Gray Island
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 A Queda
Angelique
 Posted: Jul 24 2017, 04:46 PM
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Rainbow era obscura por dentro e talvez fosse uma boa ela conhecer a vizinha ao lado, era possível que tivessem algumas coisas em comum e que a presença uma da outra acabasse por trazer paz mútua, algo que com certeza Sebastian desagradava bastante ao imaginar tal cena.

Após saírem e chegarem na boca do vulcão, Rainbow questiona-o sobre Órion e o médico olha-a inocentemente enquanto batia de ombros e erguia as palmas para ela, sorrindo logo então.


- Órion é esforçado e uma criatura noturna. É difícil dizer se ele realmente dorme, pois já fiquei sabendo que ele marcou três dias com apenas três horas de sono e tudo por ter achado alguma coisa em meio ao cosmos. Fora uma enorme descoberta, claro, algo que ele ainda nomeou em homenagem a seu amigo, Hubble. Fora algo incrível e que deixou a ilha em festas por quase uma semana e acredite, Órion não tardou. Dormiu um dia inteiro e já estava pronto para virar mais madrugadas em busca de alguma coisa nos céus. - Pela primeira vez ele parecia ter admiração por algo, talvez não fosse pelo homem em si e sim para a determinação dele em completar seus afazeres, coisas que considerava importantes, mesmo que para um amigo e que não exatamente o atingisse, tendo apenas o crédito da descoberta e alguns apertos de mãos ou tapinhas nas costas. Isso sim era satisfação, era algo que completava um ser humano aos olhos de Knevitz.

Na descida, a garota ainda sentia falta de ter algo em mãos e por isso, questionou o médico quanto a um ferreiro barato em Galilaios, visto que com 25,000B ela não faria muita coisa, fazendo o médico franzir o cenho enquanto via aquela quantia dois almoços e uma sobremesa em sua frente, logo colocando a mão dele sobre a dela, empurrando para que guardasse a quantia para si.


- Era para ser surpresa... - Dizia erguendo um dedo sobre os lábios e sorrindo. - Mas guarde o seu dinheiro para si, gaste em outra coisa, pois aquele bilhete que entreguei, nada mais era que um pedido formal para que buscas submarinas sejam feitas à procura de sua pá. Havia amor nela, não? Não tenho garantias de que voltará e mesmo que o faça, que esteja intacta, mas as buscas param em uma semana, se ainda estiver aqui, claro. Espero que isso alegre o seu humor. - De fato, a garota sorriu... o quê? Uma vez? Por mais que sua coloração indicasse que era uma pessoa vívida e cheia de alegrias e esperanças, sua personalidade sombria e mórbida deixava em contraste quem realmente era. Os olhos vazios como de um morto ou de um moribundo que já aceitou a morte, a falta de expressão em coisas simples que traziam o mínimo de prazer e felicidade para o homem comum, o jeito imprevisível e inconsequentemente para consigo também era algo que se destacava, como se não houvesse medo da morte e a aceitava de braços abertos, talvez até desejando que se aproximasse com mais velocidade para que sua existência de pouca importância para o mundo superior e inferior acabasse sem vestígios ou maiores consequências.

Distanciando-se do senhor, Rainbow caminha em direção da igreja, sendo parada e incomodada por diversas pessoas. Os monges que aguardavam (ou defendiam) a entrada da igreja não exatamente se moveram ou limitaram a movimentação da Deusa da Chuva, apenas mantinham-se quietos e humildes quanto a própria existência diante de uma divindade, algo que incomodava a garota, que se antes tinha receios de ofender alguém ao rir brevemente (o que causou certo espanto em Knevitz), agora abertamente revirava os olhos de insatisfação diante dos fiéis do Deus do Tempo.

Adentrou na igreja e logo avistou o outro shandian. Questionou o óbvio de forma retórica e logo mostrou suas próprias asas como se ela estivesse procurando algo atrás de si e o homem pareceu surpreso por um segundo, mas logo fechou a face enquanto processava aquela informação recente de que não era mais o único dali. Ela lhe questiona e ele sorri.


- "Tempo"... É engraçado você usar essa palavra comigo. Posso ser o tal "Deus", como me chamam, mas a realidade é que não existe essa coisa de "Tempo". É tudo uma ilusão. Você vê transformações, metamorfoses, modificações, mas na realidade, nada muda, é tudo um conjunto de átomos. - Ele se desloca, saindo do pequeno palco e caminhando por dentre as cadeiras, indo em direção de Rainbow, passando por ela e fechando a porta. Era visível que seus dedos estavam machucados, cheios de ataduras e bandagens, não sendo possível avistar pele em si. - O que é o "Tempo"? Quanto tempo estou aqui? Menos de um minuto para você. Dois anos para a população. Sessenta e oito para mim. Milésimos para o universo. Ou menos.

Retornava seu caminho para o palco, mas procurava algo nas paredes, uma equação, mas não a achava, pegando um pouco de giz e colocando-o na parede, mas não riscando, pensando um pouco e observando novamente o local, até que se vira para a garota.

- E você? Há quanto tempo está aqui? O que isso significa para você? Já que é eterna...

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Rainbow
 Posted: Jul 24 2017, 06:02 PM
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Rainbow




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A conversa com Sebastian tinha sido bem produtiva. Descobriu que havia uma missão de "resgate" para sua pá, algo que ela não queria desde o começo. Tinha amor naquele objeto? Claro. Mas também tinha raiva. Por fim ela continuou com aqueles míseros vinte e cinco mil berries no bolso e quem sabe conseguiria sua pá de volta. Essa última ela tinha menos certeza de acontecer. Também ouviu sobre Órion e que ele era muito amigo de Hubble. Por um momento, na noite anterior, ela achava que os dois não eram tão chegados assim.

Na igreja, o outro shandian pareceu surpreso com a presença de Rainbow. Era exatamente isso que ela queria. Mas o homem era tão sério que sua surpresa desapareceu em um instante.

Diante da pergunta da shandian, o homem começa a filosofar sobre o tempo e outras coisas mais. Rainbow continua em silêncio enquanto o homem segue até as portas para fechá-las. Não entendeu direito o porque daquilo. Ele tinha que ficar recluso?

-Tempo...é engraçado você usar essa palavra comigo. Você pode ser o tal Deus do Tempo, como a população de Galilaíos o chama, mas a realidade é que não existe essa coisa de Tempo. É tudo uma ilusão...

Ela não debochava do conterrâneo, mas o imitava em sua resposta.

-...não foi isso que você disse diante da minha pergunta? Então lhe lanço a mesma resposta da qual me deu.

Os olhos da coveira eram sem vida. Sua feição era sem vida. Ela estava mais para uma morta que andava entre as pessoas.

-Eu estou aqui há menos de um dia. E eu não sou eterna. Ninguém o é. A morte chega para todos e alcança todos. Independente do que os seres vivos podem achar.

Continuou parada onde estava, vendo onde o velho ia. Parecia querer escrever alguma coisa ou procurava alguma coisa.

-Você tem um nome? Digo...além da alcunha da qual a população te deu? E...porque foi fechar a porta?

O cara era meio estranho. Talvez tivesse ficado louco por tanto tempo naquela ilha e talvez confinado naquela igreja. Rainbow permanecia atenta para qualquer tipo de ameaça.

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~Ficha~
FOR 15 / ACUI 4 / PRE 10 / DES 10 / VIT 14
Dano Corpo a Corpo = 15
Dano à Distância = 4
Dano de Arremesso = 9

Acerto Corpo a Corpo= 10
Acerto à Distância= 10

Esquiva= 10
Bloqueio= 10
Agilidade= 10

Resistência= 7
Pontos de Vida (PV) = 110
Profissões: Arqueóloga (Especialista/Intermediário) e Ladrão (Especialista/Intermediário)
Vantagens:
Peculiaridades: Audição Aguçada, Corrida, Coragem, Memória Expandida, Sensitivo e Visão Aguçada
Aprimoramentos: Acrobata, Criptógrafo, Equilíbrio Perfeito, Especialista em Armadilhas, Furtividade, Invisibilidade, Pulo do Gato, Rastreio e Sorrateiro
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Angelique
 Posted: Jul 28 2017, 07:28 PM
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Angelique




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Ele abriu um sorriso fatigado quanto a resposta igualada à sua, mas logo ouve ela falando morbidamente de que a morte viria para todos e que não existia essa coisa de "eternidade" (e pelo que ele falava, hipocritamente, nem a do tempo existia). Caminhou e apontou para um lemniskata que havia logo acima, em um mosaico na janela.

- Acho que você não absorveu bem o conceito de "ilusão". Sim, a morte chega a todos, mas não quer dizer que deixemos de "existir. Entenda, somos moléculas, átomos, pó de estrela, etc. - Ele desenhou um oito ao lado dele, colocando o giz na parte inferior e reforçando o traço a medida que fazia suas curvas. - Aqui temos a vida, ela faz uma vertente até a morte, mas nada vem do nada, apodrecemos e viramos adubo, ou comida de outros animais, que consequentemente viramos fezes ou lixo, logo em seguida virando grama ou ajudando a semear árvores, indo então para a oxigenação e assim por diante. Os cosmos não param... E se você pensar melhor, nada é infinito, apenas eterno, pense na menor coisa que você conseguir, talvez átomos, há algo menor que eles, afinal, não podem ficar suspensos no nada, tem que ter algo, e se... Esse algo fossemos nós, juntando a ponta do Lemniskata? Cada átomo é um universo, cada conjunto celular é um multiverso e assim por diante, fazendo um ciclo em que estamos dentro de nós mesmos... Nós somos nossos próprios deuses.

Parecia realmente muita informação para se absorver e por consequência de experiências passadas com os nativos dali, ele deixaria que ela tomasse um tempo para tal. Continuou em uma fração que estava trabalhando já, ignorando a existência da garota até que relembra que houvera sido questionado o seu nome.

- Sou Mirial Ikkitri. Mas me chame como quiser, não é como se já não tivessem me dado outro nome por aqui. Nomenclaturas são basicamente inúteis quando somos parte de um mesmo organismo, mas os povos parecem encontrar um conforto em ter um "código" que os interliga, como uma máquina que obedece a tal comando ao ser apertado um botão. - Não mais dando as costas para Rainbow, ele se aproximava e não exatamente oferecia a sua mão, pois a estendia e deixando uma pequena brecha de menos de um segundo, ele prontamente agarrava a mão da outra. - Agora eu sou você e você sou eu. Bem vinda ao meu mundo.

Soltando-se logo em seguida, caminhou por entre as fileiras de bancos e ofereceu que ela sentasse-se com ele, dando pequenos tapas sobre uma equação de aparência complicada e que tinha o desenho de uma maçã riscada.

- Seu jeito é bem... Precoce. Você parece já estar a frente de sua vida, como uma deusa deveria ser. A morte a rodeia apesar do corpo vivo e sadio, então irei lhe perguntar uma coisa.... Você acredita em fantasmas? Melhor ainda... Quer ver um? - Sorria.

O olhar de Mirial era amigável, porém algo de errado começava a acontecer, pois ele parecia mais... endeusado. A própria garota sentia-se pequena diante do idoso, mas era difícil dizer se fora ele quem crescera ou ela quem diminuíra. Não somente ele se modificava, mas também o seu arredor.

O ar da igreja parecia mais gélido enquanto ambos estavam ali sozinhos. Os pontos mais escuros pareciam vivos, como se demônios rastejassem em busca de vítimas, as equação pareciam se mover, juntando-se e soltando-se, procurando outras para fazer parte. Os desenhos eram mais vívidos e as cores também. As luzes começavam a se desfazer e para a alegria de Rainbow, agora pareciam estar presos no meio do limbo, com cadeiras que desapareciam logo em seguida, que era o máximo que seus olhos conseguiam capturar de luminosidade, presa em uma miasma ilusória, perdida em meio ao inferno mais escuro.

Enfim estava em casa.


- Não tema. Você apenas está presenciando o "tempo". - Sua voz parecia distante, forte e ecoante, divina, por assim dizer. - É estranho você alucinar desse jeito, não passou por ritual algum, não é mesmo? Peço desculpas se o que está vendo é algo que a amedronta ou deixa desconfortável, mas saiba que estarei ao seu lado a todo momento e nada lhe machucará. Receio de realmente necessitar de uma resposta quanto ao nosso querido fantasma...
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Rainbow
 Posted: Jul 31 2017, 01:22 PM
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Rainbow




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Olhou para o símbolo que o velho apontava, sem muito interesse. Rainbow queria saber mais daquele homem e ele parecia querer fazer teatro com sua vida, com as explicações de ele ser um Deus do Tempo e com gestos teatrais que aumentam ainda mais o mistério daquela igreja e seus símbolos estranhos que remetiam à matemática, nem sempre pura e simples.

A palavra ilusão na fala do homem lhe chama a atenção mais do que as outras coisas que aquele velho, aparentemente doido de pedra, falava. Era claro que a vida e a morte era um ciclo perpétuo e que nunca terminava. Coisas nasciam, cresciam, morriam e voltavam para a terra para recomeçar o ciclo. Diante disso, ela realmente não tinha palavras, mas a consciência individual era outra história.

-Sim...entendo o que quer dizer sobre o corpo físico dos seres viventes, sobre a matéria. Mas na morte a consciência se esvai, finda, termina, cessa. Não há como sua consciência continuar existindo se seu corpo material parar de funcionar.

Lembrou-se de ter ouvido uma coisa ou outra sobre consciência e emendou:

-E não me diga que a consciência coletiva, uma teoria que ainda não foi explicada e que ainda está em fase de pesquisas, que ela existe e que vamos todos para lá.

Apesar da coveira achar que aquele ser era louco, era bom conversar com alguém sobre a natureza as coisas. Rainbow gostava de conversar sobre isso, não que esse tipo de assunto conseguisse retirar seus olhos de peixe morto da face ou mesmo lhe dar ânimo para viver ou saltitar pela igreja. Nem mesmo um sorriso é esboçado no rosto da Shandian.

-Se diz que somos nosso próprios deuses, então porque faz a vez de deus do tempo aqui em Galilaíos? Porque essa verdade não é absorvida pela população nativa? O que fez com que você fosse considerado um deus?

O homem trabalhava em uma equação. Talvez nem soubesse se era realmente legítima aquele tipo de coisa, o homem poderia muito bem estar colocando números a torto e a direito, fingindo que era uma euqação plausível para impressionar os outros. Mas Órion e Hubble já teriam descoberto. Eles não são burros até tal ponto. Achava a colorida okama.

Finalmente o homem fala seu nome. Rainbow não reconhece aquele nome. Nunca ouvira falar. Ou ouvira? Talvez ele fosse de uma ilha distante da sua no céu. Ou tenha nascido e caído muito antes do nascimento da coveira. Ela arqueia a sobrancelha em tom de curiosidade diante das palavras sobre o nome do deus do tempo. De certa forma ele tinha razão, já que todos iriam virar pó e virariam outro ser no futuro. Mas ter um nome era mais fácil de identificar seres de consciência diferenciadas. Imagina se todo mundo se chamasse Rainbow?

Quando ele se aproxima, Rainbow pensa em dar um passo para trás, mas o velho é rápido, toca-a e diz loucuras novamente. Ele estava ficando insano e poderia estar tendo, vez ou outra, um toque de lucidez aqui e ali ou mesmo de loucura. Ela se sentia tão desprotegida sem sua pá. Muito desprotegida. E se Mirial a atacasse? Como ela retribuiria o ataque? Com um soco? Com um pedaço de um dos bancos que ela teria que improvisar como um tipo de bastão? Isso era tudo culpa do seu mestre morto. Maldito amado mestre.Só o respondeu, meio sem entender:

-Que?

Mas o homem se desvencilha dela e a convida a se sentar ao seu lado em um daqueles bancos de madeira dura que esmagava a bunda dos fieis quando tinha missa. Ela odiava aquele tipo de banco, mas se aproximou e se sentou ao lado de Mirial sem pensar muito naquele banco duro. Não pensar nele poderia deixá-la mais confortável, ou não.

Observou a tal equação que o homem batia. Nunca tinha visto aquele tipo de equação. Era estranho e ao mesmo tempo interessante.

-Precoce? Eu? Acredito que não. E minha mente é moldada através da ciência, acredito somente naquilo que eu tenha visto com meus próprios olhos e comprovado que exista. Do contrário são todas histórias para crianças levadas dormirem para que o bicho papão não venha pegá-la.

Olhou profundamente nos olhos do colega das ilhas do céu e respondeu de pronto:

-Mas é claro que quero ver. Mande os fantasmas que tem aí. Eles são agressivos?

Instintivamente ela segura a borda do banco, para poder tentar se mover com mais facilidade caso seja atacada pelos tais 'fantasmas'. Mirial também poderia estar delirando, se o fosse, confirmaria que ele estava louco.

Nenhum olhar amigável lhe deixava tranquila. Pelo contrário. Rainbow já passara por poucas e boas e desconfiava de tudo e de todos. Nenhum olhar, por mais agressivo ou amigável que fosse poderia estar passando a real intençõ da pessoa. Aprendeu isso muito bem nas ruas, por isso sua feição nunca mostrava nada. Não era de fingir sentimentos.

Mas de amigável o homem virara algo diferente, algo maior, alo mais divino. As coisas estavam saindo do controle ali e Rainbow pensava em se levantar e sair correndo, o que não era possível no momento. Se sentia, se conseguisse descrever aquele sentimento, como uma formiga diante do vulcão que residia na ilha. Mirial crescera em tamanho, em presença e talvez até em poder.

-Mas o que.......é isso? O que está acontecendo aqui? O que você fez comigo?

E as coisas começavam a se mexer, um calafrio chegava até seu corpo e el sentia um ar gelado na igreja, mesmo que esse ar não estivesse ali cinco segundos antes. Mirial tinha feito alguma coisa e era lógico que tinha uma explicação para aquilo, mas sua mente conseguiria deduzir o que era? A coloração vívida das coisas se movendo lhe assustou, assemelhavam-se à suas cores, mas depois era somente escuridão, limbo, morte, o fim. E isso a acalmou um pouco, mesmo não vendo muito além.

Arregalou os olhos, porque aquilo era impossível. Ela estava em Galilaíos há alguns segundos, tinha caído do cemitério da ilha no céu onde vivera e sobreviveu por sabe-se-lá que motivo. Olhou para o velho, depois para sua "casa" de novo. Ele disse alguma coisa e ela logo o encara:

-Isso que são os fantasmas que você estava dizendo?

Mas não parecia ser o tal fantasma de que ele dizia. Ela sentia-se bem no meio daquele limbo, daquela inexistência toda.

-Tá bom Mirial. O que está acontecendo aqui? Que tipo de coisa você me deu para eu estar alucinando? Tu é um usuário ou coisa assim?

Ela sabia que existiam usuários por aí, mas nunca pensou que poderia encontrar um. E nem sabia também se Mirial era um usuário.

-E cadê esse tal fantasma? Me guie...quero vê-lo.

A coveira não tinha medo do que poderia ver. Seria seu pai? Sua mãe? A própria morte? Não tinha certeza de nada naquele momento. Mas não recuaria de forma alguma.

This post has been edited by Rainbow: Aug 1 2017, 01:04 PM
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Angelique
 Posted: Aug 3 2017, 04:43 AM
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Angelique




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- Acreditar em uma consciência coletiva é o mesmo que acreditar em deuses, não? - Ele ria saborosamente (algo que em sentimento era partilhado por Rainbow) ao finalmente conseguir chegar em contato com a garota, não mais sendo estranhos um para o outro e que com imensa facilidade agora dialogavam. Algo que talvez fosse ainda mais impressionante fora a forma com a qual ela houvera absorvido os pensamentos do velho, que ao invés de retrucá-lo com qualquer "pau e pedra", concordar cegamente ou mesmo apenas ignorá-lo em seus devaneios, ela então resolveu adicionar seus próprios pensamentos e visões ao que ele estava expondo e com isso, eles fluíam.

- Diga-os que são seus próprios deuses e eles apenas a glorificarão mais. Não escolhi tal alcunha, apenas me chamaram por isso e sem chances de discussão, aceitei, afinal, não muda exatamente minha vida para algo ruim. - A última pergunta, portanto, era a mais difícil de se ser respondida, fazendo com que ele alisasse sua barba enquanto a olhava severamente, organizando as palavras em sua mente e até meio inquieto, remexendo nos pelos faciais constantemente. - Acho que pela minha forma de pensar. Desci da minha ilha por infortúnios, mas acabei em uma ilha qualquer por aqui... Meus estudos me trouxeram para Galilaios, um local de estudiosos, porém a ironia é que me vi preso aos crentes. Não reclamo, faço o que quero e quando quero, mesmo não recebendo companhias da quais realmente queria... Você é apreciada ao meu lado, pequenina.

Em um lapso de pura ignorância, Rainbow demonstrava-a para si mesma ao questionar se tudo aquilo que estava desenhado nas paredes eram reais ou apenas algum truque para impressionar os de mentes menos acadêmicas, mas logo se acalmando, pensando que algum dos dois regentes certamente iriam compreender aquilo como falso ou não. Era necessário se lembrar também da surpresa que Órion teve ao descobrir que Hubble ainda tinha laços com aquele shandian em sua frente e provavelmente não conhecia tais documentações, assim como os conhecimentos do regente dos astrólogos poderia ser limitada a compreensão de que posição planetária em comparação às estrelas e satélites naturais teriam em envolvimento com a vida de um ser.

"Acredito somente naquilo que eu tenha visto com meus próprios olhos" talvez tivesse sido a frase mais errada que a garota tivera o desprazer de proferir diante de Mirial, pois não tardou ela aceitar fazer um contrato com os tais fantasmas, agora ela começava a se ver dentro de um inferno escuro, sem chamas, mas com certeza com diversos perigos que se moviam nas sombras, observando-a, caçoando de si, discutindo seus segredos mais íntimos, tramando sua morte sem se importar com a presença da pequena, porém suas vozes eram inaudíveis, apenas um calor nas orelhas dela enquanto acreditava ouvir cochichos de longe, que nada mais eram que o som de sua própria respiração.


- Creio que não seja um bom momento para que você conheça um fantasma, garota... - Talvez com um pouco de desespero pelas coisas terem derretido e se convertido em sua frente me questão de segundos, agora ela questionava incessantemente Mirial, ainda preocupada com os tais fantasmas. Não vendo uma alternativa, ele se movimentou até uma porta da igreja, convidando-a e mais uma vez a sua mente agiu, pois na medida que ele se distanciava, parecia que a névoa o seguia e apenas por onde ele passava é que era seguro (medos infundados, por assim dizer), pois deixava um caminho como o vácuo do ar.

A porta levava a um pequeno corredor escuro e ainda era difícil distinguir qual deles tinha mudado de tamanho, pois tudo parecia proporcional para ambos, ela conseguia tocar em maçanetas com a mesma facilidade que o homem, porém ainda assim parecia ter de erguer bem o braço enquanto ele apenas usava a ponta de seus enormes dedos para fazê-lo, notando que sua visão não mais deixava confiar em quesitos espaciais.


- Kiiiiiishishishishi!!! - Uma risada vinha das profundezas daquele inferno de paredes móveis (ou que algo se movia nelas), andava a passos largos e que pareciam ecoar de tão distante que estava do teto e de suas bordas, tudo parecia extremamente longe ou alto. A voz fina da risada parecia se divertir com algo e na medida que ambos avançavam, ela começava a ver algo muito rápido que aparecia e sumia em um brilho azulado. Seria o tal fantasma? De qualquer forma, mesmo que estivesse indo em linha reta, tinha o sentimento de que cada vez mais ia para o fundo da terra.

- Desculpe perguntar, mas você não veio me ver, não é? Digo... Não veio para que eu visse seu futuro, lesse sua sorte ou coisas assim, certo? - Deixaria ela responder com um singelo "sim" ou "não" para então complementar. - Pessoas que passaram pelo ritual de iniciação não alucinam como você está. Isso tudo que você está vendo nada mais é do que um pequeno vislumbre do que você acredita ser o seu coração. É uma pessoa inteligente, não a tratarei como uma simplória.

- Uma maneira de se comunicar com divindades é com drogas e há algo mais místico que névoas?
- Antes de abrir então uma porta que liberava faíscas atrás dela, Mirial tirou um tempo para explicá-la antes que tivesse um surto de pânico naquele ambiente. - Isso nada mais é do que cogumelos alucinógenos dissolvidos em água e evaporados, criando uma pequena névoa que para pessoas que já passaram por tal prova, apenas sentem como se estivessem em outro plano, mais em contato com deuses, mas nada mais é do que alucinações. Você as está experienciando com muito mais lucidez e mais submersa em sua mente do que acredita estar. Isso é tudo fruto do seu consciente.

E então ele abria a porta.

Uma máquina estava no centro da sala, enraizada como uma árvore e que crescia de uma maneira feia, conectada por veias de plástico de ordenada por aço. Seus galhos eram braços dispersos que liberavam rajadas pelo ambiente, mas que de forma controlada, não conseguiam chegar até Rainbow. Um homem muito alto - algo cerca de dois metros e meio - estava ali (o que dava razão pras portas todas serem enormes) e se divertia bastante ao brincar com as ramificações de eletricidade que percorria.

O homem era uma criatura que com certeza deveria ter um destaque, visto que sua aparência nefasta (por conta da alucinação ou não) era provocativa entre os meios religiosos. Sua garganta, como um corpo passado por uma autópsia e depois fechado para o funeral, apresentava vívidas marcas de costura (que ainda existiam ali). A pele branca como o de um verdadeiro defunto, envolto de sombras e aparecendo brevemente apenas quando uma explosão elétrica passava próxima de si da mesma forma que um animal selvagem se recusa a ser domado, deixava a mostra sua face de dentes pontudos, os chifres, o cabelo em chamas.


- Moria, ela não passou pelo ritual, mas por favor, mostre-nos o fruto de nossas pesquisas. Ela não veio ver um ente querido ou coisa assim, não precisa se controlar. - Anunciava a voz divina ao lado de Rainbow como um anjo da guarda que estava cuidando-a sob seus ombros.

- Kishishi... - Ele ria e logo ia até a parede e mexia em um painel, o que intensificava perigosamente a máquina, aumentando o campo de raios da qual não se expandia somente para os lados, mas também para cima e fazia chover muito próximo a eles, assim como com o crescimento de tamanho, aumentava junto as ramificações e procurava pontas, mas logo Moria regulava da mesma forma que se faz com um Den Den Mushi de rádio, procurando uma frequência até que algo extremamente inesperado ocorreu: uma pessoa, silhuetada por eletricidade, aparecia na frente de Rainbow e parecia estar em dor, perdida, procurando algo e isso divertia Moria, que agora gargalhava ao ver a confusão da criatura elétrica sem face.

- Vê, garota? Isso é o fruto de meus cálculos! Um fantasma! Ondas elétricas cerebrais de um corpo que no momento da morte, foram liberadas do cérebro e não acharam outro lugar para ir, sendo atraídas para a Bobina de Gecko! É uma pessoa morta em sua frente, mas sem um corpo físico, apenas restos de um cérebro! Um verdadeiro fantasma! - Ele então se entusiasmava como um cientista maluco que era e o que deixava explicado o motivo de Órion desconhecer da estadia dele por Galilaios, pois aquilo certamente não seria bem visto pelo olhar científico ou mais humanitário daqueles que não viam o quão terrível era de aprisionar "uma pessoa" se não mascarado como uma visita de entes queridos, algo que a religião fazia com que fosse mais aceitável. Mirial e Moria riam juntos enquanto a pessoa na frente de Rainbow não conseguia sair da zona dos raios, sendo seu corpo formado por eles, ao que tentava fugir pela porta aberta atrás deles, como um campo de força invisível para ela, aquilo a feria e tinha de recuar, tendo seu corpo dilacerado diversas vezes antes de finalmente retornar a silhueta humanoide, procurando então por outro local de fuga daquela sala de sádicos. Tentava gritar, mas apenas estalos gerados pela eletricidades ocorriam.


Spoiler
Gecko Moria
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Rainbow
 Posted: Aug 4 2017, 12:04 AM
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Rainbow




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Rainbow is Offline

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Aquela sinergia entre os dois realmente era bem estranha. Tinha acabado de conhecer Mirial e ainda assim os dois pareciam se completar de alguma forma, em algumas falas. Isso, claro, ao ver da Shandian. Mirial poderia apenas estar pensando sobre ir ao banheiro ou o que almoçaria depois.

A explicação do colega de raça era bem estranha. No começo ele pareceu um erudito altivo que estava acima de todos os seres viventes por ser o deus do tempo, mas depois ela sentia uma pontinha de interesse em ser o "deus do tempo" ali, já que ele tinha certas regalias das quais não teria se fosse somente uma pessoa 'normal". Aceite por conveniência não era uma coisa que interessava Rainbow e ela começava a ver Mirial como um aproveitador barato de quinta categoria.

O limbo que era aquela escuridão agradava demais Rainbow. Era seu sonho estar naquele ambiente e não ter que lidar com as expressões falsas das pessoas que infectavam o mundo com a exploração e com suas vidinhas insuportáveis. Mas aquelas sombras pareciam se mover, conversar com ela, aquecer suas orelhas. Ela se virava em seu próprio eixo, procurando esses sons, esses movimentos, mas não conseguia identificar muita coisa. Mesmo sua audição e visão aguçadas pareciam lhe trair.

-Não....

Deixara escapar diante das coisas se dissolvendo em sua frente. Olhava Mirial com tom de curiosidade. Se ele fosse mesmo um usuário, ele poderia ter poder para ser um deus real e não apenas um impostor aproveitador de pessoas inocentes.

Sem muita opção, a coveira segue o deus proclamado pelos Galilaianos. Ela o seguia e tentava pisar onde Mirial pisava. Seguindo de forma perfeita o caminho que ele fazia enquanto deixava uma névoa estranha pelo caminho. Aquela névoa poderia estar deixando Rainbow alucinando, caso ele não fosse um usuário. Mas ela não poderia arriscar.

"É um tipo de droga? Essa névoa está enebriando minha mente? Ou estou apenas ficando louca?"

Todas as evidências apontavam para algum tipo de substância que deixava Rainbow alucinando, mas ela sentia algum cheiro diferente? Estava muito concentrada em Mirial para perceber isso naquele momento. Ao chegar a uma porta, ela a abre, mas aparentemente era muito alta. Sua mente lhe pregava uma peça novamente. mas ela não sentia medo. Continuava seguindo Mirial sem pestanejar.

Ao sair em um corredor, tão escuro como a noite, ela tocava nas portas e maçanetas para tentar se localizar. mas tinha alguma coisa estranha ali. Algo definitivamente não estava correto. E a risada meio estridente a arrepiou por um breve instante. Os dois seguiam em para frente, mesmo ela tendo a sensação de que iam para baixo.

Em resposta a Mirial, ela conclui:

-Vim somente para ver um conterrâneo que viera de uma ilha do céu. Nada mais.

O elogio de não tratá-la como uma simplória veio em um momento estranho e ela arqueou a sobrancelha esquerda em tom de curiosidade.

"Então existe algo aqui que somente os simplórios não conseguem entender direito. Mirial os engana...é isso."

Mas não deixava transparecer nada do que pensava. Após a explicação sobre os cogumelos em água e evaporados ela deixa sua voz ser ouvida por Mirial mais uma vez:

-Eu imaginei que fosse algo assim. Você é ou foi um botânico? Químico? Médico?

Lógico que ele poderia ter uma, duas ou mais ocupações. Não era qualquer idiota que conseguia transformar cogumelos em algo naquele estilo. O homem era bem inteligente. Tanto que lhe dava um pouco de receio agora. Queria saber quanto tempo demoraria para aquele efeito alucinógeno cessar, mas não daria o gostinho de perguntar para Mirial.

Quando o shandian abre a porta, ela vê um tipo estranho de máquina. Mas o que lhe chamou mais a atenção foi um homem enorme que parecia se divertir com aquela coisa mecânica que parecia querer atingir qualquer um que se aproximasse.

"Aquilo é uma árvore? Mas aquele homem....é um meio gigante?"

O homem era bem parecido com a face da morte que lhe contavam quando ela morava no cemitério ou daquelas histórias para fazerem crianças se comportarem. Faltava-lhe somente a foice para ceifar vidas a torto e a direito e ele tinha uns detalhes dos quais poderia muito bem deixar pessoas mais sensíveis sem dormir por dias. Rainbow abre um sorriso de satisfação da qual, talvez, Mirial não estivesse esperando.

-Isso é fantástico. Esse homem....quem ele é?

Mas as falas de Mirial para o ser, que agora ela sabia que se chamava Moria, eram estranhas aos ouvidos da garota. O que ele queria dizer com isso? Olhou para Mirial e depois para Moria. Ela encarava Moria com curiosidade e sem medo algum no coração.

Ao ativar a máquina com mais intensidade, uma silhueta aparecia ali. Rainbow deu um passo a frente, estreitou os olhos e depois de alguns momentos pode ver perfeitamente que era sim uma pessoa. E essa pessoa não estava feliz, não que isso importasse muito para ela. Estar infeliz era uma condição normal das pessoas.

Mirial explica do que se tratava. Rainbow cruza os braços e sorri para o deus do tempo:

-Muito interessante Mirial. devo confessar que nunca vi nada parecido e nem imaginaria ver algo parecido. Fascinante.

Moria estava se divertindo bastante e Mirial se gabando mais ainda. Mas o tal fantasma não estava nada feliz. Rainbow muito menos, mas mantinha seu semblante de paisagem, sem esboçar qualquer sentimento.

O problema que Mirial criara trazendo Rainbow ali era imenso. Ela acreditava que tudo tinha um fim e que todo o ser humano teria seu lugar no outro mundo, mas Mirial estava impedindo que aquela pessoa seguisse seu caminho com aquela merda de máquina idiota. Ela não ligava para a humanidade, para a vida e a morte, ela acreditava na ordem natural das coisas. De que todo ser que morre deve ser deixado morto.

Os risos de Moria e Mirial ecoavam pelo local e Rainbow continuava sem expressão. Via o fantasma tentar fugir sem sucesso e começava a planejar como destruir aquela merda de máquina idiota.

-Hum...mesmo que o fantasma tente fugir ele não consegue. Fantástico Mirial.....simplesmente fantástico...

Fingia algum tipo de interesse e admiração para aqueles dois loucos. Tinha que procurar Órion e Hubble imediatamente.

-...como exatamente essa máquina funciona? Estou muito curiosa para saber e posso fazer um comentário sobre seu trabalho?

"Seu sádico de merda. Cavarei sua cova perto da praia para os caranguejos poderem comer seus restos apodrecidos depois que eu acabar com você. Seu lugar do outro lado já está reservado."

Abriu um sorriso, tentava que ele não fosse forçado:

-Magnífico. Extraordinário. Eu estava pensando em ir embora em breve, mas eu poderia ficar e lhe ajudar na condução das suas pesquisas? Eu sou uma arqueóloga e é meu dever registrar esse maravilhoso feito e seu nome na história. Já estou até imaginando o nome do livro: Mirial e a Condução de Experimentos Científicos com Aparições Etéreas.

Tentava inflar o ego do homem o máximo que podia. Moria era somente um ajudante, benfeitor ou participara ativamente do processo? Iria tentar descobrir isso e esperava sinceramente que fosse um idiota qualquer que só puxava a alavanca e ficava rindo histericamente.

This post has been edited by Rainbow: Aug 4 2017, 12:08 AM
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