, morta em uma poça de sangue. Ela balançou a cabeça, se levantou e correu de volta ao arbusto, puxando os galhos dele com força até que pudesse ver com clareza o corpo, não se importou das suas mãos estarem começando a ficar vermelhas e com cortes, mas parou assim que viu o dono daquelas pernas.

Se ajoelhou perante ele, suas mãos tremiam e olhos não sabiam o que manter foco. Lentamente, passou a mão pelos ombros da criança, viu os furos que ela havia feito, encarou o medo nos olhos vazios, como uma última expressão do susto que havia causado ao ouvir os disparos. Olhou-o profundamente, longamente, sem saber como reagir, sem saber o que fazer, havia matado uma criança inocente, uma criança que provavelmente estava assustada de estar naquela ilha sozinha.



— Tu realmente peidou na farofa, hein Yukako.

— Aham. Esperava mais de você.

Em um susto, virou-se para trás, encontrando Yusuke e Kuwabara lhe encarando com olhares julgadores. Abriu a boca para falar, mas a única coisa que saiu foi um som ínfimo, quase como um suspiro e um sussurro, não era capaz de negar, não era capaz de falar, não sabia o que falar. Não havia o que falar, ela era culpada, ela cometeu um erro maior que custou uma vida inocente. Sua cabeça baixou, incapaz de encarar os seus companheiros de equipe uma vez mais, incapaz de falar algo ou fazer algo, por pura vergonha de si mesma.



— Sargento Yukako Yamagashi, você está sendo acusada de assassinato em serviço. Como responde por essas acusações?

Quando levantou a cabeça, estava em um tribunal, centenas de marinheiros a encaravam das sombras, seus olhos lhe julgavam, os sussurros falavam sobre os erros que ela já havia cometido no passado. Suas mãos estavam presas por uma algema como a criminosa que ela era. Olhou para o Almirante de Frota Sengoku, um homem que havia visto apenas em livros que havia lido na base em Las Camp, sabia que havia apenas uma coisa a dizer perante o seu maior superior.



— Culpada de todas as acusações, senhor.

Sua cabeça voltou a se baixar e a escuridão em sua volta começou a tomá-la — sentiu-se vazia por dentro, incapaz de uma simples lágrima cair... Ela havia falhado, falhado no que havia se cometido de fazer durante toda a sua vida, falhado em tentar seguir os passos de seu pai, tinha que trazer honra para a sua família.

Na escuridão, ela se deitou no chão, quase como como um feto no útero — escuro e úmido. O fato de estar em posição fetal ajudava também, se sentia quebrada, incompleta, como se aquilo tivesse retirado não apenas um posto da Marinha se si, mas trazido desonra para o legado que seu pai havia construído durante todos os seus anos de serviço. Aquilo que havia feito foi a rachadura que quebrou todo o esforço que, não apenas dela, e havia sido a rachadura que destruiu Yukako por dentro.

A sua última camada se foi quando pensou nisso, fazendo as lágrimas começaram a escorrer de seus olhos. Não chorava haviam vários anos, não chorou quando o seu pai morreu, não chorou quando quebrou o braço caindo de uma árvore, não chorou quando grudaram chicletes em seu cabelo quando era criança. Ela chorou, sua última vez, quando recebeu um presente de seu pai — a pistola que leva consigo no coldre, que tem estado com ela na Marinha, que tem a protegido com a força fraternal, fosse contra macacos voadores, piratas demoníacos ou foras-da-lei num geral.

Seus pensamentos a deixaram tão longe que nem foi capaz de notar que havia uma forma brilhante que acabava com uma parte da escuridão. Apesar de olhar para a figura, seus olhos não aceitavam o que olhava e a sua mente era incapaz de conceber o que via.

Por um momento, a sua mente saiu do foco de toda a vergonha que sentia, entrando em jubilo ao ver Kohaku Yamagashi uma vez mais. Em verdade, ela não soube como reagir depois que a confusão e a felicidade passaram, mas se levantou — não importava como ou onde, deveria se respeitosa perante o pai. Seu olhar trazia confusão, suas mãos ainda estavam trêmulas e, de uma maneira que nunca viu antes, seu pai lhe encarava com um olhar irritado.



— Pa-Papai...?



— Eu esperava mais de você, Yukako. Você era a minha garota perfeita, moldada para ser a perfeição da Marinha. Eu tinha tantas expectativas, tantos sonhos... Eu acreditava em você, esperava que minha filha iria cumprir o legado que eu tive, que seu avô teve antes de mim... Mas a única coisa que você trouxe para os Yamagashi foi vergonha.

Com o último prego no caixão, a única coisa que pôde fazer era abaixar a cabeça, aceitar o que havia acontecido, aceitar o que viria depois disso, aceitar uma vida como criminosa, aceitar uma vida como... Uma vergonha para o seu pai?

Lentamente levantou a sua cabeça, encarando os olhos irritados de seu pai, impossivelmente desgostosos com ela, impossivelmente bravos de uma maneira que ela nunca viu durante todos os anos da sua vida com ele. Impossivelmente... Impossível.

Sua habilidade de tirar uma arma do coldre tinha aumentado nesse tempo que serviu a Marinha, mal demorava um segundo, o que ajudava era que o coldre tinha sido melhorado para que The Gift fosse retirado com velocidade e destreza. Quando retirou a arma, apontou para o seu falso pai — sem um segundo pensamento — atirou contra o seu rosto, quebrando os seus óculos que dispersando toda a escuridão em apenas um disparo bem colocado. O corpo dele, sangrando, caiu sobre uma pedra do vale de Nightmare Island.



— Você quase me pegou, aberração. O seu erro foi acreditar que o meu pai tinha tanto apreço pelo legado como eu tenho.

Observou a criatura tomar forma aberrante, antes de fugir por entre uma ravina. O que foi muito bom, apesar do exterior ter voltado ao inexpressivo padrão, Yukako respirava com alguma dificuldade, sentia-se quebrada por dentro. Mas, também tinha uma nova força naquele momento, tinha um novo sentimento a sentir sobre si mesma: orgulho.

A ilha em sua volta, porém, estava tão despedaçada quanto Yukako estava alguns minutos atrás. Sua retirada começou de maneira lenta, voltando a praia onde encontrou as aboboras, fazendo o caminho de volta com as notícias de como Nightmare Island estava voltando para o lugar de onde veio, um lugar que não deveria ter saído. Enquanto ela ia sumindo, seu olhar ficou mais relaxado, um sorriso quase tímido apareceu em seu rosto.



“Eu espero que, onde esteja agora, papai... Você possa ter orgulho em mim também.”



This post has been edited by Muffin: Oct 15 2017, 07:23 PM

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Raron
 Posted: Oct 15 2017, 05:55 PM
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Os boatos de uma ilha que acabara de deixar o mundo dos sonhos e permeava em várias águas, atiçava tanto a curiosidade quanto a cobiça do capitão da Araiguma, como todos os outros membros estavam em uma estância descansando, ele não viu motivos para não pegar o Dead End e verificar as coordenadas dessa ilha que pareciam próximas de onde eles estavam.

Como um exímio navegador, o guaxinim chegava até a ilha e encontrava ela em toda a sua exuberância e estranheza, era algo incomum e repleto de uma energia muito pesada, o pelo do bestial ficava eriçado só de descer em tal local. Raron era conhecido por ser um ser absurdamente racional, porém sua origem como mink o deixava com vários medos enraizados, porém o primeiro "pesadelo" que o ataca era um ligado a sua habilidade.

O navio que ele considera como um filho por ter sido sua maior obra até o momento e a que mais se dedicou, era raptado, por algo que só poderia vir dos pesadelos mais insólitos do guaxinim. Uma gigantesca ave de rapina e uma enorme cabeça de corujão orelhudo, com patas de de coiote, um enorme rabo de raposa, e misturado as penas um pelo tigrado característico de grandes felinos. A criatura sobrevoa o barco o levando, e neste momento o guaxinim olha estarrecido petrificado de medo, pois aquela era uma criatura que personificava todos os predadores naturais de um guaxinim, além de ser de um tamanho descomunal.

O capitão só teve tempo de cair de joelhos e chorar pelo seu bem mais valioso, até que um vulcão na ilha explode fazendo-o ganir de maneira muito aguda e correr na direção contrária do barulho, desastres naturais sempre foram um dos grandes medos de animais selvagens e durante muitos anos Raron pensou ser apenas um animal selvagem, e ele havia voltado ao estado primitivo, e buscando a sobrevivência pelo medo, e buscava abrigo. No entanto, só conseguiu em sua correria tropeçar e cair em um precipício que se abria insistentemente a sua frente, até que ele fora arrebatado por um tornado dentro desta formação geológica. Chorando e ganindo ele se lembrava do que tinha perdido, o barco, dos que não mais veria, seus amigos, e que iria morrer esmagado por um desastre natural, enquanto, sua cria, o Dead End seria lentamente destroçado por aquela criatura.

Porém, um impeto nascia deste desespero. A noção de que ele não era uma presa, e sim o REI dos predadores, expandindo sua percepção consegue novamente usar o poder do Kenbushoku Haki, percebendo onde poderia atirar sua arma gancho para sair daquele vórtice mortal. Logo em seguida reunindo toda sua determinação ia em direção ao barulho do vulcão, coletano o que precisava no caminho para extrair o enxofre e fazer pólvora, muita pólvora. Tirando sua camisa fazia dela um envoltório com pavio para a imensa bomba que tinha feito, e com sua calça, fazia um mini espantalho cortando pedaços de vegetação e pedaços de pelo de sua cauda, e ferindo um pouco o tronco para ali cair sangue.

Era hora de caçar a grande fera, o leão era o normal rei dos animais, mas naquele momento o guaxinim capitão da Araiguma precisava salvar seu barco, e mais importante que isso, precisava voltar para salvar sua tripulação, eles sempre dependeram dele, apesar de ser o mais fraco fisicamente, era o mais astuto deles, e isso havia rendido a sobrevivência de todos até aquele momento, e o CAPITÃO deve salvar seus tripulantes.

Rastreando a ave chegou até o seu covil, esgueirando-se para dentro, pôde ver a criatura que cutucava fortemente o casco do Dead End tentando perfurá-lo, ainda bem que o mesmo era de metal. Raron se escondia em um vão de rocha colocava o espantalho a postos e fazia um barulho, ao ver aquele pequeno pedaço de petisco a fera enlouquecida vai em direção ao mesmo e quanto estava perto o suficiente, Raron chuta o espantalho e a fera para acompanhar a caça vira sua cabeça, pegando sua presa e a engolindo, porém essa brecha era aproveitada pelo mink que agora estava pendurado nas penas da cabeça e andando com muita cautela vai até o orifício auditivo, ascende sua bomba, e espera o momento certo para jogar.

Para o azar de Raron, a ave sente o cheiro de algo queimando em sua cabeça e balança fortemente, o bestial lança e encesta a bomba dentro do buraco auditivo da fera, mas ele cai de costas a frente do inimigo, uma ou duas costelas quebradas, e a criatura vira e usa sua pata dianteira para pisar no frágil guaxinim, resultado, sua perna esquerda era prensada, provavelmente os ossos se quebraram, o ataque era formado para destroçar o guaxinim, mas, cabum, a tampa de cima da cabeça na altura do bico explode feito uma abóbora, a fera e mais o último medo de um frágil guaxinim eram vencidos, para dar vazão ao predador que se tornava.

A caverna parecia ruir, assim o convalescido Raron, usava sua arma gancho para ir até o Dead End, ligava os motores do modo hovercraft e partia com tudo, mesmo com a perna quebrada ele conseguia pilotar seu "querido filho". Porém, não era só a caverna que ruía, mas toda ilha, então a todo o vapor ele ia para o mar. Viu varias pessoas correndo e fugindo dos próprios pesadelos, ou mesmo os enfrentando, fez questão de passar longe de todos para não ter de salvar ninguém. No mar, enfaixou a perna e cuidou das feridas. Indagado por todos quando chegou na ilha em que estavam, respondeu apenas.


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Fui praticar esportes radicais e vencer alguns medos, me quebrei um pouco com isso, coisa pouca, umas costelas e a perna mas valeu a pena...




This post has been edited by Raron: Oct 15 2017, 06:12 PM

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Seth
 Posted: Oct 15 2017, 06:59 PM
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Seth




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“Nightmare Island…” O Chacal sussurrava para si próprio, conforme a embarcação aproximava-se da pequena ilha. Havia acabado parando ali por um contrato de caça, as últimas informações que conseguira indicavam que sua presa havia seguido para tal lugar. Tesouros e riquezas de outro mundo…, pensava, enquanto encarava a ilha. Esta possuía uma coloração bizarra, que parecia afetar até mesmo a água ao seu redor. As poucas construções eram de uma pedra estranhamente linda, confundível com um mármore claramente puro. Para completar, era infestado de abóboras de um laranja vibrante, que provavelmente fariam tortas fartas. Irus levanta levemente uma das sobrancelhas, o rosto trancado na mesma falta de expressão de sempre. Nem um pouco suspeito.

A embarcação navega por mais alguns minutos, antes de parar bruscamente. Arash sacode-se, emplumando as penas por causa da maresia. Não leva muito tempo para o capitão descer e andar até a dupla, com uma mão em sua cintura.

“Nós só vamos até aqui.” Ele aponta para um dos botes na lateral do navio. “Um de meus subalternos vai te deixar lá na praia, mas é o máximo que vou fazer por você, Mink. E você pagou só pela vinda.” Ele sacode a sacola de Beris que Irus havia dado, antes de virar-se de costas e gritar para um jovem magricelo que estava por perto. “NICK! Suba na droga do bote e deixe o cliente lá! Você tem 10 minutos ou vai ficar sem janta por hoje, ainda temos entregas para fazer, não temos o dia todo!”

A comando do capitão, Nick guia Irus para o bote mais próximo, preparando para a descida. O garoto não aparentava ter muita idade, e parecia ter se juntado à tripulação há pouco tempo. Era magricelo, encharcado de suor, com um odor próprio forte de quem precisava com urgência de um banho. Seus músculos, quase inexistentes, estavam forçados, indicando que trabalhara o dia todo com carregamento...seja lá do quê fosse. Além de uma aparência exausta, demonstrava um pouco de medo do Chacal, e ainda mais de Arash, sua coruja das neves com tamanho anormal. Toda vez que o companheiro chacoalhava conforme o balance de Irus, Nick contraía-se, dando um pulinho para trás e colocando distância dos dois. Arash olhava para Nick, curioso, também toda vez.

Quando finalmente estava tudo pronto, Nick indicou para a dupla subir no bote. Com os três dentro, soltaram-se e o garoto começou o árduo trabalho de remar até a ilha. A ida era lenta, mas Irus não o culpava. Ele aproveitou o tempo para acostumar-se com o cheiro da ilha, estranho até então. Não conseguia comparar com nada certo, mas seu olfato lhe dizia ser uma mistura mal feita de açúcar, umidade e...putrefação. Algo estava se decompondo perto da praia. Ou a ilha toda, sugeriu, voltando-se para ela. Ele abaixa um pouco o lenço em seu focinho brevemente, a tempo de perceber que o odor não ocupava só uma faixa, mas a área toda ao redor da ilha. O Chacal franze os músculos das narinas com uma careta. Rapidamente subia o lenço, querendo evitar aquilo tudo ao máximo.

“Ugh… I-isso... vem da ilha?” Perguntou Nick, também cobrindo o nariz. Sua voz mais parecia um sussurro para si do que qualquer tentativa de puxar assunto com a dupla. E provavelmente era.

Algum tempo após, os três chegam à praia. Nick não desce do barco, medroso. Somente certifica-se de que não havia nada mais de Irus no bote antes de partir de volta para a embarcação. A dupla logo torna a andar, para dentro da ilha.

A caminhada era vagarosa. Não conheciam o local direito, e tudo nele parecia dizer que havia algo de errado. Irus não ousou por Arash em voo.

“Não houve relatos de civilização alguma.”, o Chacal tornava a falar, “Alguns casos sem memória, outros desaparecidos e… Ninguém que voltou possuía o que havia procurado da ilha.”, Ele dá uma olhada de canto para a coruja. “O que estamos procurando não é da ilha.”

Arash encara o dono, mas logo assente em concordância, retomando a atenção para o caminho que faziam. A princípio, pareciam estar seguindo uma estrada de tijolos acinzentados, as abóboras da praia contornando todo ele, com árvores mortas ou de folhas escuras de distância considerável entre uma e outra. Contudo, conforme avançavam, a mata ficava mais densa e os tijolos menos visíveis. Não havia um som de animais se quer.

Está tudo quieto… demais, pensou o Chacal, passando o olhar por toda sua frente. O único barulho que escutavam era dos próprios passos de Irus. O odor também não facilitava o “passeio”, forçando-o a manter o lenço sobre o focinho durante todo o processo. E o cheiro de decomposição não parece amenizar. Ele dá uma nova olhada para Arash. O olfato de seu companheiro poderia não ser potente como o seu, mas ainda era melhor que o de humanos. Obviamente, também estava sendo afetado: fazia caretas e virava a cabeça com desgosto de tempo em tempo. Vamos ter de aturar isso até acharmos a presa.

Mais algumas horas de caminhada passaram, e nada de novo aparecia para a dupla. A mata continuava densa, os tijolos ainda semi enterrados e o som só era produzido pela caminhada do Chacal.

“Estamos dando voltas, talvez?”, pergunta para a coruja. Esta que logo nega para o dono. Tinha certeza de que não estavam andando em círculos… mas também não sentia que estavam andando há algum tempo. Arash dá duas batidinhas no ombro de Irus, antes de piar para ele. O Chacal interrompe a caminhada, atento ao companheiro. Ela gira a cabeça, observando a área. Estava ficando desconfortável com a situação, e Irus notava isso. “Não estamos andando, não é? A ilha não era tão grande para não modificar o cenário até agora.”

Foi quando Arash assentiu com a cabeça que… CRACK!, um alto som de madeira grossa sendo quebrada em segundos surge atrás deles. Juntamente, uma pressão em suas cabeças, mas que logo desaparece. Virando-se para o sentido do barulho, a dupla deparava-se com uma densa névoa, inibindo o que quer que havia atrás dela. Atentos, esperaram algum outro som surgir, mas o silêncio reinava novamente. Vendo que não daria resultado, o Chacal folga ligeiramente o lenço de seu focinho, esperando que seu olfato chegasse à alguma resposta mais sensata que sua visão. Um cheiro árido e ferroso invade seus pulmões. A surpresa é tanta que seus olhos se arregalam pelo tão conhecido odor.

“Arkhen...”, ele sussurra, espantado. Arash imediatamente olha para o dono, também sem acreditar. “É o cheiro de Arkhen…”

Os pés do Chacal começam a caminhar em direção da névoa. O grande manto branco desaparecia por entre a mata, revelando uma das ruas principais da Ilha Minguante. As típicas casas de no máximo dois andares cercavam-na em seus dois lados. No seu final, porém longe, estava a Torre Central. Não havia movimento algum de qualquer ser vivo e os raios de sol iluminavam toda a cidade, completamente diferente do clima até então.

“N-não é possível…”, sussurrava novamente. Estava incrédulo, não havia como ter ido parar ali. “A Nightmare Island…”, ele inspira profundamente outra vez, mas não detectava nem um rastro do cheiro pútrido da outra ilha. Ao virar-se para trás, não havia nem mais o caminho do qual a dupla veio, somente a continuação da rua de Arkhen. “..o quê..?”

Arash também não sabia como reagir. Por ser uma ave, senso de direção sempre fora seu forte. Agora, não sabia mais o que pensar. Seus instintos havia desaparecido, e pela primeira vez em sua vida admitia estar perdido. Com medo, começara a piar baixinho, desconfortável com toda a situação.

Assim, a dupla ficou estagnada por algum tempo. Parados e sem como prosseguir, estava buscando alguma ajuda de seus próprios corpos, mas estes pareciam não mais responder. Isso não era natural, pensavam. Havia algo perigoso na ilha, causando tudo aqui. Contudo, mesmo sendo a resposta racional, era difícil de aceitarem isso quando seus instintos estavam completamente fora de si. Não tinham muita opção.

Seguiram pela rua, em direção à Torre Central. O medo e o desconforto competiam fortemente com o sentimento de nostalgia que surgia em seus peitos. Afinal, foi em Akhen que o primeiro encontro dos dois ocorreu. O mais bizarro era o fato daquela rua ter sido a mesma da taverna que Irus estava hospedado, e não demorou muito para ncontrarem-se em frente à ela. A única diferença era que estava completamente vazia.

Confuso, Irus deixa a mente vagar para o primeiro dia com Arash.

--

“Como você está se sentindo?”

A coruja branca abre os olhos lentamente, conforme sua visão ia voltando. Estava ainda tonta e sentia uma dor intensa no lado esquerdo de seu corpo. Não conseguia levantar.

“Você dormiu por três dias, precisa comer. Só não se mova, eu levo até você.”

Ela escuta passos se aproximando. Fica inquieta, piando baixinho, desconfortável com o vulto não familiar...até sentir o cheiro da comida. Virando o que podia de sua cabeça, a coruja encontra uma mão oferecendo-lhe um filete de carne fresca. Mesmo querendo recusar, seu estômago não mentia. Acabou comendo.

“Não sou um veterinário, mas conhecia um na cidade.” O vulto afasta-se novamente, os passos ficam distantes. “O quê uma coruja das neves está fazendo numa ilha de verão?”

Ela o encara após a pergunta. Para ser sincera, nem ela sabia. Lembrava que estava migrando, mas o local para onde ia fugia-lhe a cabeça.

“Você foi perseguido por caçadores” , ele acrescenta,“Sua asa e seu peito foram atingidos. O veterinário já tratou de tudo, no entanto.”

Os olhos da coruja fecham-se, aliviada. Certamente, havia tido sorte de ser recolhida por ele. Não tinha real certeza de suas intenções, mas… se fizera isso tudo até agora, certamente não era perigoso. Voltando a encará-lo, notava seu porte alto e músculos definidos. Seus pêlos eram negros como a noite, os cabelos mais ainda. Longos, desciam até depois de sua cintura, presos num rabo de cavalo preguiçoso. Seu rosto era magro, porém definido. Havia uma cicatriz no lado esquerdo dele, e sua cor contrastava com os olhos dourados como ouro, justamente iguais aos seus próprios. Não vestia quase nenhuma roupa, exceto uma bermuda bege larga, que parecia ser usada como pijama. Provavelmente havia acabado de acordar, também. Notando que ainda estava sendo observado, o vulto torna a falar.

“Irus. Eu sou um Mink Chacal, ferreiro na maior parte do tempo, mercenário quando possível, dependendo do trabalho.” Ele põe-se de pé novamente, começando a arrumar a própria cama. “Você pode ficar por aqui até estar pronta para voar.”


--

“...ruuu?” Arash pia, encarando-o curioso com a demora. Não havia notado, mas Irus estivera parado por um bom tempo na frente da taverna. Ele olha para o companheiro, e lhe faz um carinho rápido.

“Me desculpe, Arash”, diz, retomando o passo logo após. Não costumava relembrar momentos tão antigos, mas todo o ambiente anormal estava afetando-o mais do que podia perceber. Já a Coruja, fora seu grande desconforto pela falta de localização, não estava tão inclinado a tais hábitos incomuns, só queria sair dali o mais rápido possível.

Quando finalmente chegaram aos pés da Torre, o Chacal foi em direção às porta. Para a sua surpresa, abre sem dificuldade.

“Está...aberto?”, sussurra para si, semicerrando os olhos e tentando ver o interior da torre. “Escuro demais…”

Incerto, Chacal prepara-se para dar um passo para dentro, mas suas orelhas remexem-se ao detectar um fraco som vindo de sua frente. Havia algo lá dentro. Ele retira sua lança das costas, desamarrando os cintos que a prendiam. Arash inclina-se para frente, as asas abertas ameaçando voo. Das sombras, surge uma criatura quadrúpede, de costas curvadas e corpo, ao mesmo tempo que grande, magricelo. Parecia frágil.

“Arash, para cima. Mas não vá tão longe, não sabemos onde estamos.”

A coruja vai para cima, distanciando-se da batalha. Encarando o bicho, ficava evidente de que era algo bizarro, completamente surreal. Suas patas dianteiras mais pareciam estacas de madeira, os cabelos eram compridos e desgrenhados, chegando até o chão. Arrastavam-se conforme a criatura andava. Não possuía rosto, no lugar havia uma máscara branca e lisa como as construções da ilha. Sua respiração era inexistente.

Apesar da aparência fraca, a criatura era tão rápida quanto o Chacal. A troca de golpes, após o começo, era constante, sem pausas. Conforme o tempo passava, mais cansado Irus ficava. Por ter de dedicar suas duas mãos à Solar, enquanto a criatura tinha a facilidade de atacar com as duas estacas, tinha de compensar a arma a menos com velocidade para conseguir bloquear dois golpes seguidos.

Dos céus, Arash observava o dono, preocupado. A dupla estava alterada devido a falha de seus instintos, nenhum dos dois poderia dar 100% do que sabiam contra a criatura. Arash sentia que precisava agir se quisessem derrotá-lo. A coruja, então, começa a ganhar velocidade na medida do possível, já que não estava tão distante da batalha. Iria pegar impulso e tentar atingi-la na cabeça e...

“ARASH! PARA CIMA!” O Chacal grita, logo nos primeiros segundos da descida do companheiro. “NÓS NÃO SABEMOS O QUE ESTÁ ACONTECENDO, NÃO SE ARRISQUE.”

Arash abre as asas, assustado, parando em meio voo. Mesmo receoso, ele mantém-se no ar, obedecendo Irus. O Chacal estava certo, nenhum dos dois sabia a real situação de onde estavam. Era provável que seu comando fosse a decisão certa a tomar.

Contudo, não mudava o fato de que estava preocupado. Algo ainda não parecia certo.

A luta continuou por bastante tempo e o único que estava perdendo fôlego era Irus. Estava exausto, a respiração abafada, e suor percorrendo seus pelos negros. Justamente sua stamina foi o seu maior problema.

Quase caindo no chão, não teve forças para desviar de uma estocada da criatura, que acertou-o em cheio nas costelas direitas. O Chacal é arremessado, mas não muito longe, e a criatura imediatamente seguiu para cima dele, juntando as patas em um formato de V.

Golpe final, eh?, pensava ironicamente. Na direção contrária a elas, segurava Solar numa tentativa desajeitada de bloquear o golpe. Contudo, lá no fundo, sabia que não seria o suficiente.

A criatura ataca.

Mas Irus não sente dor.

Ao seu lado, encontrava-se um amontoado branco de penas, imóvel.

“...Arash..?”, o Chacal chama com a voz trêmula. Estava pálido. “...Arash?!”

Quando fez menção de se aproximar, o monstro o impede com uma das estacas. Irus olha para ele, sem expressão alguma.

Nunca havia sentido a necessidade de alguém.
Nunca havia precisado da presença de alguém.
Nunca gostou de branco ou de frio.
Sempre fora sozinho.
Até Arash.

“Eu não posso te perder…”, sussurrou, relaxando os músculos. A dor era insuportável. Ele deveria ter desistido do contrato assim que pisaram na ilha. “...Ele sabia que havia algo errado… Eu sabia que havia algo errado…”. Arfando, uma pequena lágrima escorria por seu rosto. Não merecia o companheiro que ganhara. “O quê eu…”

“...Irus…”

O Chacal ri da própria alucinação.

“...Irus…”

...Até perceber que realmente havia alguém lhe chamando. Ele olha para o canto do corpo branco, enquanto a criatura aproximava-se de si.

“Não é sua culpa, a decisão foi minha…”, a coruja vira a cabeça, com dificuldade. “Eu que sempre quis me dedicar a você, se minha morte é para mantê-lo vivo… eu não preciso de mais nada.”
Uma fisgada atinge o Chacal. Tinha medo dos dias que viriam sem o companheiro, tinha medo de acordar sem o agrupamento de penas em seu peito, tinha medo… mas, para a coruja, não era o mesmo? Irus faria de tudo por Arash, e ela sabia disso. Ela faria o mesmo. Um não queria perder o outro.

Seus instintos começam a ganhar força novamente. Não morreria, conforme os desejos de Arash. Muito menos deixaria seu companheiro morrer. Banhado de adrenalina, o Chacal ajoelha-se, a dor inibida temporariamente. A criatura para, surpresa, encarando-o. Em um piscar de olhos, Irus dispara para o corpo branco, passando pela criatura entre seus pontos cegos. Em seus braços, sentia o coração da coruja batendo, e para si, isso já era o suficiente. Precisavam se afastar dali o mais rápido possível.

“Irus…”, sussurrava a coruja, com dificuldade, “Nós estamos em uma prisão ilusória.Aqui não é Arkhen… a ilha está pregando peças…””, ela solta umas risadinhas tristes, era óbvio a partir do momento que conseguiu conversar na mesma língua que o dono.

“Não, Arash. Uma ilha não faz isso, algo na ilha está causando isso.”, responde, enquanto ainda estava consciente na corrida.

“Quando… comecei a sentir que não estávamos mais andando… foi logo antes da cidade. O barulho da madeira… a pressão na cabeça…”

Irus e Arash se entreolham, assustados. A pressão na cabeça.
O Chacal segura Arash contra seu peito, uma das mãos passeando pela nuca do companheiro. Para a surpresa dos dois, havia algo ali. Algo gelatinoso. Assim que Irus encosta, o parasita revela-se, ocupando quase toda a parte superior da cabeça da coruja. Possuía tentáculos que fincavam-se em suas veias, outros, contudo, simplesmente ficavam soltos, emitindo uma cor luminescente.

“Remova-o”. A coruja pedia, imobilizada. Com dificuldade, seu dono puxa a criatura, que murcha ao desconectar-se dos vasos sanguíneos de Arash. Quando jogou-a no chão, começou a notar a leveza do companheiro, percebendo que havia algo de errado. Arash estava desaparecendo.

“Em você..” Indica a coruja, notando o olhar assustado dele. Sua voz estava fraca, e assim que terminou a fala, seu corpo já não mais estava ali.

Repetindo o que fizera com ela, Irus detecta o parasita, que se revela, e logo o remove. Começou a sentir-se mais leve, enquanto seu corpo ficava transparente.

Em poucos segundos, só enxergava escuridão.

--
“Está pronto?”

A coruja assente, batendo levemente as asas. Estivera em recuperação há semanas, já estava mais que na hora de voltar a degustar os céus.

“Voe do meu braço até aquele galho, sim?” O Chacal indica um galho não muito longe. A coruja assente mais uma vez, já preparando-se. Quando Irus finalmente dá impulso para ela, larga de seu braço e voa desajeitadamente para o ponto combinado. Não foi seu melhor trabalho. “Agora, volte.”

Focando-se melhor, ela dispara novamente. Dessa vez, seu vôo estava mais firme, direto e limpo. Surpreso, o Chacal faz um pequeno carinho em seu pescoço, assim que retorna para si.

“Muito bem.”


--

Irus abre os olhos imediatamente. Estava deitado em uma grama acinzentada e gelada, na sua direita escutava gemidos de dor. As duas criaturas que removera de si e de Arash pareciam estar agonizando no chão, sem um hospedeiro para viver. O Chacal encontra o companheiro encolhido sobre seu tronco, desacordado. Pelo o que tudo indicava, estavam em meio a estrada de tijolos, justamente onde havia escutado o som da madeira.

Estávamos certos, foi a partir daqui, concluiu, olhando ao redor. Aliviado, retira o contrato de caça do bolso, ao sentir que ainda estava consigo. Para sua surpresa, não havia mais nada escrito, agora era só um pedaço de papel. Desde o princípio… foi tudo uma isca?, se perguntou.

Com muitas dúvidas e poucas certezas, só podia aceitar que não deveriam estar ali. Ele recolhe Arash em seu colo e caminha de volta à praia, após amassar o papel do contrato e jogá-lo para longe. Com sorte, havia um navio passando por perto, e com uma quantia em beris, conseguiu ir para a próxima ilha.

Já nos seus cômodos, Arash ainda estava desacordado. Mas estava vivo. Havia sido difícil tudo o que passaram lá, porém havia tirado algum proveito da história toda. Havia escutado a voz de Arash, havia reconhecido a si próprio.

Ele aconchega a si e a coruja, antes de apagar na cama, exausto. Com a mente ainda um pouco afetada pela ilha, suas memórias novamente invadem seus sonhos...

--

Estava num sono leve, graças a temperatura baixa da noite. A dupla havia montado um acampamento simples e rápido, procurando agilidade para aproximarem-se da presa e acabaram por não ficar em uma taverna. Graças a qualidade baixa do sono, acabou sendo acordado ao sentir uma pequena fonte de calor que não estivera lá quando deitou-se algumas horas antes. O Chacal, curioso, levanta cuidadosamente o cobertor que usava, até começar a notar a grande bola branca que aconchegava-se perto de si.

Arash, notava em seus pensamentos. A coruja das neves provavelmente notou o desconforto de Irus com baixas temperaturas e acabou decidindo aquecê-lo durante as noites. De maneira vaga, começou a perceber que não era a primeira vez que o companheiro o fazia, havia sentido esse pequeno calor confortável outras vezes em suas viagens. Com um sorriso quase invisível, ele aconchega-se mais perto dele, feliz.


--

Com certeza, não queria perder o companheiro. Seus anos juntos havia tornado necessária a companhia de um para com o outro. O que viveram na ilha pode ter sido terrível para a dupla, mas talvez, por essa experiência, devesse também agradecer a ilha. Seu medo não iria desaparecer do dia para a noite, pois o fato de que um dia acordaria sem tê-lo ao seu lado não mudaria. Contudo, sabia que o medo não era só seu, era compartilhado com Arash. Seus laços com o companheiro nunca estiveram tão fortes.

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Yusuke Urameshi
 Posted: Oct 15 2017, 07:01 PM
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Yusuke Urameshi




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Yusuke Urameshi is Online

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Encerrado o tempo de postagem.


Neste mesmo tópico votem até dia 22/10. Ás 19 horas novamente. Caso alguma das narrativas não contenha algum dos quesitos nos informem, iremos ler e comprovado a narrativa está fora do páreo. Avisando apenas quem escreveu pode votar, a não ser que seja eliminado, neste caso o voto não conta.
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HeroMadao
 Posted: Oct 17 2017, 04:29 PM
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HeroMadao




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HeroMadao is Offline

Marinheiro




Votação:

Jogador: Yusuke
Motivo:
De certa forma, nos inspiramos no mesmo personagem, apenas em camadas diferentes. Achei incrível como desenvolveu o medo subjetivo dele tão rapidamente, e em uma situação tão tensa.


Jogador: Seth
Motivo:
O jogador não é "da minha época" hehehe. Mas eu gostei da construção da aventura e foi bem imersiva. Achei interessante como se desenvolveu também.

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thalisontrm
 Posted: Oct 18 2017, 09:20 AM
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thalisontrm




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thalisontrm is Online

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Votação:

Jogador: Heromadao
Motivo: Gostei de como a história foi desenvolvida, além da ideia da trilha sonora. Kkk E a superação de vários sentimentos transformados em medos.


Jogador: Berenaldojr
Motivo: Achei interessante a ideia de um personagem atualmente bondoso encobrir um passado sombrio que volta, mesmo que em mente, para pertuba-lo. A escrita inusitada também foi interessante de se ler.

This post has been edited by thalisontrm: Oct 18 2017, 09:21 AM
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Muffin
 Posted: Oct 18 2017, 01:31 PM
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Muffin




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Muffin is Online

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Meus votos irão para:

Seth, porque gostei da maneira que foi construída a narrativa e a velocidade que ela foi levada. Além de fazer realmente parecer com um sonho, que lentamente se tornou um pesadelo.

Raron que, apesar de ter sido curta, foi da maneira que um pesadelo se apresenta: caótico, imprevisível e estranho, mas ainda deixando o medo do guaxinim bem definido — também me diverti lendo, o que ajudou-me a decidir.

Menções honrosas para o Madao, o Kai e o Shad. Ótimas fics, mas acabei escolhendo os dois acima por um motivo menor ou outro.
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