Gray Island
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 A Queda
Rainbow
 Posted: Jun 12 2017, 01:44 PM
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Rainbow




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E começamos aqui, em uma queda livre da ilha do céu da qual Rainbow vivia. Nos braços somente a pá do seu antigo mestre. Nem sabia se trazia alguma coisa nos bolsos, afinal estava tão puta antes de cair que ficara cega quando começou a cavar para encontrar o corpo de seu mentor.

Tentou bater suas asinhas de Skypean, mas era lógico que as asas não fariam efeito algum em uma queda daquelas. No começo, a queda estava até agradável, ela passava por pedaços de nuvens esparsas, quase um fio de algodão doce no ar. Essas nuvens, diferentes daquelas que formavam as ilhas do céu, não seriam suficientes para segurar seu peso.

-Okay....seguindo os meus estudos anteriores de arqueologia, cairei ou no mar ou em terra firme. Qualquer uma das duas opções me fará seguir direto para a morte.

Não demonstrava preocupação alguma. Na verdade, já tinha aceitado seu destino fatídico de morrer.

-Finalmente as portas da morte se abrirão para mim. Cansa ficar cavando covas para os outros e ficar observando os corpos serem enterrados, na maior parte das vezes, por mim.

E então um vento forte a tirou da queda livre por parcos segundos. E veio outro vento mais forte ainda que a atirou para outro lado. Tentou usar suas pequenas asas mais uma vez para pelo menos conseguir cair em linha reta e morrer de uma vez por todas, mas sua tentativa era completamente inútil, como a anterior.

-Vamos deixar que as golfadas de vento me levem para a cova da qual, infelizmente, eu não cavarei.

Bocejou uma vez, duas, três. A queda parecia nunca terminar de fato e Rainbow estava começando a ficar entediada.

-Tá bom gravidade.....vamos fazer seu trabalho um pouco mais depressa....não tenho todo o tempo do mundo, sabia?

Olhou para baixo e ainda não era possível ver nada além de nuvens brancas e esparsas aqui e ali. Ao passar por elas era como se o toque de sua mãe afagasse seu rosto. Mas então a “calmaria” da queda cessou. Os ventos que a jogaram mais cedo eram prenúncio de tempestade. Ao olhar para baixo mais uma vez, ela pôde ver nuvens negras se amontoando, raios, ouvia trovões. Era uma tempestade terrível e ela estava seguindo diretamente para ela.

-Então essa é a grande cova das lendas dos Skypeans? Será que ela vai me aceitar?

Havia uma lenda entre os coveiros de que havia uma cova especial depois da morte para aqueles que ajudavam a cavar covas alheias. Rainbow sempre achou isso ridículo, mas no fundo acreditava um pouco. A tempestade, negra como a noite, ribombando com trovões e com todos aqueles flashes poderia ser descrita como a grande cova. Ela encontraria seu mestre coveiro? Certamente.

No meio da tempestade era praticamente impossível manter um curso de voo. Os raios a assustavam um pouco, apesar de sempre gostar de tempestades, mas estar no meio de uma, em pleno ar não era a mesma coisa de observar de longe. Seu corpo magro era jogado para cá e para lá e apesar da derradeira morte estar bem próxima, ela não se espantava ou se desesperava.

Foi caindo pela tempestade, jogada para lá e para cá como uma bola de ping pong. Um raio foi visto próximo e trovões ribombavam como pipoca em panela quente e em todo lugar. A queda parecia não ter fim.

Resolveu se posicionar, quando dava, com a cabeça para baixo e então, de repente sentiu que tinha entrado em alguma coisa. Parecia nuvem, estaria ela de volta às ilhas do céu? Ela arfou e isso a fez tossir muito. Não eram nuvens, mas tinham o aspecto delas. Tossiu de novo e só então, depois de toda a confusão, percebeu que era água. Estava se afogando. Suas asas não ajudavam em nada quando estavam secas, molhadas então era como se um peso extra tivesse sido adicionado às suas costas.

-Finalmente chegarei do outro lado?

Sua mente estava muito aturdida com tudo que estava acontecendo que ela não conseguia colocar seus conhecimentos arqueológicos adquiridos através dos livros de sua mãe em prática. Era o mar e ela nem se tocava disso. Onde era a superfície? Onde era o fundo? A tempestade negra como a noite mais escura não a deixava se localizar em meio àquela imensidão monstruosa. E então, depois de engolir muita água, ela acaba desmaiando de cansaço. Era seu fim?

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~Ficha~
FOR 15 / ACUI 4 / PRE 10 / DES 10 / VIT 14
Dano Corpo a Corpo = 15
Dano à Distância = 4
Dano de Arremesso = 9

Acerto Corpo a Corpo= 10
Acerto à Distância= 10

Esquiva= 10
Bloqueio= 10
Agilidade= 10

Resistência= 7
Pontos de Vida (PV) = 110
Profissões: Arqueóloga (Especialista/Intermediário) e Ladrão (Especialista/Intermediário)
Vantagens:
Peculiaridades: Audição Aguçada, Corrida, Coragem, Memória Expandida, Sensitivo e Visão Aguçada
Aprimoramentos: Acrobata, Criptógrafo, Equilíbrio Perfeito, Especialista em Armadilhas, Furtividade, Invisibilidade, Pulo do Gato, Rastreio e Sorrateiro
mp
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Angelique
 Posted: Jun 13 2017, 07:22 PM
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Angelique




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A lógica fora totalmente jogada pela janela no momento em que a garota frustrou-se e começou a cavar em busca de seu mestre. A pá do mesmo procurava o antigo dono, retirando terra da ilha e amontoando-a em outro ponto, ao seu lado, indo cada vez mais fundo. Rainbow não apresentava sinais de cansaço enquanto havia a raiva em seu corpo quente, cada vez enfiando mais fundo a sua ferramenta, retirando pedaços e pedaços do solo que a sustentava, até que esse começou a ceder e não mais sendo necessário o movimento de enfiar a parte de metal e retirar o solo, este facilitou e permitiu que pela primeira vez, a anja tentasse colocar suas asas ao teste de voo.

O frio na barriga fora de imediato no momento em que sem sustento, começou sua descida com uma velocidade considerável. Seu cabelo estava totalmente para cima e parecia duro graças a força com a qual era puxada. As nuvens fofas e claras passavam fazendo carinho pelo seu corpo, o que de início era bem agradável, pois as gotículas de água davam uma sensação bem agradável que chegavam até a arrepiar sua pele. Seu coração que de início batia forte por ter sido pega de surpresa, agora estava calmo e tranquilo, usando da razão para aceitar a morte iminente enquanto aproveitava as últimas carícias das ilhas do céu.

Entediando-se no caminho, começou a sentir as mudanças climáticas. Seu corpo não mais recebia um tratamento confortavelmente angelical, agora sentia como se pequenas agulhas penetrassem em sua pele, seu cabelo parecia puxado de seu couro cabeludo enquanto as descargas elétricas a cegavam logo abaixo. Trovões deixavam o clima eletrizante e por estar acima de uma tempestade, sentia em seu corpo cada partícula elétrica que passava em meio às nuvens carregadas. Como um felino que brinca com a comida antes de matá-la, os ventos jogavam o corpo de Rainbow para um lado e para outro, errando (de propósito?) as descargas elétricas que tentavam acertá-la e sentindo o calor próximo de seu corpo, assim como o barulho ensurdecedor que de tão potente, sentia atravessando seu corpo como um tambor batido e fazendo-a perder o fôlego enquanto cada vez mais desejava que o fim fosse feito.

A chuva forte parecia como minúsculas e gélidas mãos que a empurravam para baixo, acelerando sua queda e consequentemente, seu peso, encharcando-a e deixando seu corpo mais frágil. O mar estava bem agitado abaixo de si e sem muita visão graças às descargas elétricas que sofrera próximas de si, agora recebia de súbito o encontro com as águas salgadas, tentando inutilmente respirar enquanto colocava líquidos dentro de seus pulmões e estômago, dando um gosto horrendo em sua boca e uma dor absurda enquanto o ar queimava em sua garganta e não conseguia adentrar nos pulmões fechados por estarem cheios de outra substância.

No momento em que seu corpo simplesmente desligou por falta dos suprimentos vitais, o mar resolveu se divertir com a garota para acalmar sua fúria. Tragou-a para o fundo em um fluxo pesado e levou-a para um diversos lados, jogando-a para cima em uma onda, porém pegando-a de volta e assim que uma nova se formulava, ergueu-a às alturas e fora de encontro a um navio de busca, batendo contra a vela e rasgando-a, aparando sua queda até que caía sobre um amontoado de cordas e assim que bateu de costas, toda a água que estava suprimida em seus pulmões, de primeira saíram por sua boca e narinas sem vida. A tripulação logo correu para averiguar o que era aquilo e obviamente havia um médico ali que a ajeitou no chão do convés enquanto tentavam aparar com seus corpos a chuva que caía. Respiração boca-a-boca e algumas massagens em seu peito fizeram com que finalmente ar adentrasse em seus pulmões e o seu estômago rejeitasse a quantidade de sal engolida, fazendo-a retornar para os vivos enquanto tinha de vomitar todo o líquido marinho ali mesmo, sentindo um pouco de dor no pescoço pela força com a qual repeliu aquilo tudo.

Pessoas estavam ao seu redor, todas visivelmente preocupadas e trajando capas de chuva transparentes, deixando à mostra os pingentes e trajes de roupas que deveriam ser coloridos, se não fosse pela escuridão da tempestade, o médico em sua frente tinha a barba cheia, mas aparada enquanto se juntava com o cabelo curto e os óculos na frente dos olhos escuros, olhavam para a garota com preocupação, oferecendo uma mão grande (e inesperadamente delicada) para ajudá-la a se levantar. O barco ainda se movimentava violentamente, sendo menos estável que os usados na ilha dos céus.


- É um milagre... - Dizia um dos homens agarrado a um de seus pingentes. Ninguém o olhou, mas murmúrios deixaram de ser abafados pelo vento rápido e logo se tornaram vozes de "hallelujah" e caso Rainbow aceitasse a mão do médico para se erguer, sentiria uma fraqueza nas pernas e prontamente o homem a puxaria, oferecendo o ombro ou seu braço para que se apoiasse e nesse movimento brusco, todos os que a rodeavam caíam aos seus pés, curvando-se diante dela. Uma explosão de luz dava atrás de si graças a um kaminari. - Suas cores são fortes mesmo na escuridão. Você nos trouxe luz. Você veio do céu, trouxe luz em meio a tempestade e trás consigo cores... Seja bem vinda, Deusa.

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Rainbow
 Posted: Jun 13 2017, 11:29 PM
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Tinha acabado de acordar. Seu pai e sua mãe estavam ao lado da cama, sorrindo. Rainbow não entendeu muito bem porque estavam ali e não em seus afazeres diários, nunca tinham tempo para ela. Sua mãe talvez, seu pai, nunca. De repente o sorriso de sua mãe se desfez e ela saiu do lado da cama. Rainbow tentou chamá-la, mas sem sucesso. Seu pai ficara ao lado da cama e seu belo sorriso agora era um misto de maldade e ódio. Estendeu seus braços para Rainbow, ela estendeu os seus para abraça-lo, afinal eram pai e filha, mas os braços do pai agarraram seu pescoço com força e começaram a apertar cada vez mais. Rainbow estava ficando sem ar, estava morrendo pelas mãos de seu próprio pai. Era ódio que ele tinha dela vergonha? Nunca saberia. Tentou se debater, mas era pequena, seu pai era forte demais e sua consciência já se distanciava. Desmaiara.

Depois do boca a boca feito pelo médico desconhecido, Rainbow arfa em desespero em busca de ar puro. Seus pulmões estavam cheios de água e ela vomita toda ela e sente aquele gosto estranho em sua garganta, era como queimasse. Colocou a mão na nuca, estava bem dolorido. Tinha batido com a cabeça? Ou era reflexo do vômito? Sua memória estava meio falha no momento, até que lembrou do seu pai sufocando-a, mas não era realmente ele. Apesar de acreditar piamente que ele teria feito aquilo se soubesse no que ela se transformaria quando estivesse mais crescida. Seu subconsciente tinha lhe pregado aquela peça em seus sonhos.

Após recobrar um pouco sua consciência, ela olhou ao redor. Não sabia onde estava e para piorar estava cercada de pessoas das quais nunca tinha visto na vida. A tempestade continuava a molhar seu corpo. Seus cabelos coloridos estavam encharcados e provavelmente ela pegaria uma gripe. Se sua sorte acumulada se esgotara para salvá-la da queda, então ela realmente pegaria uma gripe. Tentou identificar os pingentes e os trajes que as pessoas usavam, mas estava escuro demais por causa das nuvens negras que tingiam o céu. Percebeu pelo rosto das pessoas presentes que elas estavam preocupadas com Rainbow, mas ela não tinha nenhum semblante que pudesse denotar qualquer coisa. Um homem a sua frente tinha um semblante mais maduro e estava mais próximo que os outros. Quando o homem a oferece a mão, ela ergue a sobrancelha esquerda, mas a aceita de bom grado.

Levantou-se com a ajuda bem vinda e percebeu que o barco parecia querer jogá-la para fora. Suas pernas não conseguiram sustentá-la e ela foi amparada pelo homem que a oferecera ajuda. Foi nessa hora que ela se lembrou exatamente o que tinha acontecido, antes de desmaiar. Tinha cavado para enterrar a pá de seu mestre junto com ele. Olhou em volta mais uma vez, mas sem afobação, como se olhar ao redor fosse corriqueiro, como se seu olhar estivesse procurando uma folha caída de árvore e que não lhe tinha importância. Procurava a pá de seu mestre. Aquela da qual caíra junto dela da ilha do céu e que ela se sentia na obrigação de enterrar com seu mestre.

Ouviu alguém dizer que era um milagre e ela ficou pensando nisso, sem dizer sequer uma palavra. Vozes começaram a se levantar como se fossem um hino religioso. Rainbow acreditava somente em uma coisa nessa vida: Tudo que vive morre. Mas mesmo assim, não desdenharia da fé alheia. A própria vida faria isso com aquelas pessoas. Ao vacilar e ser apoiada pelos ombros do desconhecido, ela não tinha percebido que as pessoas ali tinham caído aos seus pés no mesmo tempo que uma explosão de luz, certo que era um trovão, explodia atrás da coveira. Só conseguiu balbuciar:

-Deu.......cof.....cof......cof.....

Ainda estava meio grogue do que tinha acontecido. Mal conseguia falar. Precisava de repouso ou de pelo menos se sentar em uma cadeira, de preferência não no meio daquela tempestade. Balançou a cabeça em uma negativa diante das palavras de que ela era uma deusa. Viram ela vomitar e essa ação a colocaria no patamar de mortal. Talvez fossem suas asas?

Juntou todas as forças que tinha e falou ao homem que a apoiava nos ombros:

-Preci.....so..........des....cansar........

Sua voz não era mais que um pio de um pássaro recém saído da casca do ovo naquela tempestade. Também não tinha certeza se o homem tinha escutado alguma coisa que ela dizia.

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Angelique
 Posted: Jun 17 2017, 05:01 PM
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Angelique




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Procurando sua pá por tudo que é lado daquela embarcação de madeira, porém tudo que encontrou fora as faces maravilhadas das pessoas em meio à tempestade, como se Rainbow estivesse procurando um novo profeta ou coisa assim, querendo alguém que falasse por si. Não encontrou em local algum a ferramenta de um coveiro, perdido para sempre em meio as ondas daquele agressivo mar aquático, coisa que jamais tivera visto no céu, não apenas por ser deveras mais molhado, também tinha uma força estrondosamente mortal que nenhuma nuvem chegou aos pés de ser comparada ao "mundo inferior".

Tentou retrucar com as pessoas, porém sua voz era fraca e ninguém verdadeiramente (e ironicamente) conseguiu ouvir as palavras de sabedoria da tal deusa. Logo em seguida, pediu para descansar um pouco, desta vez, direcionada ao médico que a apoiava e assim ele consentiu, pois com certeza era a coisa mais sensata a se fazer naquele instante.

O homem prontamente iniciou uma caminhada e as pessoas que ficaram para trás logo começaram a falar em protesto.


- Para onde levará a deusa dos céus? - Dizia um senhor de cabelos castanhos e curtos, achando meio que uma falta de respeito levar Rainbow dali, pois se ela fosse uma entidade da chuva, o que ela mais iria querer era permanecer diante dos pingos gélidos. Só controlando tais gotículas faria com que a tempestade tivesse um fim e isso seria garantido se a garota estivesse satisfeita com algo.

- Deusa? Ela é uma pessoa como eu e você! Não comece com isso! Tal como nós, ela precisa de descanso e é isso que garantirei, sou médico e devo ajudar a todos que encontro, não é por uma irracionalidade que irei permitir que uma pessoa adoeça na minha frente! - E após vaias, ele ajuda a garota a sair dali e ir para o interior do barco, quase que pegando-a no colo para descer a escadaria (só não realmente o fazendo por sua coluna não era mais aquilo tudo).

No andar abaixo, e bem mais convidativo, estava em uma espécie de sala com sua mobília fortemente pregada ao chão com tapete vermelho. Ele a sentou em uma poltrona de couro extremamente confortável, onde era possível se aninhar facilmente ali, afundando em seu material. Deixou-a por alguns segundos quando rapidamente retornou com uma toalha e um cobertor, este último item, já estava quente. Apenas entregou e saiu, passando por uma porta e demorando um pouco mais para retornar e se a garota não tivesse dormido (o que ele iria garantir que não era um coma, tocando-a pelo pescoço e pulsos, assim como deixando a palma diante de suas narinas para averiguar a respiração), iria trazer uma xícara de café com leite.


- Meu nome é Sebastian Knevitz, médico da tripulação Graça das Estrelas. - Obviamente cansado, tanto pela chuva quanto por suas obrigações (ou por ter sua paciência testada a qualquer momento pelos religiosos e deixando que o próprio não fosse pertencente do misticismo), se abaixou um pouco e apoiado no braço da poltrona em que Rainbow descansava, agora estava sentado no tapete e com as costas apoiadas, como um cão de guarda para a garota. Ele tirou seu tempo para achar uma posição confortável. - Esta é a área de lazer de nossa tripulação, que é uma de resgate. Caso não saiba, visto que obviamente não é daqui, Galilaios é um lugar que procura as estrelas, nos assustamos quando vimos uma caindo...

Ergueu-se levemente, apenas para verificar se a garota não havia dormido ou se mantinha algum tipo de interesse em sua história. Também aproveitaria para segurar a xícara, se o conteúdo já tivesse sido totalmente engolido, permitindo todo o conforto ali.

- Está cansada, eu sei... Tenho interesse em saber o que aconteceu e de onde vem. Nossos telescópios são potentes, porém eles só veem o muito além, trocando a visão local pela espacial... Deixar-te-ei descansar nesse período, restitua sua força, pois estamos retornando para a minha querida terra natal... Ah, não se deixe incomodar, pois visto que temos muito astrônomos, também temos astrólogos.
mp
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Rainbow
 Posted: Jun 18 2017, 07:57 PM
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Rainbow




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A pá estava perdida para sempre. Não tinha como Rainbow encontra-la no meio daquele mar. A tempestade levara o item para o fundo do oceano sem se importar se seu valor era monetário, sentimental ou uma mistura dos dois. A natureza era implacável e a coveira não sabia o que fazer sem o item que trouxera do céu. O procuraria? Isso estava fora de cogitação. Suas asas eram quase que bolas de ferro quando estava na água. E mesmo que encontrasse a bendita pá, para quem devolveria? Estava a milhas, quilômetros de distância de sua casa na ilha do céu e o corpo de seu mentor não estava na cova da qual ele tinha sido enterrado. Teria a remota possibilidade de que os corpos dos Skypeans fossem enterrados nas ilhas do céu e depois de um tempo caíssem para o mar e desaparecessem? Essa era uma teoria bem interessante que Rainbow poderia desenvolver com seus conhecimentos no futuro. No momento só queria descansar um pouco.

Achou estranho os protestos das pessoas presentes quando a pessoa que a apoiava tentara levá-la para descansar. Eles realmente acreditavam que ela era uma deusa somente por ter caído do céu? Como a mente de Rainbow era bem mais cética, era bem difícil que ela acreditasse que um ser que caíra do céu fosse algum tipo de deus. Se o fosse, ele não voaria e evitaria a queda? Se fosse um deus não seria onipotente e pararia aquela tempestade? Enfim, na atual situação da Skypean, era um pouco impossível argumentar. Como que lendo sua mente, o homem que a apoiava, ainda desconhecido, responde por ela. O máximo que conseguiu fazer foi esboçar um meio sorriso e pensar:

“Finalmente alguém sensato nesse navio.”

Depois do sermão, nada religioso, Rainbow segue barco adentro após descer um pequeno lance de escadas. Tropeçara uma ou duas vezes por suas pernas estarem fracas e ela ainda não sentir firmeza em se apoiar nelas. O afogamento não a levara para as portas da morte por algum motivo estranho do destino, essa era a única explicação.

Só o fato de não estar no meio daquela tempestade era um alívio. Mas ainda assim sentia o barco balançar bastante, quase que como se a tempestade lá fora quisesse deixar claro que só porque ela estava confortável em uma poltrona ainda havia perigo e que ela ainda poderia morrer se a tempestade quisesse. Tentou encontrar uma posição confortável na poltrona, o que não era nada difícil. Parecia que estava sentando em puro algodão ou era seu corpo agradecendo por não estar sendo jogado de um lado para outro. O tapete vermelho do lugar lhe marcou, era bem bonito e a cor lhe agradava. O homem a deixara por instantes, quase imperceptíveis para a coveira. Estava tão cansada que nem percebera direito a ausência do homem, só notou quando ele trouxera uma toalha e um cobertor.

Fez o que pode para poder se enxugar, seus cabelos grandes estavam ensopados, depois da toalha, só pareceram úmidos. Se acomodou e se cobriu com o cobertor, que aparentemente estava quente. O homem tinha tirado aquele cobertor de alguém que o estava usando? O cansaço era enorme e ela lutou bravamente para não adormecer, sem sucesso algum. Adormeceu, mas não soube ao certo por quanto tempo. Despertou com o homem, médico da tripulação, media sua pulsação. Via isso de vez em quando. Seu pai era médico, então fazia a mesma coisa com seus irmãos quando estavam doentes ou com suspeita de algum mal-estar.

Ao acordar, Rainbow não sorriu. Encarou o homem por um tempo e percebeu que ele tinha trazido uma xícara de café com leite. Ela não gostava tanto assim de leite, mas amava café. Segundo sua mãe, era falta de educação aceitar a hospitalidade das pessoas. Então pegou a xícara, com a mão ainda um pouco trêmula, e bebeu dois goles seguidos não sem antes esfriar um pouco o líquido, assoprando-o. Finalmente o homem falou com diretamente com ela, dando-lhe mais algumas informações além de que era médico. Já sabia o nome do homem, que já não era mais desconhecido, e o nome da tripulação. Nunca tinha ouvido falar da Graça das Estrelas em toda sua vida.

Apenas continuou observando-o se acomodar ao lado dela. Ele tinha dificuldade para isso? Era muito velho? Parecia bem cansado. Bebeu um terceiro gole do café com leite. Sebastian deu andamento em seu monólogo. Então eles eram de Galilaíos. Já tinha lido sobre a ilha que buscava as estrelas. Sabia um pouco sobre o lugar. Como caíra do céu, era possível que a ilha da qual morava, para ser mais exata, o cemitério, ficava acima de Galilaíos? Acreditou que não. Recebera muitas golfadas de vento da tempestade que a tiraram de uma queda direta. Ou seja, não sabia como retornar para sua casa. Rainbow continuava observando Sebastian, enquanto ele falava e a olhava de vez em quando, talvez para se certificar de que ela não tinha morrido.

Ao fim das palavras de Sebastian, Rainbow tomara a última porção do café com leite. Ele queria que ela descansasse e ela também queria fazê-lo, mas em respeito ao homem, ela lhe diria algumas coisas. Entregou a xícara vazia ao médico e começou a falar. O calor do cobertor era reconfortante e a ajudava a pensar melhor. Sua mente voltava aos poucos a ser o que era antes de cair. Mas a expressão da coveira não mudava muito. Era de sofrimento em meio às cores de seus cabelos e tatuagens.

-Meu nome é Rainbow.

Dera uma pausa, não era uma pausa dramática, mas um tempo para não reclamar da dor de ser atirada ao mar. Não queria deixar o médico preocupado.

-Obrigada por me salvar. Pelo visto não era a minha hora de ir para a cova e ser alimento dos vermes, no meu caso dos peixes.

Suas palavras não continham qualquer emoção, como se morrer fosse tão natural quanto respirar.

-Galilaíos? Já li sobre essa ilha, mas não tanto quanto gostaria. Infelizmente nunca ouvi falar de uma tripulação chamada Graça das Estrelas. Acredito que seja muito difícil para você estar em meio a essa gente.

Dizia no sentido de serem religiosos e ele não. E pelo que Rainbow viu eles tinham um pé no fanatismo, coisa a desagradava bastante.

-Preciso realmente descansar. Assim que estiver melhor...podemos conversar mais, doutor Knevitz.

Rainbow deu a deixa para encerrar a conversa de forma brusca. Não queria tocar no assunto de sua queda. Não pelos sentimentos de não estar mais em casa, mas no quesito de que a dor da queda a estava afligindo. Suas pernas e braços estavam doloridos. Falar lhe ardia um pouco a garganta por causa da água salgada que quase a afogara e ela vomitara no convés. Sua cabeça latejava um pouco. Esperou o médico sair para dormir um pouco. Precisava dormir.
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Angelique
 Posted: Jun 19 2017, 08:48 PM
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O sorriso e amigável de satisfação ao ouvir a voz de Rainbow declarando o seu nome logo se dissolveu, tornando-se uma carranca de testa franzida ao ouvir ela dizendo "ir para a cova e ser alimento de vermes" e logo se corrigindo para peixes, logo um sentimento horrível inundou o homem em que gostando ou não, se sentiu ofendido pelo comentário, algo que passou extremamente batido pela garota que havia falado de qualquer forma, sem realmente pesar se quem ouvia poderia ser comparado aos tais vermes que ela anunciava, visto a ignorância diante das ilhas do céu se haviam ou não tais invertebrados ou se era apenas uma metáfora em que anjos iriam se juntar a seres inferiores. A (falta de) expressão da garota ainda deixou mais em dúvida se era uma criatura cansada e arrogante ou se realmente pouco tinha interesse na vida e nos demais anos que seguiriam.

Não vendo como um pedido para descansar e sim como uma ordem, Rainbow agora entrava em um pequeno coma, pois não fora preciso muito para que seus olhos se fechassem e sua mente desfrutasse de uma viagem espacial. Sua dormida durou não mais do que duas horas, momento com a qual fora acordada a pequenos toques de Sebastian, e por mais que ainda sentisse uma ardência nos olhos e uma preguiça tremenda, vontade essa que poderia fazê-la dormir ainda muito mais após ter seu corpo gélido em contato a um ambiente confortável e quente, agora tinha de desembarcar, visto que haviam chegado enfim na Ilha das Estrelas.

Não necessitava mais de ajuda para andar, porém Sebastian não sabia sobre isso, oferecendo-lhe a mão para apoiá-la na subida, se assim o desejasse. O convés estava bem molhado e os ventos fortes, mas não mais era existente a chuva, concretizando assim, a profecia e os poderes da garota diante os pingos. Os fiéis estavam alinhados, formulando um corredor para que ela fosse até a rampa de descida e assim que sua aproximação fosse feita, todos abaixariam a cabeça, respeitando-a e sendo humildes diante de toda glória que era tal divindade viva diante deles.

O porto de pedra era... Vivo. Uma multidão estava ali, mesmo na avançada hora da noite. Diversas pessoas, desde um grande grupo de jalecos brancos quanto um de mantos e capuzes com conjuntos de colares. Estava em uma embarcação e consequentemente, mais elevada que eles, fazendo com que todos erguessem suas cabeças para que pudesse olhá-la. A luz dos lampiões do barco apenas ressaltavam suas cores e as da cidade, apenas dava uma leve ilusão de ótica das cabeças que se movimentavam para vê-la, descrentes da existência de uma pessoa com asas que houvera caído dos céus e no tempo de retorno do barco, talvez para conjuração, a chuva se desfez, apesar das nuvens ainda grossas e raivosas nos céus, liberando pequenos flashes de luz, mas que ficavam entre si. Um silêncio mortal se fez enquanto nada mais era ouvido... Apenas a presença de Rainbow fora o suficiente para calar uma ilha inteira.

Um coro então se levantava aos fundos e como uma avalanche, todos presentes batiam palmas e gritavam maravilhados pela presença da garota. Alguns diziam que era um milagre a sua existência, os mais fixados na ciência apenas concordavam que ela ter sobrevivido àquela queda era surpreendente e sim, deveriam comemorar a sua vida salva, os mais fanáticos cantavam em busca de bênçãos e qualquer movimento dela, para eles, tinha um significado que ia além da compreensão humana, como se o ato de se abanar não fosse para espantar insetos ou o calor e sim, para empurrar nuvens para longe afim de trazer ou evitar chuvas, algumas pessoas faziam propaganda de suas igrejas e outras, a convidava para hotéis. Logo todos se calaram quando a multidão deu espaço para que dois homens pudessem passar.


- Seja bem vinda a Galilaios, minha jovem. - Dizia uma voz tranquila de um homem de jaleco e óculos que escondiam suas olheiras. Ele era alto e se vestia de uma maneira super comum, tirando obviamente sua veste de laboratório e um crachá com nada escrito. - Meu nome é Órion e sou... Hehe, o líder dos Galileis. Sua presença será agradável na Vila das Estrelas.

- Talvez fosse mais simples para ela ficar em meus conjuntos, na Cósmica Fé, Órion. - Um homem grande e com uma roupa cheia de detalhes, cabelos bem compridos e ruivos em contraste com a pele escura, muito mais chamativo que o primeiro a se apresentar. Olhava para Rainbow e se curvava como se ela fosse alguém muito maior que ele e de cabeça baixa, anunciava. - Sou Hubble e humildemente peço que considera sua estadia em "meu" território. É na subida do vulcão, bem mais acessível.

- Nisso você tem razão, meu caro amigo. Ela deve estar cansada... - O de óculos concordava enquanto sentia que também deveria se curvar para ela, porém fazendo apenas uma abaixada de cabeça e um tapinha na têmpora, algo bem mais comum entre pessoas que já se conheciam do que de um humano para uma entidade divina.

O povo todo curvava-se diante das duas figuras e Órion estava visivelmente constrangido com isso, pedindo para que todos ajeitassem-se, não havia nada demais, porém Hubble era um homem muito mais dessas coisas e achava necessário tal ato, respeitando aqueles que discordassem dele sem tentar impor algo. Até o médico que estava com a garota chegava a curvar-se levemente (a medida que sua coluna permitia), apenas por respeito a ambos.

Olhando para além da montanha, que na verdade era um vulcão inativo, era possível ver algumas casas perdidas que se juntavam à pedra. Na borda da boca do gigante de fogo adormecido, haviam algumas estruturas maiores e arredondadas, com o que pareciam dedos saindo de seus telhados, mas da distância era difícil dizer. O caminho era dividido entre escada e estradas, porém haviam mecanismos que permitiam uma subida rápida e fácil, era feito de madeira, tinha bordas de metal e puxado por grossas cordas revestidas em bronze. Algumas pessoas tinham de acionar um mecanismo que mandava um sinal para cima e daí em diante, não se sabia o que ocorria, mas ela subia como um verdadeiro elevador lateral, uma plataforma que levava um pequeno grupo de pessoas que era apenas um pouco mais sofisticada que um guindaste manual.
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Rainbow
 Posted: Jun 19 2017, 09:53 PM
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Rainbow




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Fora acordada pelo médico da Graça das Estrelas, Sebastian. O toque dele era leve, tão leve que Rainbow quase não despertara. Dormira pouco, mas dormira relativamente bem. Rainbow poderia dormir um dia inteiro sem problemas e a preguiça demonstrava que seu corpo queria mais. Talvez outra hora. Sentia que o barco já não balançava com tanto vigor e somada à presença de Sebastian, provavelmente tinham ancorado em Galilaíos. Aceitou a ajuda de Sebastian para se levantar, mas já sentia suas pernas firmes, apesar de seus olhos arderem um pouco. Tinha certo receio de testar suas cordas vocais, talvez ainda estivessem ardendo, assim como seus olhos, mas tinha prometido a Sebastian que conversaria com ele sobre o que acontecera com ela. Devia isso a ele e ela não gostava de deixar dívidas sem pagamento, afinal não sabia quando morreria e se morresse, quem cuidaria de pagar o que ela devia?

Subiram as escadas, Sebastian a apoiando ainda. Se deparou com um convés muito molhado, mas as gotas de chuva já não existiam mais. O vento, como um precursor da tempestade, ainda se fazia presente. Os cabelos coloridos de Rainbow esvoaçavam, querendo seguir na direção de onde o vento soprava. Assim que percebeu as pessoas alinhadas, logo pensou:

”Agora faremos a brincadeira do corredor? Espero que seja até a morte.”

A feição da garota não mudara em nada. Estava bem séria e não olhava nenhuma pessoa nos olhos para não lhe dar esperanças de que ela era a deusa de alguma coisa. Seguiu até a rampa de descida quando as pessoas baixaram suas cabeças em tom submisso. Virou-se e olhou Sebastian nos olhos. Queria ver o que a expressão do médico dizia.

Muita gente perambulava pelo porto, como em qualquer outro do mundo abaixo (no qual ela se encontrava) e no mundo acima. Lembrava do porto de sua cidade, sempre cheio e sempre movimentado demais. Mas era noite e aquelas pessoas, pelo menos não nas ilhas do céu, trabalhavam tão tarde. Esperavam alguma mercadoria importante? A corte de um rei? E assim que as pessoas a olharam, um silêncio sepulcral se fez presente. E desde que caíra do céu esse silêncio fora a única coisa que a agradara de verdade. Era como o silêncio da morte, o silêncio do cemitério.

Tudo que era bom durava pouco. Uma salva de palmas começou pequena, mas logo se tornou descontrolada, somada a gritos. Rainbow revirou os olhos rapidamente e disse para Sebastian sem emoção alguma:

-Porque eles estão fazendo isso? É para você?

Logo conseguiu distinguir algumas vozes clamando que era um milagre sua existência. Sua, que queria dizer a existência de Rainbow. Meneou a cabeça positivamente quando ouviu algumas pessoas dizendo que a coveira ter sobrevivido à queda era quase um milagre, nisso ela realmente concordava, em partes. Não acreditava em milagres.

De súbito se calaram novamente. Um bem-vindo silêncio se abateu no porto. E duas figuras se aproximaram de Rainbow. Os dois se apresentaram e quando o Hubble fala do vulcão, Rainbow ergue sua cabeça para observá-lo. Era um tipo de montanha, já tinha lido sobre vulcões, mas nunca tinha visto um. Nos livros dizia-se que cuspiam um tipo de líquido gelatinoso que destruía tudo por onde passava, pois era muito quente. Voltou seu olhar para a dupla e falou:

-Por favor, não se curvem. Não sou nenhuma deusa ou qualquer entidade superior. Se alguém tem que se curvar aqui, essa sou eu por terem salvo minha vida.

Estava se esforçando bastante para não ser indelicada e pelo visto precisava escolher muito bem suas palavras. Até Sebastian, que tinha salvo sua vida, parecia se curvar um pouco, ao passo que Rainbow fazia sinal para ele de que não era preciso fazer isso.

-Prometi ao doutor Knevitz que contaria o que aconteceu comigo. Então gostaria de ficar na casa dele por enquanto. Senhor Órion, como líder dos Galileis, também gostaria que estivesse presente. Senhor Hubble, também preciso resolver esse mal-entendido que acabou se espalhando. Se o senhor pudesse estar presente também, eu agradeceria.

Teria sido muito direta? Muito grosseira? O que os fiéis pensariam dela? Que tinham enganado a todos? A queimariam em praça pública? Não queria isso e realmente esse boato de que ela era uma deusa tinha se espalhado como fogo em capim seco, esperava que apagá-lo fosse fácil. Olhou para Sebastian, como em busca de aprovação para o que ela tinha dito.

-Tudo bem para você, doutor Knevitz? Espero não ser um incômodo.

Aguardou a resposta do médico e se voltou para Hubble.

-Depois de tudo solucionado, gostaria realmente de visitar o topo do vulcão. Se me for permitido, é claro.

Ergueu mais uma vez seu olhar para o vulcão, desta vez com mais calma. Sua visão aguçada lhe mostrava muita coisa. Casas aqui e ali, estruturas no cume do vulcão da qual ela não reconhecia, mas que pareciam ser dedos. Sebastian tinha comentado algo no barco que eles tinham equipamentos que podiam ver além das nuvens, seria aquilo? Viu os caminhos que se dividiam e um tipo de mecanismo interessante. Estava gostando um pouco mais do mundo de baixo do que tinha pensado.
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Angelique
 Posted: Jun 24 2017, 06:56 PM
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Quando as pessoas abaixaram a cabeça diante de tal divindade, Rainbow olhou para Sebastian, que ao ser mirado, logo bateu de ombros e levou o indicador e o polegar entre os olhos enquanto fechava os mesmos e poderia até suspirar, abrindo a boca para dizer algo, mas nada saiu pois o som que veio a seguir dos fiéis fora extremamente mais poderoso do que ele poderia fazer, comparado somente aos trovões que antes rugiam nos céus.

- Na mente deles, você é muito superior a mim, em termos de existência. Abrace-os se quiser... É bênçãos para uma vida simples que eles querem... - Ele iria falar mais, porém teve de manter o respeito, não para com "a deusa", mas sim com os líderes da ilha. Hubble era grande e forte, cabelos da cor do fogo, místico em suas crenças e não exatamente negava a ciência, mas acreditava que tudo tinha uma explicação sobrenatural, que a mente do homem ainda é pequena demais para compreender o que o povo de cima fazia, o que talvez remetesse Rainbow a quando simplesmente caiu da ilha da maneira mais pateta que poderia ter sido feita. Órion, por outro lado, um cientista que parecia meio desleixado, mas falava com autoridade, não um punho de ferro, mas sim como se estivesse falando por todos ali. Sua aparência era um tanto cansada, não somente por aquilo ser no meio da madrugada.

- Sem problemas, garota. Só espero que ache uma forma de ficar confortável... Minha casa não é nenhuma embarcação de resgate... - Dizia claramente deixando entendido que os confortos que teve naquela poltrona ou ambiente fechado com carpetes e bebida não seriam representados por sua humilde moradia. Ele batia de ombros, mas logo abaixou sua cabeça na medida em que Hubble se aproximava deles, subindo a rampa e oferecendo a palma para cima, esperando que a donzela divina aceitasse seu toque e como se ela espaço, permissão e aceitação, ele subiria e ficaria ao seu lado, voltando-se para os Galileus e Galileis com os braços abertos, falando para que todos retornassem.

- Uma reunião se fará nos aposentos do Doutor Knevitz! Retornem para seus aposentos e descansem! A noite é escura e cheia de terrores, porém, temos conosco uma deusa que veio dos céus! Conversaremos em particular e logo em seguida, repassarei tudo para vocês! Descansem, meus filhos, descansem pois há luz em nossa ilha! - Ele era orgulhoso, sua voz, por mais grossa que fosse, ainda era calma e aconchegante, muitas pessoas falaram um "amém" em conjunto e logo começaram a se dispersar. Os que não eram religiosos e sim meros curiosos, logo saíram dali e começaram a subir o vulcão a pé, visto que o guindaste seria usada especialmente para a deusa.

Órion, Hubble, Rainbow e Sebastian estavam ali, subindo com uma velocidade moderada, sem trancas e sem tonturas, era até agradável (mesmo com o vento querendo empurrá-los dali). Uma multidão, principalmente dos que viviam no interior do vulcão subiam com nas margens, despreocupados com tudo e pouco se importando com a existência da garota, apesar de olharem-na bastante. Os fiéis estavam mais abaixo, pois viviam junto a pedra e consequentemente, foram deixados para trás, culpando-se por não viver entre os cientistas e ter a oportunidade de ficar mas tempo com o arco-íris em forma de pessoa.

O fluxo de pessoas foi diminuindo, visto que a rampa que os levava era mais rápida e obviamente não fatigava. Chegou um momento em que já estavam próximo ao cume e Órion estava sentado perigosamente na beirada, olhando para o mar enquanto Hubble permanecia firme e forte ao lado da garota, assim como o médico do outro lado, com as mãos no bolso e segurando os curtos cabelos como se um chapéu imaginário estivesse em sua cabeça e sendo ameaçado de voar para longe a qualquer momento. Os tais "dedos" que ela via, agora se mostravam majestosos observatórios que fechados eram apenas um prédio médio e com o topo arredondado, nenhum estava em funcionamento naquela noite, então ela não teve a oportunidade de ver as tais lentes que o médico havia dito.

Assim que chegaram ao topo, Órion levantou-se e fora o primeiro a ir até uma rede de elevadores que pareciam com o que mineradores usavam, onde uma cabine sobe enquanto outra desce. Sebastian, educadamente aguardou por Rainbow enquanto o maior deles apenas aguardava a vontade divina ser feita, tomando o lugar de último ou penúltimo, visto que por mais ateu que o médico fosse, ainda tinha respeito pelo líder.

Assim que adentraram, todos em silêncio, o vento fora diminuindo até que eram tragados pela boca do vulcão inativo. As casas lá embaixo eram pequenas e tinham algumas iluminações que faziam parecer que aquele monstro ainda estava vivo, mas era apenas ilusão de ótica. Olhando para cima, vendo as nuvens que não deixavam a luz lunar banhar a todos, parecia que estavam adentrando em uma panela e a tampa não estava exatamente muito longe de trancá-los ali. A descida fora mais lenta e agradável, pois não existam forças para fazer os cabelos de Rainbow acertá-la como chicotes.

No que a cabine tocou no solo, uma espécie de palco com amortecedores embaixo fez com que ela balançasse um pouco, obrigando Sebastian a dobrar um pouco os joelhos e reclamar de como nunca chegou a se acostumar com aquilo, recebendo uma olhadela séria de Hubble e Órion que soltou uma leve risada do ocorrido, visto que Rainbow poderia também sofrer da parada abrupta e as leis da física aplicarem-se em seu corpo.

Caminharam algumas quadras quando enfim chegaram até a residência de Knevitz, o que não era exatamente algo de luxo. Uma pequena clínica de primeiros socorros era sua entrada e em seus fundos, a casa propriamente dita.


- Peço desculpas, ando ocupado e não esperava visitas... Ainda mais como vocês... - Ele não dizia de uma forma ofensiva, pois realmente era inesperado a presença de ambos os líderes e de alguém que caiu do céu (apesar de ser super comum ele levar para lá as pessoas que resgatava dos mares). Hubble adentrou com algumas cerimônias, como que abençoando a casa e preparando-a para que Rainbow fizesse sua entrada. Órion ia durante as firulas de seu amigo e logo se acomodava em uma cadeira, mas curioso em o que o médico tinha pela casa, começou a andar e mexer num pequeno telescópio que ele tinha, verificando a posição de para onde estava voltado e puxando um papel e uma caneta de seu jaleco, deixou algumas coordenadas para ele.

Sebastian pegou algumas cadeiras e deixou para que todos tivessem seus lugares (apesar do grande Hubble estar sentado na cama dele, local bem confortável). Sua mesa era redonda, mas era a casa de um homem solteiro aquilo e portanto, as coisas estavam arrumadas de uma maneira bem simples, mostrando que o tal médico não precisava de muito ou apenas não usava aquela casa mais do que apenas um local de repouso. Sua clínica não era grande o suficiente, apenas para lidar com problemas pequenos e da redondeza.
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Rainbow
 Posted: Jun 24 2017, 09:58 PM
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Entendia a crença das pessoas, mas não achou que deveria abraçar ninguém. Abraçando-os ela aceitava que era uma deusa e continuaria enganando aquelas pessoas. Rainbow não esperava que Sebastian a tratasse como uma rainha, melhor dizendo, deusa. Ela só achava que devia uma explicação e que essa explicação tinha que ser dada para o médico que a tinha salvo a vida. Respondeu para ele:

-Obrigada. Não espero ser tratada com honrarias. Fique tranquilo quanto a isso.

A palma da mão de Hubble sendo oferecida para Rainbow a surpreende. Não era muito de ter contato com gente viva. Mas para não o deixar sem graça ela aceitou a mão do homem. Ele tomou posição ao lado da coveira e ela permaneceu quieta, sem um sorriso sequer. Sua expressão era impassível, como a de um corpo morto que já estava com os sintomas do rigor mortis. Somente suas pálpebras desciam de vez em quando para manter suas órbitas úmidas. Hubble falava sobre a reunião e mais uma vez ele pontua que ela era uma deusa. Teve vontade de argumentar contra, mas resolveu não o fazer. Ela começava a pensar se Hubble e Órion não controlavam aquelas pessoas através da fé e precisavam de algum bode expiatório para que a população confiasse neles.

As pessoas se dispersavam e para surpresa de Rainbow, alguns começavam a subir pela trilha em vez de usar o mecanismo que os ajudaria a subir mais facilmente.

-Porque eles não podem usar aquilo para subir o vulcão? Não, não, não.....por favor, peçam que eles usem o mecanismo para não andarem tanto.

Apesar de não ter esperanças quanto à vida, Rainbow sempre se importava com as pessoas. Independentemente da decisão de Hubble, Órion e companhia, eles subiram pelo tal guindaste. Ventava um pouco e Rainbow via seus cabelos mais uma vez esvoaçarem com vigor. Olhou para baixo e percebeu olhos demais sobre ela. Chamar a atenção não era tanto de seu feito, mas suas cores realmente contrastavam com aquela escuridão. Começava a sentir pena das pessoas que tiveram que ficar no sopé do vulcão.

A subida continuou com Órion muito perto da beirada do mecanismo, então Rainbow tivera que tocá-lo, para evitar um possível acidente. Claro que se ele caísse daquela altura, sua morte seria quase certa. Daí pensou em si mesma caindo do céu e já não sabia mais o que era certo ou errado. O que seria certo era ela cavando a cova de Órion. Disse ao tocar o homem religioso:

-Cuidado. Esses ventos são muito traiçoeiros e você pode se desequilibrar.

Não sorriu mesmo assim. E ergueu seus olhos para os dedos que já tomavam forma. Eram prédios. Mas era possível perceber que estavam fechados, talvez por causa da tempestade. Esperava que a próxima noite fosse mais tranquila, gostaria de ver as tais lentes de observação. Sentia que aquela ilha seria um adendo fantástico para seus conhecimentos arqueológicos. Talvez até encontrasse uma relíquia.

Seguiu os três para um tipo de elevador de mineiros. Foi a segunda a entrar no elevador. Sentia uma certa pressão no ar ou era impressão dela? A tempestade estava voltando? Desceram pela boca do vulcão, todos em silêncio e Rainbow ficou muito interessada nas casas lá embaixo. Viviam dentro do vulcão e não tinham medo que ele jorrasse lava novamente. Maravilhoso.

A descida foi mais tranquila que a subida até o cume. O que a desequilibrou um pouco foi quando o elevador tocou o solo. Sebastian até comentou sobre e Rainbow tentou apoiá-lo para que não caísse, claro que ela com aquele corpinho magricela não conseguiria segurar Sebastian nem se ela quisesse. Mas a Skypean estava preocupada com o médico. Ele alegara cansaço e ela vinha percebendo que no barco ele se sentou no chão com um pouco de dificuldade.

Foi interessante caminhar por entre as casas. Era uma vila inteira dentro do vulcão. Logo estavam em frente à clínica de Sebastian e Rainbow o respondeu logo após sua fala:

-Não se preocupe doutor Knevitz. Também não pensei que viria até sua casa para lhe contar o que me aconteceu.

Após Hubble fazer umas coisas estranhas antes de entrar a casa, Rainbow entra e fica do lado da porta, esperando ser convidada para se sentar. Sebastian logo trouxera algumas cadeiras e finalmente ela se sentou. A coveira olhou em volta e nada disse. Era um local aconchegante perto do mausoléu que ela vivia antes de seu mentor encontrá-la.

-Acho que já posso começar não é?

Olhou para Órion, Hubble e então Sebastian, nessa ordem. Caso um dos três ou os três quisessem falar algo antes, ela não se importaria. Caso alguém fosse falar algo, Rainbow esperaria e então começaria seu relato.

-Eu sou uma Shandian. Como podem ter percebido pelas minhas asas. Não sei se vocês têm conhecimento da minha raça. Se não tiverem, posso explicar um pouco sobre.

Aguardou um pouco para continuar. Sempre faria pausas comedidas para comentários.

-Minha casa fica em uma ilha no céu, acima das nuvens. Trabalhava como coveira na minha terra natal. Tive que fazer a exumação de um corpo e acabei cavando demais, caindo logo em seguida.

Não precisavam saber que ela estava puta com seu mentor e queria enfiar a pá dele naquele lugar para que ele a recebesse no outro mundo.

-Caí com a pá que era do meu mentor e acabei perdendo-a no mar. Se não fosse por Sebas....quero dizer, pelo doutor Knevitz, com certeza estaria sendo comida de peixe agora.

Deu um sorriso amarelado para todos, que acabou por parar em Hubble. Saber que ela não era uma deusa poderia frustrá-lo de algum modo do qual ela não conhecia. Então resolveu continuar:

-Senhor Hubble. Sinto muito lhe informar que eu, Rainbow, não sou uma deusa. Sou uma simples coveira e arqueóloga. E ainda que minha queda em sua ilha foi uma coincidência enorme e eu ter sobrevivido foi uma sorte maior ainda.

Rainbow já esperava gritos de “mentirosa”, “você tentou nos enganar”, “ vamos prendê-la”, entre outras acusações absurdas. A não ser que....
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Angelique
 Posted: Jun 27 2017, 09:18 PM
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- Eles não o usam por respeito a você. Apenas os líderes tem "poder" para estarem próximos e eles são humildes demais para isso. Não se preocupe, quem mora aqui já está acostumado com isso. - Respondia de forma seca Órion enquanto observava a população se movendo. Não era exatamente algo tão horrível, visto que a subida não era ingrime e pelos anos de constante uso, trilhas foram feitas para melhor facilitar a subida a pé.

- Não se preocupe. Esse guindaste tem proteções abaixo dele que não permitem suicídios, mas machucados feios. Obrigado pela preocupação de qualquer forma. - Órion não era exatamente a pessoa mais entusiasmada do mundo naquele horário, mas certamente era amigável. Sua voz era calma e agradável, porém, assim como o do médico, vinha com um pouco de cansaço e ele preferia ficar quieto na sua maior parte do tempo.

A caminhada no interior do vulcão era bem simples e a garota se maravilhava com aquilo. O solo terroso tinha algumas pequenas fissuras, mas em sua maioria era reto como uma chapa e sem deformidade alguma, como em perfeição mesmo. Das pequenas brechas que tinha, uma luminosidade avermelhada vinha do interior, mas que mesmo que seu dedo fosse enfiado ali, não sentiria calor algum emanado, apenas nunca deixando o local realmente no escuro. Parecia que o coração do vulcão estava logo abaixo deles, pois pulsante do jeito que era em seu brilho avermelhado (puxando um pouco para o amarelo, sendo mais laranja em sua pulsação).


- Seres superiores. - Respondia Órion quando questionado sobre quão vasto eram seus conhecimentos sobre shandians. Hubble logo abriu um sorriso, olhando para ele com certa surpresa, mas logo seus olhares se encontraram e ele riu, sacudindo as mãos na frente do rosto e perdendo um pouco de sua seriedade. - Não do jeito que você está pensando, meu amigo. Digo "superiores" como quem está acima de nós fisicamente. Aliás, nossos conhecimentos não são tão vastos assim, uma de nossas preocupações é justamente procurar por ilhas do céu, coisa que nos últimos anos, só conseguimos achar três e mesmo assim, as perdemos de vista por sua inconstância local. Parece que algo tão pesado como a terra, solo, está se locomovendo nas nuvens como empurradas pelo vento... Isso é fascinante.

- Sobre sua pá... Se tiver um valor histórico ou mesmo afetivo, posso organizar um grupo de resgate para que se faça uma procura pelos mares. Se caiu junto de você, então deve estar em um raios não muito longo. Sem falar que ao nosso redor não existem fluxos marítimos muito fortes, mais era essa tempestade mesmo e que mesmo assim, não iria sumir. Em uma semana, mais ou menos, teremos seu artefato. Se assim desejar, claro. - Knevitz falava enquanto se escorava na cadeira e tentava estalar sua coluna, porém não tivera forças para tal, torcendo um pouco o tronco em um jogo de ombros. Abriu as pernas e se dobrou para a frente, colocando os cotovelos sobre os joelhos e fechando as mãos diante dos lábios enquanto olhava seriamente para a garota que relatava que simplesmente houvera caído dos céus.

Suas últimas palavras foram dedicadas especialmente a Hubble, da qual ela temia que ele desse algum tipo de surto ao receber a verdade em sua face, mas parecia ter subestimado a fé de um fanático. Ele tinha a expressão séria o tempo todo, mas abriu um sorriso amigável para ela ao receber um pedido de desculpas. Se levantou e postou-se diante de Rainbow, apenas para se ajoelhar e ficando finalmente mais baixo, pois era o maior de todos ali e não queria de modo algum que a garota tivesse de olhá-lo de baixo, o contrário deveria ser feito.


- Sua humildade é cativante, mas você não pode achar que não houve trabalho divino. Suas asas podem ter quebrado na queda...

- Na verdade, as asas de shandians são meramente ilustrativa, elas servem apenas como enganador de peso, deixando-os mais leves do que aparentam ser (desculpe).

- ...Cam ham. - Pigarreava Hubble ao ser interrompido pelo amigo e logo em seguida continuando o que tinha para falar e deixando Órion com as mãos levantadas enquanto fazia uma expressão carrancuda, pedindo fracas desculpas com a voz controlada para que não recebesse mais nenhum xingão. - Suas asas podem não lhe ter sido útil na queda, mas provavelmente divindades a guiaram até a segurança. Olhe para seu corpo. Perfeito! - Então se levantava e como se estivesse em uma igreja, olhava para todos presentes como que esperando que se juntassem a ele, entusiasmado com aquilo. - Divisora de Tempestades, Cavadora de Céus, Anja do Mar e do Céu, Cores da Escuridão. Diversos apelidos podem ser conferidos a você e eu tenho certeza que isso não é o acaso... Não como o outro shandian.

- Outro? - Como que despertado de um sono, Sebastian olhava para o maior, claramente perdido no que estavam falando.

- Ah... Vocês ainda o mantém? - Órion parecia estar mais surpreso que o médico.

- Mas é claro. Nosso Deus do Tempo jamais nos abandonaria. Ele está em nosso local, mas não gosta muito de sair. Abençoado seja...

Órion olhou para Rainbow que possivelmente não houvera compreendido nada e logo puxou sua cadeira para que ficasse exatamente na frente dela, mesmo que não próximo, havendo aquele animal de grande porte. Ele retirou seus óculos com uma mão e a outra apertou os cansados olhos, como que procurando uma maneira de se manter acordado naquela hora noturna.

- Uns meses atrás, um shandian apareceu entre nós.... Ninguém sabe de onde ele veio... Hubble acredita que como "Deus", ele não precisa exatamente de uma origem, sendo um dos criadores de tudo e que se originou dele mesmo... Algo assim.

- Como o Big Bang de vocês. - Respondia orgulhoso, com um sorriso maligno.

- Sim, como nosso Big Bang... - Seu suspiro só demonstrou um pouco mais de cansaço, mas logo se voltou para a garota novamente. - Bem, esse shandian era... Peculiar. Falava sobre como o tempo é uma ilusão e tudo nesse mundo era irrelevante. Não sabíamos o que fazer com ele e conseguindo apoio das massas, nosso querido ruivo aqui cuidou dele e aparentemente cuida até hoje.

- Glória.

- De qualquer forma... Desculpe perguntar, mas o que pretende fazer agora? É impossível retornar a uma ilha do céu, visto que suas coordenadas são inacessíveis pela constante mudança e se houvesse uma maneira segura de fazê-lo, já teríamos feito. Não quero lhe causar medo, mas acho que você está presa aqui...
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Rainbow
 Posted: Jun 27 2017, 10:48 PM
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A resposta imediata de Órion sobre os Shandian impressiona um pouco Rainbow. Hubble logo em seguida abre um sorriso, com certeza concordava com aquilo, mas o líder de Galilaíos emenda uma explicação, digna de um pesquisador. A explicação deixa a coveira mais tranquila quanto aquela situação tão inusitada e ela acena positivamente com a cabeça.

Sebastian comenta sobre a pá que caiu com ela da ilha do céu e ela ergue a direita, balançando-a de uma lado para outro em tom negativo.

-Não será necessário doutor Knevitz. Já estou causando problemas demais e não quero atrapalhar. A pá tinha um valor sentimental apenas, não tinha valor comercial e nem histórico.

Pelo menos não para ela. Depois que disse aquilo, poderia pensar que Hubble iria querer encontrar a pá e trazê-la como um troféu da deusa colorida da chuva. Esperava que não tivesse errado em suas palavras. Sebastian parecia não encontrar posição na cadeira, mas Rainbow não se importou muito com isso. Era, achava, coisa de idoso. Dor nas costas e estas coisas. Prenúncio de que o corpo já estava chegando ao seu limite, como todos os outros chegariam.

Com receio de que Hubble poderia ter um ataque de fúria, Rainbow estava imóvel e estática na cadeira, preparada para agir com sua máxima velocidade, se preciso, mas o grande homem abre um sorriso para ela e se prostra à sua frente e ela percebe que nem ela dizendo a verdade da própria boca ele acreditaria nela.

“Pobre homem.....engolido pela ignorância.”

Encarava Hubble de cima, já que ele estava em um nível mais abaixo. E mais um xeque mate de Órion, mas Rainbow entendia muito bem que ela não poderia zombar dele. Se ele acreditava, o que mais poderia fazer além do que já tinha feito? A verdade não era suficiente e não sabia o que mais o seria.

Instintivamente ela olhou para seu colo, braços e pernas após as palavras de Hubble. E então para Sebastian, que era o médico e poderia dizer melhor como ela realmente estava. Qual o real estado da Shandian.

O que a deixa de olhos arregalados é o gigantesco nome que Hubble atribui à Rainbow. Imagina se ele soubesse.

”Se ele soubesse a realidade...pensando bem, se soubesse me teria como uma deusa realmente. A união de dois sexos seria adicionado ao meu gigantesco nome.”

E então ela retorna à realidade como se puxada de um buraco.

-Outro shandian? Como assim?

Sua pergunta é quase ao mesmo tempo da de Sebastian. Rainbow olhava Hubble estupefata. Aparentemente somente Hubble sabia desse outro shandian.

-Como assim o mantém? Você mantém um membro da minha raça? Mantém de manter preso?

Aquela história estava deixando Rainbow bem preocupada. Mesmo com a resposta de Hubble que o “Deus do Tempo” não os abandonaria e muito menos gostava de sair. Por um momento Rainbow perde um pouco a compostura, mas pensa melhor e se recompõe. Não queria deixar traços de que ela estava desconcertada por saber que havia outro shandian na ilha e que possivelmente era um prisioneiro.

Talvez percebendo isso, Órion se aproxima de Rainbow, na verdade se senta na frente dela, para explicar a situação. Hubble retrucava algumas palavras de Órion e até deixou um “Glória” escapar. Antes das palavras de Sebastian, ela responde à Órion e Hubble.

-Entendo. Eu poderia visitar esse shandian? Não digo agora. Percebo que estão cansados, eu estou cansada e não totalmente recuperada. Mas gostaria de visitar esse shandian. Tenho algumas perguntas para ele.

E pela primeira vez ela sorriu.

E Sebastian agora jogava a realidade na cara da coveira.

-Você tem razão doutor Knevitz. Estou presa....mas pretendo descobrir como voltar às ilhas do céu. E enquanto estiver aqui, gostaria de aprender o máximo de coisas possíveis e talvez conseguir uma pá novamente. Como arqueóloga e coveira, quero me fazer útil para aqueles que estou em dívida.

Seu olhar era mais direcionado à Sebastian.

-E então? Querem continuar conversando um pouco mais ou podemos descansar? Antes de alguém tocar no assunto....eu vou ficar aqui com o doutor Knevitz. Dormirei no sofá.

Abriu outro sorriso, este mais agradável. Mas os dois eram só aparências.
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Angelique
 Posted: Jul 3 2017, 07:37 PM
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- Mas é claro! - Órion ia falar, porém Hubble o atravessa, permitindo que Rainbow fizesse o que bem entendesse como a deusa que supostamente era e que, em teoria, tudo era dela e não se pode negar algo que uma divindade criou e emprestou a meros humanos, certo? O grandalhão tinha orgulho em saber que ela iria até o seu lado da ilha e melhor ainda, para uma de suas igrejas. - Receio ter trabalho para amanhã, então que tal se você subisse a boca do vulcão e fosse até a minha presença? Qualquer um saberá lhe informar onde estarei. Avisá-lo-ei de sua visita.

Logo em seguida a garota anunciava que talvez fosse melhor acabar com aquela conversa e de uma maneira nada discreta Órion ergueu os braços, estalando-os enquanto esticava o corpo onde poderia facilmente bocejar, mas não o fez por educação. Hubble ia protestar, mas o que é dito para uma deusa para que ela revogue uma lei? Ela criou todas as do universo, era a protetora deles, dissipadora de tempestades e provocar sua fúria, ainda mais em um momento de cansaço, certamente não seria sábio. Contra sua vontade (que era de ficar mais um tempo ali, desfrutando de sua companhia), o maior concorda e Knevitz apenas se levanta, indo abrir a porta para os líderes de sua ilha.

Após algumas palavras de "até logo", ambos vão embora, deixando um silêncio pairando na casa. O médico demorou um pouco em se distanciar da porta em si, retornando após um período para o mesmo local em que Rainbow estava. Ele parou e a observou por um tempo, pensando em alguma coisa que não lhe vinha em mente e logo em seguida balançou a cabeça negativamente, indo até seu armário e pegando mais algumas cobertas.


- Me desculpe, Rainbow, mas terei que ser contra sua ideia de ficar no sofá. Você caiu do céu e de alguma forma, sobreviveu. Se você tiver alguma escoriação que eu falhei em notar ou algum problema, seu sono será perturbado e mesmo um precário descanso não será o suficiente para seu corpo que com certeza fora bombeado por adrenalina. Você precisa e merece de um descanso verdadeiro. Não posso disponibilizar uma maca e estou acostumado em dormir em sofás ou cadeiras, vida de médico, entende? Por favor, não seja teimosa e obedeça ordens médicas. - Sua voz passava a imagem que ele era um homem rígido e sério, apesar de que em outros tempos ela soubesse que era apenas cansado, talvez fosse assim apenas pelo fato de já estar muito tarde a ponto de ser chamado de cedo, logo o Sol iria se levantar e aquecer a todos.

Se a garota aceitasse ir se deitar na cama, sentiria que estava fundo em seu meio, possivelmente pelo contorno do médico e era exatamente a parte mais fofa da cama. Seu travesseiro também era bastante confortável e sua cabeça basicamente afundava no meio dele, como grandes bochechas brancas que se estufavam, diminuindo qualquer som que pudesse ouvir, pois tudo se abafava e poderia se concentrar em seu sono. O médico iria então retornar para seu armário e logo em seguida ir até o banheiro para colocar seu pijama, o que era apenas uma calça de moletom esfarrapada e uma camiseta mais leve e sem botões que parecia ser um número maior que o dele. Enrolaria um lençol de travesseiro e se deitaria com ele, sem tendo exatamente grandes problemas para cair no sono enquanto se encolhia.

Para o caso de Rainbow manter sua teimosia e permanecer no sofá e não sair de lá, o médico ainda iria colocar o seu pijama, mas puxaria o seu colchão da cama e o colocaria ao lado de onde a garota iria dormir, pois se ela não estivesse em paz, ele também não queria estar. O que não mudava muito era o fato dele estar extremamente cansado (por ter pego chuva, lidado com um barco cheio de fanáticos, o stress de ficar junto dos líderes ao mesmo tempo, adentrar madrugada) e rapidamente pegar no solo, roncando um pouco ao lado dela, mas acordando após cinco minutos, se remexendo e dormindo de barriga para baixo enquanto ficava com a mão embaixo do queixo, evitando abri-la para roncar e incomodar a hóspede.

Não tinha nada que uma garota pudesse usar, mas fora até a clínica antes de se deitar para pegar um pequeno jaleco fechado para ela. Era de um tecido leve e parecia um vestido feio e azul, que para sua sorte não era aberto atrás e deixaria suas nádegas a mostra. Se quisesse, tal indumentária seria algo que a deixasse mais relaxada do que suas roupas meio úmidas e coladas ao corpo, que transmitiam um cheiro forte de sal.

Em qualquer cenário, a anja iria dormir facilmente (mesmo que acordando com algumas dores específicas pelo corpo, pela área das costas, sendo ombros e base, do sofá, claro) e agora, totalmente cheia de energia, sentiria fome. O Sol não houvera acordado, pois as janelas estavam fechadas e nenhum barulho houvera incomodado-a. Sentado no escuro próximo a janela com uma brecha que lhe permitia ler, estava Sebastian com dois pacotes de salgadinhos, cortado com uma tesoura e colocado em uma tigela para que não fizesse qualquer estalo e outro fechado. Um caderno estava em sua frente e uma planilha ao lado, onde ele checava algumas coisas vez ou outra, anotando. Assim fazia o seu trabalho para dar continuidade ao infinito e ao mesmo tempo, garantir que sua convidada e paciente tivesse o repouso necessário.

Ela fazendo qualquer sinal de que estava acordada, logo se levantaria da maneira mais rápida possível, querendo fazer uma espécie de serviço de quarto para ela e mostrando que sua postura já estava bem melhor. Não era o ágil que queria, pois em sua cabeça, queria ter velocidade o suficiente para que ao que a garota se sentasse onde houvera dormido, desse tempo para que ele entregasse os salgadinhos para que, ainda em conforto do colchão ou das almofadas, pudesse desfrutar de mais um tempo deitada enquanto saciava a voraz fome da manhã, algo que com certeza não seria facilmente saciado por meros salgadinhos quadrados e quebradiços com sabor de milho e queijo. Sebastian estava ainda com algumas olheiras, mas tinha um sorriso mais saudável no rosto, assim como falava mais facilmente, sem o arrastado do sono.


- Muito bom dia, Rainbow. Creio que não haja vulcões onde você mora, então... Acho que seria bom para o seu tratamento que antes de fazer seus afazeres com sua raça, que fosse tomar um Sol e averiguar o nosso cenário habitual. - Ele até ria no final, parecia estar falando deles, humanos, como uma raça de zoológico, animais selvagens que com certeza não existiam no reino das nuvens e obviamente, existiam mais dos dela embaixo do que dos dele acima.

Concordando em dar uma olhada lá fora, veria que nenhuma porta estava trancada, dando total liberdade para ela (afinal, não era nenhuma prisioneira) e ao abrir a porta, veria o solo marrom com cinza, marcado por cicatrizes vermelhas que mesmo de dia, ainda tinham uma coloração pulsante de seu interior e com inexistência de fumaças. Os odores do local eram de pedra, algo que não era exatamente desagradável, mas não somava com a beleza que eram as paredes que os cercavam como se ela estivesse na palma de um gigante que a erguia e no topo, o círculo que parecia uma mira em um ponto específico do céu, como se por ali ela estivesse novamente nas nuvens (mesmo que sua posição fosse até mais abaixo que o nível do mar). A sensação é que estivesse em uma cúpula muito acima e que não houvesse nada ao seu redor além do vento, das aves e de formas de nuvens que balançavam com sopros. Não havia mais sinal algum de tempestade e de fato, sua queda houvera acalmado a verdadeira deusa da chuva. Irônico...

A população daquela parte da ilha era dos mais céticos e ninguém parou propriamente o que estava fazendo para dar qualquer tipo de saudações para ela, mas os que o faziam, literalmente paravam para dar o "bom dia", mesmo que o Sol insinuasse que já estava bem próximo do horário do almoço. Uma ou outra pessoa a saudou com orgulho ao ter falado pela primeira vez com uma shandian e até um rapaz, facilmente impressionado pela beleza da garota, retirou o cigarro da boca, curvou-se enquanto tirava seu chapéu e esquecia de colocar o fumo novamente entre os lábios, olhando-a como se nenhuma mulher terrestre fosse ao nível dela, admirando-a e constrangido por encarar por tanto tempo, pediu desculpas e colocou o chapéu, saindo dali e indo cuidar de seus afazeres que com certeza não eram de observar a "Mensageira dos Céus".
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Rainbow
 Posted: Jul 4 2017, 02:50 PM
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A Shandian arregala os olhos mais uma vez quando percebe que Hubble atravessa Órion nas palavras. Aquilo estava ficando bem sério. Ela meneia a cabeça positivamente para Hubble, mesmo não deixando claro se ela iria visitar ele no outro dia. Hubble era bem afobado, desesperado e dava certo medo. Rainbow se sentia nua sem sua pá de coveira. Teria que dar um jeito nisso o mais rápido possível.

-Claro senhor Hubble. Subirei e o encontrarei amanhã então. Como desejar.

Olhou para Órion e deu de ombros como se dissesse que não tivera muita escolha para isso. Rainbow não se importou que Órion esticasse s braços, estava realmente tarde e todos precisavam de descanso. A coveira se levanta e acompanha Sebastian até a porta, para se despedir dos dois líderes. Após as despedidas, restavam Sebastian e Rainbow, quase completos estranhos, sozinhos na casa dele. Rainbow já tinha voltado e sentou-se no sofá, esperando que o médico lhe trouxesse uma coberta para ela usar durante a noite.

-Algum prob.....

E deu um pulo, se assustando com a fala repentina de Knevitz. Entendia a preocupação do médico, mas ela não achava justo ele ter que dormir no sofá.

-Sua preocupação é válida, mas confesso que sou um pouco teimosa. E também já dormi em vários lugares bem piores do que uma maca ou cadeira. Você está com uma cara de cansaço enorme e eu vim me hospedar na sua casa sem sua autorização ou convite prévio. Vou ficar me sentindo culpada. Só se....

E colocou o dedo indicador na boca, erguendo os olhos para o teto, pensando em uma saída plausível ou compensação para Knevitz:

-...eu te compensar fazendo o café da manhã. Tudo bem?

Não esperou resposta do médico. Ela já tinha decidido isso. Então resolveu ficar com a cama mesmo. Sebastian realmente lembrava muito o pai dela. Mas a coveira estava conseguindo se virar bem. Achava isso, mas poderia estar completamente errada.

A cama já estava marcada pelo corpo do médico, mas era bem fofa e confortável. O travesseiro lhe lembrava as nuvens que tocaram seu rosto quando ela estava caindo e eram muito agradáveis. Ficou olhando para Knevitz, que seguiu ao armário e pegou um pijama. Normal. Ela também tinha um, era um tipo de macacão com caveirinhas e ossos cruzado embaixo das caveiras, mas esse pijama era história já. Tinha ficado no cemitério da ilha do céu, em seu quarto, dentro do baú que ficava aos pés de sua cama. Uma lástima, era seu preferido (e único). Como se lesse seus pensamentos, Sebastian lhe traz um jaleco que ela poderia utilizar como pijama. Ela agradeceu, foi ao banheiro, retirou suas vestes úmidas e vestiu o jaleco que a deixara mais relaxada. Dormiria como a um anjo aquela noite.

Deu boa noite ao médico e quando se deitou de fato e fechou os olhos, desmaiou. O sono pareceu tão pesado que ela acordou logo depois, como se não tivesse dormido, mas dormira a noite toda. Estava revigorada e com um pouco de fome. Demorou um tempo para reconhecer onde estava, achou que tinha sonhado que caiu do céu e que ainda estaria em seu quarto no cemitério, mas não estava. Tinha tudo acontecido de verdade. Olhou para o sofá e não tinha ninguém, ia se levantar, mas teve tempo apenas de se sentar na cama e viu que Sebastian se levantava rápido, lhe trazendo salgadinhos de café da manhã.

-Bom dia Sebastian. Como está? Dormiu bem? Ah...obrigada.....

Pegou o pote de salgadinhos que tinha cheiro de queijo. Comeu alguns enquanto aguardava a resposta do médico, que veio com um bom humor incrível, chegava a irritar um pouco. Ela arqueou uma sobrancelha em tom de curiosidade. Não estava entendendo o porque daquele jeito de falar.

-Como assim? Minha raça? Você também está começando a engolir que eu sou uma deusa? Por favor....diz que não acredita nisso.

Comeu mais um pouco do salgadinho que não a estava saciando de forma alguma. Knevitz estava bem melhor visualmente. Falava bem e parecia andar melhor. O sono o revigorou. E isso era ótimo.

Terminou de comer e se levantou. Foi ao banheiro, ainda com o jaleco azul feio, lavou o rosto e enxaguou a boca. Queria desesperadamente um café e tinha falado na noite anterior que cuidaria disso para Knevitz. O médico era tão ou mais teimoso que ela ou poderia não ter digerido que ela faria o café da manhã por estar muito sonolento. Não o culpava.

-Doutor....farei um café, aceita? Café puro como a noite mais negra e como o limbo que aguarda a todos os seres vivos.

Ao falar isso os olhos de Rainbow brilharam de excitação. Sentiu o corpo um pouco dolorido, talvez da queda. Fez o café, serviu duas xícaras e bebeu uma delas em poucos goles. Comeu um pedaço de pão, se tivesse, para acompanhar o café. Agora sim ela se sentia completamente renovada.

-Prontinho....sou outra mulher agora. Me acompanha na caminhada ou tem afazeres urgentes na sua clínica?

Independente do sim ou do não, Rainbow segue até o banheiro e verifica se suas roupas com cheiro de sal estavam secas. Se estivessem, ela a veste e deixa o jaleco, devidamente dobrado, em cima da cama de Sebastian. Se ainda estivessem úmidas, iria de jaleco mesmo fazer o passeio.

Com ou sem Sebastian, ela segue para o passeio. O chão era bem contrastante com o chão das ilhas do céu. Era como que o magma quisesse explodir a qualquer momento através de algumas rachaduras. Mas não tinha fumaça alguma que indicasse isso ou mesmo explosões. O cheiro de pedra era bom. Agradável. Ao olhar para cima viu um céu limpo com algumas nuvens, ficou imaginando se aquelas nuvens seriam suficientes para guardar uma cidade ou mesmo uma pequena vila, mas parecia que não. Chegar até elas era um dos problemas que a coveira teria que solucionar.

Foi caminhando na direção do topo do vulcão. Agradeceu que apenas algumas pessoas lhe davam bom dia e não se arremessavam ao chão para venerá-la. Gostou daquela parte da ilha. Ainda mais ficar dentro do vulcão com a iminente ameaça de ele explodir e acabar com sua vida e a de todos ali, levando-os ao limbo da eterna morte. Respondia todos os “bom dia” sem esboçar nenhum sentimento. Claro que uma ou outra pessoa a achava diferente, afinal era uma shandian e acreditava que eles eram bem raros por estas bandas.

O que a deixou sem reação foi um rapaz que pareceu se encantar demais com a coveira. No fim ele pediu desculpas por encará-la por tanto tempo ao passo que ela só levantou a mão direita e abanou, como se dissesse “tudo bem”. Depois dessa cena, ela riu um pouco sozinha enquanto subia para o topo de vulcão. No caminho, se encontrasse alguém, ela pediria informações de onde Hubble estava. Precisava encontrá-lo e queria muito conversar com o outro Shandian que vivia em Galilaíos.
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Angelique
 Posted: Jul 14 2017, 02:25 AM
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A ideia de Rainbow ao ter que fazer o café da manhã para compensar ter dormido na cama fez com que o médico meramente batesse de ombros, pois ele mesmo nem ao menos se importava com condições que poderiam ser facilmente quebradas (poderia ter dito que ele iria cavar até encontrar magma incandescente que facilmente concordaria apenas para que se calasse o quanto antes) desde que ela concordasse em dormir na cama.

- Quis dizer no sentido dele também ter... sabe? - Como um adulto explicando para uma criança as funções de seu "pipi" enquanto tentava ocultar as partes mais sórdidas, ele arqueia um pouco as costas e aponta para elas, insinuando que humanos não tinham asas e somente ela e o outro iriam ser encontrados naquela ilha com (ignorando as aves, claro). Sua face era séria como se ele tivesse sido ofensivo com ela de forma xenofóbica, mas apenas quis simplificar seus pensamentos, o que causou uma confusão nele.

Era questionado se a acompanharia em um café e isso o aquietou um momento, mas logo ela fala de maneira bem sombria e isso causa um calafrio no médico, que estampa em seu rosto uma careta.


- Talvez queira o meu sem o cheiro de morte... Não convivo muito com ela e pretendo mantê-la afastada, vê? Sou um médico, suposto melhor amigo dela, mas ela é como aquela pessoa chata que mora ao lado e todo dia bate em sua porta tentando puxar papo. - Ele andava até a janela e abria um pouco, visto que Rainbow havia acordado e para a surpresa dele, uma senhora que parecia ser vinte anos mais velha que ele (não que ele fosse novo, mas estava com uns quarenta e tantos) abanou para ele e com um sorriso amarelo, respondeu apenas erguendo a palma. A morte era real...

A garota então, com aprovação para ir fazer o café, não tardou em fazê-lo com certa maestria. Comeu preguiçosamente um pão no caminho enquanto a chaleira esquentava, pensando na vida terrestre que não era exatamente muito diferente da dos céus. Aprontado sua bebida, que era como um vazio, ela olhava para ele e ele olhava de volta, tal era sua escuridão. Demônios poderiam viver ali, seu odor era convidativo como as luxúrias infernais, sua profundidade, se não fosse pela xícara, certamente deixaria em dúvida e na medida em que aproximava a borda dos lábios e via seu reflexo sendo engolido pelas sombras de sua própria face, sentia como que mergulhando na escuridão pós mortem, um local conhecido como "esquecimento".

Por fim seu café estava bem gostoso e ela entregou para Knevitz provar de seus terrores.

Ele olhou para a xícara como se houvesse alguma espécie de veneno nela, mas logo percebeu que aquele era o jeito da shandian de viver e sem preconceitos ou apenas não se importando, ele deu um gole longo, baixando e batendo o recipiente em sua mesa de tal forma que um pouco do líquido saltou, mas não saiu, ele olhou para ela como se tivesse engasgado e não respirava, segurando sua respiração.


- Está muito quente... - Falou com um pouco de fumaça saindo da boca enquanto uma singular lágrima escorria por sua bochecha. Também estava forte, mas ele não queria causar nenhum sentimento ruim nela (além do que possivelmente já o tivera feito), então apenas se levantou e fora até a cozinha, abrindo a geladeira e pegando uma garrafinha d'água gelada e bebeu dois goles. Retornou até sua mesa e com mais cuidado, terminou a bebida e olhou para a garota que o convidara para dar o passeio, ajeitou-se na cadeira e averiguou a quantidade de papéis que tinha em sua frente, repensando no que faria, hesitante, mas por fim se levantou, bateu de ombros e ergueu as palmas. - Acho que um pouco de Sol me fará bem...

Ambos estavam para sair, mas logo o velho parou como se lembrasse de algo e correu de volta para sua mesa, pegando algo sobre ela e guardando no bolso, retornando para junto da hóspede. Saíram da clínica e antes de fechar e trancar a porta, virou a plaquinha de "Aberto" e dando início à caminhada deles.

Andaram até os elevadores, porém antes de embarcar, ele entregou uma carta para uma pessoa que ali passava e nada falou, mas o transeunte logo concordou com ele e algumas moedas foram trocadas, mesmo que o abordado com certeza quisesse recusar. Logo subiram.


- Você gostaria de visitar um de nossos observatórios? - Iniciava uma conversa enquanto faziam a longa subida em direção da borda do vulcão, não querendo repetir a experiência da noite passada onde quatro pessoas se apertaram ali e nada falaram um com o outro. - Nesse horário ainda estão fechados, mas possivelmente Órion estará a madrugada inteira nele, caçando a sua ilha ou algumas coisas muito além...

A subida fora extremamente tranquila e dessa vez, sem solavanco algum, pois sua velocidade ia diminuindo na medida em que subiam. Logo era visto pequenos grupos de cientistas ao redor dos tais observatórios, mas nenhum adentrava propriamente. Todos conversavam em mesas colocadas ao Sol junto de algumas placas que pareciam grandes espelhos que absorviam a energia solar. Eles conversavam bastante e nem ao menos davam bola para o que ocorria, mas alguns viam a garota e abanavam para ela, outros eram relutantes, porém acompanhavam seus colegas entre outros que realmente se negavam a fazê-lo, não demonstrando qualquer tipo de hostilidade, apenas indo contra sua vontade (possivelmente por acharem que ela não tinha nada demais).

O vento ali em cima era maravilhoso. O Sol estava quente e o vento frio equilibrava tudo, pois sua pele parecia pinicar um pouco com o calor e recebia uma lufada gélida. Knevitz chegou a se espreguiçar gostosamente e estalou as costas, revigorando-se da maneira mais primitiva que existia.

Não havia um elevador para a descida deles, visto que era uma enorme placa, mas descer com certeza era bem mais fácil do que subir aquela inclinação, então iniciaram a descida.

Era um pouco empoeirada, mas não turbulenta. Na medida em que ia descendo, diferente das pessoas que antes ele houvera visto, era como se ele mudasse completamente de ambiente. Todos paravam e pediam ou davam graças a Rainbow enquanto Sebastian, com as mãos nos bolsos se encolhia um pouco como se de alguma forma isso o fizesse desaparecer. Outra peculiaridade era que todos ali eram vestidos de maneira completamente diferente dos que ela a recém tinha visto, pois eram como se fossem únicos, com mantos, vestidos, bermudas, saias, capuzes, casacos abertos, etc, também usavam colares ou pulseiras, todos eles pareciam estar com amuletos ou demais insígnias que pudessem lhe trazer sorte ou bons ventos, ou mera adoração de alguma coisa.


- Bem vinda à Vila da Cósmica Fé. Aproveite sua estadia. - Sebastian falava ironicamente enquanto olhava para ela com um sorriso debochado. Andaram por ali enquanto muitos paravam o que estavam fazendo e olhavam para a tal deusa e o médico certamente estava desconfortável no meio daquilo tudo.

Dado momento, ele se distanciou da garota e fora até uma tenda onde uma velha queria se oferecer para ler a sorte dele dada a posição planetária em contraste com a das estrelas e satélites, seja a Lua ou de seus parentes. Ele parecia meio constrangido para tal, mas logo ele retorna e repassa a informação recebida de onde ela deveria se dirigir para encontrar o tal "Deus do Tempo".


- Olhe, Rainbow... - Ele disse meio sem jeito, mas como um homem de honra, ele olhou-a nos olhos. - Não irei segui-la nisso, mas esperarei por aqui. Quando terminar o que tiver de fazer, encontre-me na beirada do vulcão e arranjaremos o que fazer até de noite para que você possa ver as estrelas, ok? Será seu "prêmio" por suportar isso. - Falava como um pai que leva a filha para tomar a vacina, mas que se ela passasse por isso, logo em seguida teria sorvete à sua disposição para compensar os momentos que a aborreceram. - Eles não me deixam passar por não participei de um de seus rituais de iniciação... Sabe? Não sou "de fé". Mas não se limite por minha causa, somos pessoas diferentes e não irei abandoná-la.

Ela concordando, já sabia a trajetória até a tal igreja onde estava a outra divindade. Knevtiz não poderia segui-la por ter falhado com tais deuses, mas talvez por estar abrigando uma, isso pudesse ser ignorado, mesmo que ele próprio não tivesse muito interesse em ir até o local, talvez por conhecer ou por já estar cheio dali. Rainbow por outro lado, estava recebendo outro tipo de tratamento, pois todos sorriam para ela e ninguém lhe negava nada.

Indo até a tal igreja, suas portas estavam fortemente fechadas com alguns fiéis sentados do lado de fora da escadaria, cada um em um degrau. Quietos, eles pareciam meditar e faziam a defesa do local, mas ao avistar a Deusa da Chuva, eles logo fecharam seus olhos e abaixaram suas cabeças, deixando seus cabelos compridos desenrolarem gentilmente para a frente, todos lisos. Nenhum deles carregavam armas, mas todos tinham um manto sobre os ombros que cobria totalmente seus braços e deixava apenas a cintura de fora, podendo carregar armas de fogo por baixo.

Abrindo a porta então, ela se veria em um hall comum de igreja, com muitas cadeiras ordenadas em sequência e um altar. Seus vidros eram em mosaico e faziam desenhos de lemniscatas, ampulhetas, relógios, círculos, 0's e 8's. O local era meio escuro e os desenhos se alinhavam no chão e iluminavam vivamente alguns pontos, mas algo que era visível e chamativo era que todas as paredes tinham equações matemáticas, não somente elas, o chão, as cadeiras, apenas os vidros estavam salvos disso. Um homem alto com asas de penas longas e velhas com uma espécie de papel manteiga grudadas faziam parecer maiores do que realmente eram, trajando uma túnica de aparência bem confortável e com uma barba e um semblante curioso, olhava para Rainbow por segundos até levar a mão sobre os olhos doídos, não acostumado com a claridade.


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Rainbow
 Posted: Jul 14 2017, 07:47 PM
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A conversa com Sebastian na clínica tinha sido muito boa. Ela era aquela pessoa que seguia a morte e ele como médico era aquele que queria que ninguém seguisse a morte. Uma contradição bem interessante sob o olhar da shandian. Ele era até engraçado em algumas respostas sobre o café ou meio desastrado em tomar o café quente. Ela nunca fizera café frio e essa era até uma ideia interessante. Poderia tentar em um futuro próximo.

Os comentários dele sobre as asas não a incomodou. No céu todos dias então receber aquilo como preconceito não existia. O único preconceito que ela teve que enfrentar era de seu pai para com sua opção, então estava bem. Quando Knevitz aceitou caminhar com ela, a garota gostou, apesar de sua cara de morta. Outra contradição interessante, Rainbow toda colorida era toda apegada à morte e ao limbo da morte e ao fim da existência de todos os seres. Até a existência dela poderia ser descartada com tanta facilidade? Quem sabe.

Viu que o médico tinha entregue alguma coisa para alguém, mas resolveu não se meter nisso. Provavelmente era um assunto da clínica, então não poderia ajudar. A próxima pergunta a surpreende. Era claro que ela gostaria de visitar um dos observatórios. Sua mente ansiava por isso desde que vira os prédios que pareciam dedos de uma criatura gigante querendo sair do vulcão.

-Adoraria.

Ela pensou um pouco e então completou:

-Você acha que Órion ficou tentando achar a ilha de onde vim a noite toda? Mesmo ele estando com aquela cara de cansado? Não sei não.

E subiram o vulcão com mais tranquilidade, sem aqueles trancos estranhos que pareciam mostrar que iriam cair para a morte iminente, esmagados no chão lá embaixo. Enquanto passavam por cientistas, ela cumprimentava a todos, ela resolveu falar com Sebastian:

-Doutor Knevitz.....onde poderia encontrar uma pá para carregar comigo? Eu a usava nos meus afazeres diários no cemitério e para me defender, então sinto um pouco de falta. Deixa ver aqui.....

E procurava nos seus bolsos o montante de dinheiro que tinha. Na verdade ela nem sabia se as ilhas do céu e a ilhas debaixo usavam a mesma moeda. Tinha lido em algum lugar sobre isso? Acreditava que sim, mas deixou isso para lá naquele momento:

-...eu tenho quinze, dezesseis, dezessete, dezoito....ah sim, vinte e cinco mil berries para gastar em uma pá. Você conhece algum ferreiro em Galilaíos que poderia me ajudar a conseguir uma pá por essa quantia de dinheiro?

Olhava Sebastian em busca de uma resposta positiva. Era pouco dinheiro, mas queria uma pá que pudesse ajuda-la em sua jornada. Não pretendia viver em Galilaíos por muito tempo. Hubble até poderia querer que ela ficasse ali eternamente ou até que a vida dela acabasse, mas os planos da Shandian eram outros.

O vento era muito agradável em cima do vulcão, apesar do sol. Talvez fosse a brisa marinha que não deixava ela sentir muito calor e nem muito frio. Estava relativamente ameno. Logo começaram a descer a encosta.

“Descer todo santo ajuda, até eu que nem santa sou. Nem deusa também.”

Descer não era o problema. O problema real eram as pessoas que pararam Rainbow a toda hora. Uns pedindo bênçãos, outros apenas sorrindo e querendo pegar nela. Aquilo era bem desagradável, além de que a descida demorou demais por causa disso. Percebeu Sebastian se encolhendo e achou aquilo estranho:

-Nossa...é como se estivéssemos em outra ilha né? Dois povos tão diferentes e parece que separados pela borda do vulcão.

A ironia de Sebastian diante da “Vila Cósmica” veio a calhar naquele momento chato. Tanto ele quanto a coveira estavam bem deslocados. Nem percebera que o médico tinha se distanciado, mas quando retornara ela tinha se dado conta. Voltou com informações úteis para ela.

-Oks doutor Knevitz. Obrigada por me acompanhar até aqui. Não vejo a hora disso terminar para ganhar meu prêmio.

Deu uma risadinha breve. Não queria que alguém pensasse que ela estava rindo de alguém e sempre tomava cuidado com o tom de sua voz, não queria deixar as pessoas bravas com o que ela falava sobre o estado “Deusa” dela.

“Ritual de iniciação? Isso está ficando cada vez mais estranho.”

Fez uma reverência para Sebastian e partiu na direção de onde o “Deus do Tempo” estava. A cortesia para com ela era tamanha que ela já tratava aquela situação como anormal. Muitos sorrisos, muita gentileza, muita educação. Tudo o que é demais enjoa e irrita. Mas logo ela chega na frente da igreja do seu irmão shandian. As portas estavam fechadas com algumas pessoas sentadas nos degraus. Até aí tudo ok. Ela poderia ter chegado muito cedo, mas resolveu avançar mesmo assim.

Revirou os olhos quando os fiéis baixaram suas cabeças quando a avistaram. Todos usavam mantos, bem parecidos com os das outras pessoas da ilha. Descobriu que a porta estava aberta, então entrou. Não queria dar margem para mais bênçãos ou pessoas que ficassem tocando ela. Olhou dentro da igreja, infelizmente não tinham caveiras nas paredes, ornamentos de foices, corpos mumificados ou pessoas se autoflagelando até morrer. Suspirou fundo em desagrado. Mas o local com um pouco de escuridão até se salvava, mas só um pouquinho.

Logo ela conseguiu identificar um homem com asas. Era o seu irmão “deus”. Ela arqueou a sobrancelha esquerda em tom curioso, não como o do homem, que também parecia estar com curiosidade sobre a shandian. Rainbow cruza os braços, cessa seu caminhar no meio do hall e diz:

-Então você é o Deus do Tempo aqui de Galilaíos?

Sutilmente ela se virou noventa graus, para que suas asas ficassem visíveis ao velho. Fingia que olhava os vitrais nas janelas, as equações e os detalhes da construção.

-Há quanto tempo está aqui na ilha?

Ela sabia que não tinha sido ontem que ele chegara, mas queria ouvir o que ele tinha a dizer. Começar um diálogo era bem complicado também. Se tivesse sua pá naquele momento, ou qualquer outra pá, quando saísse já cavaria a cova para aquela pobre alma que ansiava deixar aquele corpo velho e decrépito.
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